No sofá da sala ou deitado assistindo TV no quarto, a infância é povoada pelos desenhos animados.
“Eu acordava cedo e ficava na casa de uma amiguinha, porque a minha mãe tinha que trabalhar, e daí, assistia aos desenhos lá”. A nostalgia encontra um terreno fértil quando relembramos o tempo de criança, época quando assistíamos a nossos desenhos favoritos na TV. A fala da estudante de publicidade, Taíse Souza Barfknecht, de 19 anos, é uma ilustração que copia realidades de várias crianças fãs de desenhos animados. Com o passar da idade, olhar para trás e poder lembrar a programação que nos entreteve durante a infância é um exercício contagiante. “Eu assistia a desenhos todas as manhãs”. É assim que aparece a fala de Rafael Serrano, estudante de publicidade, de 25 anos, após ouvir a conversa com Taise sobre desenhos animados. “Os melhores eram He-Man e o Thundercats”, fala Serrano sobre o que lembra de ter assistido quando criança.
Aula x desenhos
Assim como Rafael e Taise, na infância, a maioria das crianças divide o seu dia entre a escola e o tempo que passam brincando ou se entretendo na frente do computador ou da TV. Os educadores e os pais devem ficar alertas para a interferência da programação infantil na formação das crianças. A jornalista Daniela Balbinot Oshikiri realizou uma pesquisa em 2007, na qual entrevistou pais, professores e crianças sobre a influência e os tipos de desenhos que eram veiculados na TV. A pesquisa apontou que os alunos ficam muito tempo expostos à televisão, independentemente da programação, pois muitos passavam da hora de ir dormir para assistir a TV. “Na época eu fiz entrevistas com professores e alunos, porque a TV Globinho era a onda do momento e passava os desenhos que foram apontados como mais interessantes e assistidos”, conta a jornalista sobre a coleta de informações que realizou durante seu trabalho de conclusão de curso.
Os enredos dos desenhos que tomam conta da telas animadas e coloridas nas manhãs de muitas casas podem estar disseminando conceitos avessos à inocência e ingenuidade que aparentam. As brincadeiras de mocinho e bandido têm origem em histórias do bem contra o mal, nas quais a oposição de idéias, na maioria das vezes, é resolvida com violência. “Esses desenhos de violência, batalhas, onde as histórias eram magníficas, a exemplo do Samurai X, que era um assassino e resolveu passar para o lado do bem”. A fala de Rafael Serrano mostra como as histórias de alguns desenhos estão repletas de elementos criadores de estímulos e formadores de opinião e/ou conceitos “Muitos desenhos de certa forma são estímulo para a violência de luta… importante o cuidado”, afirma a jornalista, Daniela Balbinot.
Consumo
Além da publicidade que vai ao ar nos intervalos da programação infantil, mostrando brinquedos e comerciais de lanchonetes, alguns desenhos trazem em seus episódios o incentivo à cultura do consumo. A pesquisa da jornalista Daniela Balbinot mostrou algumas inserções publicitárias dentro da história que era contada. “Lembro que na época eu gravei alguns episódios. Nem todos os desenhos são inimigos, mas tem muitos que estimulam o consumo. Acho que é dever dos pais o cuidado com o que os filhos assistem na TV. Considero a TV mais inimiga do que os desenhos animados”. Mas, por experiência, agora de mãe, Daniela aponta para a programação voltada à formação, à educação: “Um exemplo é o Discovery Kids. Minha filha assiste e os desenhos são bem educativos, falam em valores, em ajudar o próximo e arrumar a bagunça”.
Quando se começa a falar sobre os desenhos da infância todo mundo começa a elencar seus favoritos e até a divergir sobre quais eram os melhores:
[stextbox id=”custom”]Taíse Souza Barfknecht
Eu consigo fazer uma lista de desenhos que eu assistia: Rei leão, Hércules, Lilo e Stich, Du Dudu e Edu. Eu não ia na aula de manha e tinha tempo para assistir aos desenhos. Eu acordava cedo e ficava na casa de uma amiguinha, porque a minha mãe tinha que trabalhar, e daí assistia aos desenhos lá. Às vezes a gente até brigava na hora de assistir aos desenhos. Hoje eu ainda assisto a desenho, gosto de assistir Coragem, o cão covarde.
Eu gostava do Pokémon, não do Digimon e odiava o Dragon Ball. Eu tenho uma irmã mais velha, de 28 anos, que hoje ainda assiste desenhos comigo. Eu gosto até hoje do Invasor Zim
Rafael Serrano
“25 anos. Sou do tempo dos desenhos do Jiraya, Teken Rayder. Eu assistia a desenhos todas as manhãs. Eu estudei de manhã só depois da quinta série; então, assistia todos os desenhos que passavam durante a manha. Sempre tive o Cartoon Network. Os melhores eram He-Man e o Thundercats. Eu detesto Anime. Só assisti a três na minha vida: Dragon Ball Z, Cavaleiros do Zodíaco e Samurai X. Esses desenhos de violência, batalhas, cujas histórias eram magníficas, a exemplo do Samurai X, que era um assassino e resolveu passar para o lado do bem”.
Marcos Langner.
Acadêmico do curso de Música, 38 anos
“Os Herculóides, O Fantasma, Spaceghost, mas eu sempre tive predileção para um personagem, pela questão da minha origem hispânica, era o Zorro. Eu fiz esgrima por causa do Zorro. Ele tem uma coisa misturada com o Conde de Monte Cristo, ele é uma colagem. É a raposa, se finge do ‘bonzinho’, mas é o esperto, o astuto. Ele era muito ligado ao povo, mas ao mesmo tempo não é totalmente politicamente correto. Tem um ciclo que é interessante, que é do rompimento com o desenho, que daí tu volta para analisar o que está acontecendo por trás das coisas.
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