
A banda independente, de rock gaúcho, tem uma trajetória de 21 anos. Em 1991, quando surgiram no cenário musical, se apresentavam com outra formação. Alguns integrantes saíram, outros entraram, mas Acústicos e Valvulados continua, provando que música boa, independentemente da época, prevalece e faz sucesso. Prova disso são os fãs com sua diversidade etária: desde os 14 aos 40 anos.
Um pouco dessa trajetória e do sucesso fica registrado aqui, em entrevista para o Nexjor. Quer saber como foi o papo? Confere abaixo.
Os “meninos” estavam com duas entrevistas agendadas, uma com a 99UPF e outra conosco, na mesma tarde. Ansiosa, fui aguardá-los na rádio para trazê-los até o nosso estúdio. Como saber o que esperar? Estariam cansados? Seriam simpáticos? Logo soube: até mesmo cansados, sim, são muito simpáticos, animados e gente finíssimas. Então era isso, boa parte do sucesso advém da personalidade dos integrantes, contagiante. Com muito papo, nos atrasamos para iniciar a entrevista. Algumas perguntas ficaram de fora, por uma boa causa: o show deveria começar.
Rafael Malenotti, vocalista, começou apresentando a banda. E aqui estavam eles: Diego Lopes, baixista, Paulo James na bateria, Luciano Leães no piano, Daniel Mossmann na guitarra e Alexandre Móica na outra guitarra. Devidamente apresentados, lancei a primeira pergunta:
1- Em um contexto cibercultural, de downloads gratuitos, qual é a relação da banda com a era da internet: de aproximação ou de distanciamento do público. De disseminação ou desvalorização da música?
Acústicos e Valvulados: A internet não tem como piorar a história do trabalho, muito pelo contrário, é o grande veículo de comunicação e de divulgação que qualquer artista, qualquer coisa pode utilizar. Na real, a nossa relação com a internet está caminhando para uma história cada vez mais bacana. À medida que a gente vai utilizando ela como ferramenta de divulgação para a banda, a gente vai tendo o retorno devido, sempre em maior número, sempre se multiplicando nas redes sociais. Acho que, dificilmente, a internet vai dificultar ou atrapalhar esse processo. Só tem auxiliado até então. Mesmo a questão da pirataria, o que prejudica a gente é se realmente não tiver downloads do material que a gente disponibiliza. Desde que seja uma pirataria honesta e bem feita, está valendo. A gente torce para que milhares de pessoas possam baixar nossa música e ter nosso som em casa.
2- O grupo está formado desde 1991, ou melhor, desde o natal de 1990. Qual foi a melhor fase (o melhor ano, a música de maior sucesso, o melhor momento de divulgação) desde o surgimento da banda até hoje?
Acústicos e Valvulados: Ah! É agora! Responde Alexandre Móica, prontamente.
Rafael Malenotti: tá, mas é agora a música ou..?
E Móica responde: tudo! (Risos). Um exemplo é que nós já estamos com 80 shows no ano, um número que já foi o nosso recorde de shows nos melhores tempos, em um ano, sendo que esse ano ainda não terminou. Então, pode-se dizer que é o melhor, com o melhor cachê e o maior nível de chalaça também. (Risos). Quando um dos integrantes saiu, outros três entraram. Então a cota de camarim aumentou significativamente, automaticamente melhorando a situação. O número de clipes por discos duplicou em relação ao anterior, maior número de shows de verão da história da banda.
Malenotti: É. Essa é a melhor resposta: agora!
3- Acústicos e Valvulados, definida como banda de rock, mais especificamente, rock gaúcho. Explica para nós essa diferença entre o rock gaúcho e o rock nacional.
Acústicos e Valvulados: Lá pelas tantas, depois de um tempo, talvez de uns quinze anos de banda, a gente consegue chegar a uma conclusão. A real é que a gente sempre discute essa história: o rock gaúcho existe, não existe? Um bando de gente gosta, não gosta. Mas cara, acho que a situação é muito simples. Se o termo existe e se mantém, é por que tem algum motivo para ele existir e se manter. Se não, ninguém mais falava no assunto. Aí depois tu pensa, as bandas daqui tem um estilo diferente, pelo menos boa parte das bandas tem esse estilo diferente, apesar de muitas bandas não reconhecer isso. Mas é que todo mundo olha e diz: um bando de gaúcho tocando rock. Então é a realidade. E tem uma conexão, se analisar as bandas gaúchas, o som tem algo parecido. É isso, gaúcho neles! Diz Paulo James.
