Série de Reportagens: Linguagens da Arte Local – Parte 3

A Tridimensionalidade Poética de Bianca Petry na Arte Contemporânea

A expressão artística, ao longo da história, tem sido um reflexo da complexidade e diversidade da experiência humana. No contexto da arte contemporânea, essa expressão ganha novas dimensões, desafiando convenções estabelecidas e explorando diversas formas de mídia e linguagem visual. A arte contemporânea transcende fronteiras tradicionais, incorporando uma multiplicidade de perspectivas, técnicas e temas. Nesse cenário dinâmico, o início de uma jornada artística representa não apenas o ponto de partida para a criação individual, mas também uma imersão em um diálogo cultural em constante evolução. À medida que os artistas exploram suas identidades, inspirações e conexões com o mundo ao seu redor, a arte contemporânea oferece um terreno fértil para a experimentação e a expressão autêntica.

Bianca Petry é uma jovem passo-fundense, graduanda em artes visuais cujo talento e paixão pela expressão artística floresceram desde a infância. “Lembro-me desde criança dos desenhos de jardins pela casa! Um dia, aos sete anos, na escola, decidi pintar uma árvore de maneira mais linear. Sei lá o porquê, sabe o lápis fraquinho no papel e o traço constante? Testar algo diferente de como eu estava pintando até o momento”, conta Bianca.

Foto: Theo

Ao falar sobre suas influências iniciais, Bianca destaca os quadros de paisagens pintados por sua mãe, Claudia, uma paisagista. Contudo, é evidente que sua paixão pela arte vai além das raízes familiares, explorando caminhos próprios e inovadores em sua jornada artística.

“Minhas primeiras influências foram os quadros de paisagens da minha mãe! Ela – por si só – tem grande criatividade e um potencial inspirador também.” Essas influências, somadas aos livros ilustrados que ganhou ao nascer, como “A Princesa e a Ervilha” e “O Pequeno Príncipe”, contribuíram para moldar seu gosto artístico ao longo dos anos.

Atualmente, Bianca enfrenta o desafio de desmembrar ao máximo o figurativo na arte, buscando uma expressividade que possa retratar emoções e situações de forma única. Sua abordagem artística envolve uma exploração constante de técnicas e caminhos, refletindo sua dedicação ao processo criativo. “Sendo artista, preciso me renovar e prestar atenção no meu processo, experimentar várias técnicas e caminhos para conhecer as diversas formas de expressão que podemos usufruir e nos curar”, comenta Bianca.

Inspirada por artistas contemporâneos e pela diversidade de demandas culturais, Bianca destaca a importância de explorar diferentes caminhos e materiais. Ela observa atentamente o cenário cultural local, notando o aumento de festivais e oportunidades para artistas visuais exporem suas obras.

“Vejo muitos artistas ótimos contemporâneos e as demandas diferentes em cada segmento ou evento cultural, e de início digo que me influencia a explorar ainda mais os diferentes caminhos e materiais”, finaliza.

Além de sua prática artística, Bianca também reflete sobre o papel do artista na sociedade. Engajada em temas como socioambientais, insegurança alimentar e a busca por retratar desafios contemporâneos, ela destaca a necessidade de os artistas assumirem o papel de contadores de histórias e defensores da verdade.

“Precisamos de artistas para contar histórias e verdades que não estamos acostumados a ouvir. A arte visual educadora, interativa e terapêutica também é uma auxiliadora direta no bem estar da sociedade com seus muitos públicos e faixas etária”, comenta Bianca.

Bianca reconhece os desafios do mundo artístico contemporâneo, admitindo estar em constante aprendizado. Com humor, ela compartilha uma perspectiva corajosa sobre o medo, enfatizando que “o medo é o nada querendo ser alguma coisa”.

Ao explorar conceitos do cotidiano, Bianca anota ideias para criar uma revisão artística. Seu projeto poético mais recente mergulha na busca pelo autoconhecimento, explorando os imaginários da infância e as emoções associadas ao fim de ciclos de vida.

“Meu projeto poético mais recente está ligado a minha busca por autoconhecimento (da minha criança interior), imaginários da infância e as emoções do fim de cada ciclo de vida.” Bianca busca aumentar a tridimensionalidade de sua arte, reduzindo a distância entre a obra e o público e criando a ilusão de sonhos lúcidos na vida real.

A arte de Bianca Petry é mais do que uma expressão visual, é uma narrativa envolvente que nos instiga a desbravar os complexos labirintos de emoção, pensamento e experiência entrelaçados em sua obra.

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