Não é preciso ser presidente da república ou algum revolucionário para tentar acabar com os conflitos no Oriente, o racismo, a homofobia, ou até mesmo, fazer com que as pessoas vejam o mundo de maneira diferente, conhecendo as injustiças e barbaridades que acontecem. É o que tenta fazer Juremir Machado da Silva através das suas crônicas, que, com palavras fortes, criticam, enfrentam e questionam os responsáveis pelas injustiças e fatos que acontecem no Brasil e no mundo.
Juremir, jornalista e colunista do Correio do Povo, conta histórias testemunhadas por ele no seu dia-a-dia, ao longo de quase trinta anos de carreira. Com uma linguagem ágil, cobra um leitor mais concentrado e ligado com a realidade ao seu redor. Talvez por esse motivo a leitura torna-se, em alguns momentos, cansativa. Além disso, algumas crônicas deixam o leitor confuso por mudar de assunto rapidamente.
Sem papas na língua o autor expõe sua opinião claramente a respeito de temas polêmicos como cotas sociais, relações homoafetivas, política, mensalão. Um exemplo é na crônica em que condena as declarações do deputado Jair Bolsonaro chamando-o de analfabeto intelectual. Sempre é bom encontrar um autor que não tem medo de denunciar as injustiças ao seu redor, suas indignações e que exige em seus textos melhoras na sociedade, expondo os problemas e as pessoas responsáveis, com palavras fortes, corrosivas que parecem soltar faíscas.
Mas a principal marca de seus textos mesmo é a ironia, somada a um humor negro, sem se importar em ofender alguém. Quando escreve sobre os conflitos presentes na relação entre o homem e a mulher e entre pais e filhos, aborda os assuntos mais chatos através de textos humorísticos, tornando tudo mais simples e mais fácil de ser resolvido.
Textos com muitas analogias fogem da mesmice e chamam a atenção a respeito das comparações culturais com temas atuais que o autor faz. Com muita criatividade, conhecimento histórico e cultural ele consegue prender a atenção do leitor até o final das crônicas.

