Em fevereiro deste ano, curso completou 29 anos de atividade, com uma trajetória marcada por adaptações
No dia 28 de setembro, celebramos o Dia Mundial do Jornalismo, uma data que nos convida a refletir sobre a importância da informação e o papel crucial dos profissionais que a produzem. Mas para além da reportagem do dia a dia, a data também é um momento para olhar a história e a evolução da própria profissão. É neste contexto que a jornada do curso de Jornalismo da UPF ganha um significado especial: ela é a prova de que, para acompanhar a velocidade da notícia, a formação precisa estar em constante transformação.
Em um mundo onde a informação se move na velocidade da luz e as plataformas se multiplicam, a formação de jornalistas precisa acompanhar a evolução. A história do curso de Jornalismo da Universidade de Passo Fundo (UPF) é uma expressão desse desafio, marcado por uma jornada de adaptação e reinvenção, que vai desde a sua criação, focada no jornalismo impresso, até o atual cenário de convergência de mídias.
O Início de tudo
Em 1996 nascem os Curso de Comunicação Social da UPF: com habilitações em Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Radialismo (Rádio TV e Vídeo) e em fevereiro do ano seguinte, o Instituto de Belas Artes da UPF passou a se chamar Faculdade de Artes e Comunicação (FAC). Segundo a ex-professora e primeira coordenadora do curso, Dra. Sônia Bertol, existiam muitos jovens interessados em atuar na área, mas não tinham a oportunidade de formação na época. “Era um perfil de alunos que tinham uma convicção muito forte em relação à sua decisão por fazer jornalismo. Eram alunos amadurecidos na sua escolha, tinham muita vontade de fazer o curso de jornalismo, só que não era oferecido aqui na região”, lembra. Ela também conta que a ideia inicial do curso era formar jornalistas para atuarem em um nível local, mas ainda tendo compreensão do mundo globalizado. Assim a narrativa jornalística seria a mais completa possível, contextualizando os fenômenos locais dentro daquilo que também ocorria globalmente. Segundo a professora, na época, o mercado de trabalho era composto basicamente por profissionais que até tinham o registro de jornalistas fornecido pelo sindicato, que era algo provisório, mas dificilmente encontrava-se um profissional diplomado, que tivesse a formação no ensino superior nesta área.

A Revolução do Nexjor e a Autonomia
O currículo inicial, com um foco quase exclusivo no jornalismo impresso, logo precisou ser adaptado para as demandas do mercado em transformação, que se desenha cada vez mais convergente e multimídia. Para superar esse desafio, a primeira grande reforma curricular, em 2004, integrou o Jornalismo ao antigo curso de Radialismo e passou a oferecer turmas noturnas, um passo vital para formar profissionais com as novas competências emergentes no mercado.
O curso continuou a se adaptar. Em 2008, uma segunda reforma reduziu a duração da graduação para três anos e meio, com uma abordagem ainda mais prática. Em em 2010, as Agências Experimentais, antes dividas em impresso e mídia eletrônica, se unificaram, com a criação do Núcleo Experimental de Jornalismo (Nexjor) em 2010. O Nexjor materializava, num espaço fora da sala de aula e da grade curricluar, a necessidade de formar jornalistas aptos a transitar por todas as plataformas. Hoje, o núcleo atua como um laboratório vivo, com foco em mídia sonora, digital, audiovisual e fotografia, preparando os alunos para a realidade profissional.

O curso hoje em dia
Desde 1997 até hoje, o curso continuou se adaptando às contínuas mudanças do mercado de trabalho, ao todo foram cinco reformas curriculares e cinco coordenadores à frente do curso.
A atual coordenadora do curso de Jornalismo da UPF, Prof. Dra. Bibiana Friderichs nos contou quais foram as principais mudanças que aconteceram ao longo dos anos. Segundo ela, a mudança mais significativa foi entre 2013 e 2015, quando o Ministério da Educação lançou novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o jornalismo e incluiu o estágio obrigatório como requisito para a formação do aluno. “Nos primeiros currículos nós tínhamos um curso de jornalismo mais focados no impresso, embora houvessem algumas práticas em outros suportes. Mas a partir dessa reforma, as disciplinas se voltam as práticas do jornalista em múltiplas linguagem, quer dizer, mídias digitais, mídias sonoras, mídias audiovisuais e texto, de forma equilibrada dentro do currículo, formando profissionais com competências multimídia. Além disso, esse currículo também contou com uma transformação no conjunto de teorias, originalmente ligadas exclusivamente a crítica a comunicação de massa, para incluir as teorias específicas do jornalismo, oriundas do amadurecimento do nosso campo de pesquisa”, explica a professora Bibiana.
Segundo a coordenadora, o perfil geral dos estudantes de jornalismo de hoje é bem diferente de uma década atrás. Atualmente a grande maioria dos alunos que entram no curso hoje já estão inseridos no mercado de trabalho ou entram logo nos primeiros semestres. “Em função da grande demanda de estágios que temos hoje em dia, a grande parte já trabalha profissionalmente antes de se formar”. Ainda segundo ela, a maioria são alunos vindo diretamente do ensino médio e que não são de Passo Fundo, mas de regiões próximas. De acordo com a professora, a ideia de formação de alunos no curso anda de mãos dadas “com o papel do jornalismo na sociedade, alinhado ao interesse público, na produção de informação que tem relevância e impacto na vida das pessoas, pautado por diretrizes éticas no exercício da profissão. Por outro lado, diz a coordenadora, nosso processo de formação também caminha junto com as demandas do mercado de trabalho, como as inúmeras vagas disponíveis em assessorias de comunicação e imprensa, ou social media. Formamos “um profissional multimídia, que pode gravar áudios, aparecer no vídeo, editar, fotografar, e construir narrativas qualificadas, para associar as preocupações de imagem dos seus assessorados com o interesse público.”

A missão do presente e os desafios do futuro
A trajetória do curso de Jornalismo da UPF é uma lição de resiliência e adaptação. Ao longo de quase três décadas, a graduação soube se reinventar, evoluindo do processo “quase artesanal” da fotografia analógica e do jornal impresso para o cenário multitarefas das mídias digitais. Essa evolução reflete não apenas as mudanças tecnológicas, mas também uma compreensão mais profunda do papel do jornalista na sociedade contemporânea.
A missão do curso, hoje, é justamente essa mistura: o resgate do jornalismo clássico de redação, com sua ênfase na apuração, na ética e na escrita de qualidade, unido ao protagonismo exigido pelas novas plataformas. É a aposta em um profissional completo, capaz de transitar entre o texto, o vídeo, o áudio e as redes sociais, sem perder de vista a responsabilidade de contextualizar os fatos locais dentro de um mundo globalizado. Um profissional que trabalha em nome da verdade e dos fatos, como prega a campanha criada para comemorar o Dia Mundial do Jornalismo.