4- A banda é caracterizada como independente, por pensar de forma independente, por ter um caráter individual, apesar de as gravações, com exceção do último álbum sempre ser subsidiados por gravadoras. Mas, em relação a esse caráter, por que o grupo opta por se independente?
Acústicos e Valvulados: A gente realmente teve um tempo com gravadoras, agora é um momento que a gente está independente. No começo da banda também fomos independente,
por uns oito anos, e fizemos trabalhos com gravadoras de selos menores ou pelo menos nenhuma Warner. A gente sempre passou por selos de mediano para regional. E, agora, com a Mico e Jegue, falcatruas, onde tudo é grande, tudo é possível, estamos sem dependência, apenas dos fãs. Agora só dependemos deles!
5- Eu ia fazer essa pergunta mais adiante, mas como vocês já citaram a Mico e Jegue, contem um pouco mais sobre, por que desse nome, como surgiu.
Acústicos e Valvulados: A Mico e Jegue, pra resumir a história, foi como uma rebelião num asilo. Não estavam dando sopa pros velhos, não estavam trocando as fraldas dos velhos, aí os velhos pegaram as canecas e bateram nas janelas, queimaram colchão e aí, cansados, fizemos essa rebelião. (Risos) Foi uma história que a gente resolveu fazer em função de que muita banda, no mundo inteiro se autogerencia e, por isso, tem completa autonomia sobre o trabalho, não depende de ninguém. O exemplo que usamos foi o Mick Jegger. Ele mesmo cuida de todos os Stones, e daí o nome também surgiu.
O melhor turno de trabalho do Brasil, eu acho.
6- O grande sucesso das músicas Até a hora de parar e Fim de tarde com você se deve a letra, propriamente, a mensagem que passa ou ao todo, no sentido de som, momento em que foi lançado?
Acústicos e Valvulados: Eu acho que reúne muitos motivos para que elas sejam dois carros chefes para a história de Acústicos e Valvulados. Obviamente são músicas que tiveram uma execução exaustiva em rádio e no chamado crossover. Elas tocaram tanto em AM, quanto FM. Essas músicas tiveram uma grande penetração radiofônica e televisiva também. Acredito que as duas letras têm uma mensagem para passar, que atinge, realmente, o público. O que percebemos é que as músicas funcionam hoje, tanto quanto funcionaram quando foram lançadas.
7- Como ocorre a decisão das gravações de álbuns: o grupo conversa, dá ideias, existe um debate?
Acústicos e Valvulados: Não, a galera bebe! (Risos). A conversa é assim: vamos fazer um churras e uma cervejada? Começou a conversa. E depois disso: Pô, vamos aproveitar e gravar um disco. Ou então assim: Se a gente gravar mais um disco será que a gente não vai poder fazer muitos mais churras e cervejadas aqui? Claro! Então vamos gravar. Tem um lema: mais cachaça, menos ensaios!
8- O último álbum lançado: Grande Presença. Por que vinil, por que o nome?
Acústicos e Valvulados: O Grande Presença foi lançado em 2012 e desde então a gente conseguiu ter um trabalho muito bacana, com um número muito grande de shows e clipes. E, também, foi gravado pra registrar o repertório de músicas inéditas dessa formação que tinha se juntado para fazer o trabalho anterior que é o Acústicos ao Vivo e a Cores. Fizemos a gravação num estúdio de um amigo nosso que registrou essas canções. A gente está prestes a fazer o clipe de todas as músicas deste disco.
9- No Brasil, qual é o melhor cenário, o local para o rock ou do rock?
Acústicos e Valvulados: Acredito que é aqui. No Brasil para fazer rock é difícil tem que gostar, num cenário geral, a gente circula direto entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O resto é mais difícil.
10- Para finalizar, o que Acústicos e Valvulados andam escutando?
Acústicos e Valvulados: (Após trocar olhares, pensam um pouco e um lança a resposta): a última dos Stones, toda a discografia dos Stones. Uma pausa e lança: A gente está com um problema muito sério: todos querem comprar a caixa de vinil dos Beatles que saiu agora. Então está todo mundo se olhando. E aí é certo que o primeiro que adquirir vai cair todo mundo em cima.
Confira a galeria de fotos do show que rolou após a entrevista.
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