Com o crescimento dos livros digitais é possível que os livros impressos se tornem raridade. Será?
Discos de vinil, disquete, fitas cassetes… Com evolução da tecnologia, as antigas ferramentas se tornam raras. Mas, alguns avanços tecnológicos surgem para complementar os antigos, como é o caso da televisão: o rádio estava em sua era de ouro quando a tv surgiu e, para que ele continuasse vivo, as mudanças em seu formato foram inevitáveis. Mesmo assim, o rádio continua forte até hoje. Com o crescimento do mercado de livros digitais, chamados e-books, fica a pergunta: os livros impressos deixarão de existir ou simplesmente serão modificados para se adaptar a nova tecnologia?
O livro em papel não acabará, segundo o prof. Dr. em Informática, Adriano Canabarro Teixeira, mas, terá que passar por uma grande transformação tanto no conteúdo quanto na agregação de espaços de interação. “Um exemplo disso é um site que tenha mais conteúdo sobre o livro e que proporcione ao leitor uma interação com outros leitores” diz. O professor ainda cita as vantagens do livro impresso: “Posso senti-lo, toca-lo, admirar a capa, registrar o autógrafo do autor. O livro em papel tem a vantagem do sentimento”, comenta Adriano.

Sentimento que convence também o acadêmico de Jornalismo da UPF, blogueiro do Um leitor a mais e vlogueiro literário, Leonardo Oliveira que acredita que os livros impressos não acabarão e que os livros digitais existem como complemento do impresso. “Os e-books e os e-readers vieram para somar e não diminuir, ou seja, os livros digitais são complementos dos livros físicos e não os seus substitutos” observa.
Já o professor da Universidade de Milão, Mario Pireddu, afirma que ainda vivemos em uma cultura moldada pela cultura tipográfica tradicional mas, a inovação está mudando todas as coisas e questiona: “Por que resistir a mudança e não nos adaptarmos a ela?”. Ele defende os livros digitais e ressalta que são diferentes por serem interativos, com preços mais acessíveis do que os livros impressos e, além disso, a digitalização do livro faz com que seja mais fácil a produção e modificação de conteúdo. Para Mario, é possível que no futuro o livro de papel seja como o disco de vinil, algo raro e precioso. “Normalmente fazemos discursos nostálgicos ou românticos sobre o desaparecimento desta ou daquela tecnologia, mas esta é de fato a história do homem” finaliza.
Os e-books podem ser lidos em computadores e celulares que suportam essa função, além de aparelhos específicos, como o Kindle da Amazon. No Brasil, o mercado de livros digitais é ainda muito recente, ainda não atingiu o seu auge. “Até o final do ano passado, a compra de livros digitais era apenas um mito, porém, quando a Amazon resolveu expandir o seu mercado eletrônico para o Brasil, a compra de e-books tornou-se essencial” explica Leonardo Oliveira.
