#vemprarua

Tudo começa com uma pequena e quase imperceptível mobilização. Aos poucos, surge um grupo. Logo, as ruas estão tomadas por gente que espera por algo. E, ali, em meio a uma multidão, todos se tornam um. Um povo, unido, que, mesmo que não anseiem pelas mesmas coisas, grita numa mesma voz.

Os protestos pelo mundo inteiro silenciaram governos, ideologias, partidos; uniram bandeiras e vozes. Calada por muito tempo, a sociedade resolveu falar. Pelo globo, os protestos ensaiam mudanças que colocam a sociedade em um papel que foge à passividade.

E, então, chegou a vez do Brasil acordar. Em meio à discussões que buscavam definir o melhor zagueiro ou atacante ou, ainda, estádio para uma seleção brasileira prestes a estrear na Copa das Confederações, milhões de pessoas tomaram as ruas do país e, desta vez, não gritavam gol. Gritavam palavras de ordem. Palavras que estavam guardadas desde o movimento contra Collor. Palavras que exigem direitos e evocam melhorias nos serviços públicos. Milhões de pessoas unidas por uma mesma causa: o país.

A gênese dos protestos está no aumento das passagens de transporte público por todo o mapa. A insatisfação com as condições de serviço somada ao aumento significativo colocou a população nas ruas. Mas não é só por isso. O aumento das passagens torna-se apenas um entre tantos motivos pelos quais cartazes são levantados. Entre investimentos para a Copa do Mundo e descaso com a saúde e educação, a população pede por um país melhor.

Surge, apoiado nas redes sociais, o movimento #vemprarua. Como numa espécie de dominó, um protesto acontece atrás do outro e todos são capazes de construir a história de um país que é, sim, gigante – ainda que adormecido há um bom tempo. Mas esse #giganteacordou e embalado pelo lema “amanhã vai ser maior!”, os protestos inundaram as ruas dia a dia. Facebook e Twitter têm papel fundamental no processo de construção de cada manifestação: grupos no Facebook se tornam espaços propícios para combinações entre manifestantes. A organização de todas as pessoas que saíram às ruas, nos últimos dias, se deu, em grande parte, graças ao abrange da rede social que é capaz de diminuir distâncias e gerar proximidade e intimidade.

O pequeno e imperceptível sinal de mobilização se tornou o foco da mídia. Os jornais e plantões de notícia conquistaram maior horário na programação e emissoras como a Rede globo, por exemplo, transmitiram cerca de 3h de cobertura em tempo real das manifestações, interrompendo um jogo da Copa das Confederações e cancelando transmissões de novelas. O movimento ultrapassou as fronteiras do país: os brasileiros foram pras ruas, também, em outros países – ganharam Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, Estados Unidos, Turquia, México, Estados Unidos. As fronteiras não foram capazes de suportar tamanha mobilização e os brasileiros, ainda que espalhados, são apenas um.

Na última terça-feira, em frente ao Congresso em Brasília, os manifestantes convocaram, em coro, um novo protesto. “Não podemos parar por aqui. (…) Só vamos parar quando colocarmos um milhão, dois milhões, três milhões, vinte milhões aqui pra falar para eles que não está certo o que eles fazem.”. Então, ontem, às 18h, o Brasil parou. De uma ponta a outra o país foi para a rua e, lado a lado, caminhou na direção da mudança. De fato, foi maior.

Em Passo Fundo, nem a chuva impediu que seis mil vozes se unissem e caminhassem pela Av. Brasil. Entre cartazes, tinta no rosto, placas e apitos, a cidade caminhou pelas ruas. A população tinha rosto e voz, mas não tinha idade. Crianças pequenas viram os pais lutarem por seu futuro ao mesmo tempo em que idosos viram uma geração se levantar. E o apoio não veio apenas do chão: do alto dos prédios, luzes piscavam e panos brancos ganhavam as janelas. De dentro dos carros, aplausos. As vozes, nas ruas, convocavam a população para a rua. Da calçada, o grito prosseguiu: “Vocês, jovens, são o futuro do país. Depende de vocês!”.

O protesto, que iniciou às 18h, na Av. Brasil, rumou para a Prefeitura – de portas fechadas. De lá, os manifestantes voltaram para o centro. Do alto do trio elétrico, um deles deu o recado: “Muita gente aqui vai dormir com a alma lavada e o orgulho de ser passo-fundense, de ser gaúcho. Vamos voltar para o Centro e continuar nosso protesto.”. Na voz, o hino; na mão, o cartaz; no rosto, a expressão – todos e cada um carregavam consigo o desejo de ser responsável pela mudança.

O protesto, na cidade, encerrou de forma pacífica e democrática: uma votação definiu data e hora para novo protesto. Hoje, às 18h, os passo-fundenses vão, novamente, para as ruas. Protesto, sim, mas, mais que isso, a sociedade brasileira se une para fazer história.

O infográfico abaixo faz um relato dos últimos acontecimentos no Brasil. Navegue por ele e confira opiniões, relatos e notícias do que acontece no país.

Demonstração do infográfico interativo publicado em Adobe Flash no ano de 2013. O Adobe Flash foi desativado em dezembro de 2020.
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