O autismo é um transtorno definido por alterações qualitativas na comunicação, na interação social e no uso da imaginação e os sintomas costumam aparecer já no primeiro ano de vida. A ONU estima que existam mais de 70 milhões de autistas no mundo. Diante desse número, é preciso buscar alternativas para que os portadores de autismo possam melhorar o desempenho na aprendizagem.
Um grupo de pesquisa do curso de Ciência da Computação da UPF desenvolveu um ambiente virtual de aprendizagem que tem o objetivo de promover e provocar a comunicação, mediar à interação e com isso, ampliar as possibilidades no processo de ensino-aprendizagem de sujeitos autistas.
Para o desenvolvimento do software, o professor do curso de Ciência da Computação, Roberto Rabello, conta que, primeiramente, conversou com 10 autistas, pois era preciso gerar um banco de dados para identificar onde estavam os déficits de conversação. Foram realizados cerca de duzentos diálogos via MSN com pessoas portadoras do autismo. “Na sequência, a gente propôs um sistema que auxiliasse a detectar e corrigir esse déficit de comunicação.

O aluno do curso de Ciência da Computação, Grégory Marsilio, participou do desenvolvimento do sistema, chamado de comunicador livre. Nele as crianças montam frases e se ouvem para melhorar a interação social.
“Existe um banco de dados com imagens associadas a palavras. Então, esses alunos, as pessoas que vão utilizar o comunicador, vão montar frases na verdade inserindo imagens. Por exemplo: tem a categoria de imagens de ambiente, ela vai ter dentro dessa categoria de imagem uma sala de aula. O aluno clica na sala de aula, vai adicionar a imagem ao comunicador. Após ele ter montado a frase, ele vai enviar essa frase e o software vai fazer a leitura em forma de voz e vai dizer isso pro aluno”. Depois disto, o comunicador grava as conversas para um acompanhamento de uma professora para que, futuramente, ela possa ver quais as frases que esse aluno está montando.
Roberto destaca que o resultado das conversas via MSN foi muito bom. “Eles começaram a demonstrar um crescimento e a minimizar os problemas como ecolalia, inversão pronominal, que são bem característicos do sujeito autista.”
Outro ponto relevante é a contribuição da tecnologia, que tem se mostrado fundamental em processos de aprendizagem, quando surge como um mecanismo de apoio. “A gente pode não só detectar, amenizar e corrigir esse déficit, como também fazer com que esse sujeito possa demonstrar o estado afetivo usando a tecnologia”, diz Roberto.
Para Grégory, participar do desenvolvimento do software é muito gratificante: “Eu estou muito feliz por trabalhar nesse projeto, pois, de certa forma, estou ajudando outras pessoas que tem mais dificuldades no aprendizado.
