A situação descrita por Sacco 30 anos atrás não apenas continua mas se intensificou, e não há para onde correr.
No dia 06 de junho de 2024 mais uma vez os cidadãos palestinos, que vivem no campo de refugiados de Nuseirat na faixa de Gaza, tiveram os seus afazeres diários interrompidos por um bombardeio israelense. Dessa vez o alvo foi uma escola da Organização das Nações Unidas (ONU), que atualmente também funciona como abrigo. E novamente, o exército Israelense tenta justificar o ataque afirmando que um complexo do Hamas era abrigado na escola e descrevem a ação como precisa, e além disso, afirmam que foram tomadas medidas para reduzir os riscos de civis serem feridos. Mas a população do campo de refugiados discorda, segundo eles a área é densamente povoada há décadas e a escola estava lotada com pessoas desalojadas que fogem dos combates em outras partes da faixa Gaza, o que dificultaria uma ação tão precisa como a dita por Israel. Aqueles que presenciaram o bombardeio contam que viram “mulheres e crianças explodindo em pedaços” durante o ataque. Mesmo com diversos vídeos divulgados e vistos pelo mundo inteiro nas redes sociais que mostram a destruição de várias salas de aula da escola e corpos envoltos em mortalhas e cobertores brancos. Israel diz não ter conhecimento de nenhuma vítima.
A guerra que começou no dia 7 de outubro de 2023, hoje completa 700 dias, podendo ter mais de 322 mil os exterminados por Israel. Essa que tem como ponto central a disputa sobre a soberania e o controle de territórios como Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Com 270 jornalistas assassinados desde o início da guerra, Israel tem a campanha militar mais letal para os profissionais desta área em toda a história. Esse número é três vezes maior que o total da Primeira e Segunda Guerra Mundial juntos, que teve 69 vítimas.
Mas este conflito não é de hoje, a ocupação da Palestina por Israel tem mais de 70 anos de histórias. No seu livro “Palestina”, Joe Sacco discute as relações históricas entre Israel e Palestina e a realidade dentro da faixa de Gaza. A situação descrita por Sacco 30 anos atrás não apenas continua mas se intensificou, e não há para onde correr.
O especial multimídia abaixo, intitulado “A infeliz atemporalidade de Palestina”, reúne uma série de informações e capítulos sobre está obra, além de uma contextualização do conflito.

Por se tratar de uma reportagem multimídia e interativa, você, leitor, tem liberdade para navegar pelos tópicos de seu interesse e construir sua própria ordem de leitura.
Expediente:
Alexandre Marcheze
Andressa Dall’Agnol
Cassie Becker
Eliana Presser
Estefane Worst
Fontes:
Livro ‘Palestina’, Joe Sacco; Quadrinho ‘Never Again and again’, Joe Sacco e Art Spiegelman; Agência Brasil; Agência Pública; BBC.
