
Nem sempre ter um monte de manias é normal. Às vezes é preciso prestar atenção nos sinais para ter certeza de que você não está sofrendo de uma doença psicológica.
Pare e pense: você é cheio de manias? Vive lavando as mãos, conta os passos enquanto anda na rua, verifica várias vezes se as portas e as janelas estão fechadas? Se você disse sim a pelo menos uma dessas perguntas, preste atenção, você pode ter uma doença conhecida como Transtorno Obsessivo Compulsivo ou, simplesmente, TOC.
De acordo com Francisco Carlos Dos Santos Filho, psicanalista e professor do curso de psicologia da UPF, quando usamos a sigla TOC para designar esse transtorno, estamos adotando uma perspectiva psiquiátrica que tem sido massivamente vinculada pela mídia.
A principal vertente que caracteriza o sofrimento obsessivo compulsivo citado pelo professor é a forma obsessiva de pensar, ou seja, a presença de pensamentos desagradáveis que se intrometem na mente do enfermo contra sua vontade consciente, provocando grande angústia: “Em razão disso, a pessoa se vê obrigada a executar atos ritualizados, de conteúdo estranho ou bizarro, repetidamente, na forma de uma compulsão a repetir muitas e muitas vezes a mesma coisa.” Segundo o professor, o sentido desses atos é anular o que havia sido pensado antes, uma tentativa de proteção contra os pensamentos intrusos.
Os sintomas apresentados são construídos cuidadosamente pelo sujeito, que depois padece com eles. São comportamentos adotados para dar conta de grandes quantidades de angústias despertadas por pensamentos indesejáveis e incontroláveis: “O que é difícil reconhecer é que somos nós mesmos os autores do quadro que nos atormenta e que um sintoma é muito mais uma solução do que um problema. A questão é que a solução também não agrada o sujeito porque o faz sofrer,”explica o psicanalista.
Entre os sintomas, estão as formas mais variadas e estranhas de compulsão, tais como: lavar compulsivamente as mãos, às vezes ao ponto de machucar a pele, adotar rituais de limpeza extremos na casa, ordem intransigente nos objetos e disposição de utensílios, checar frequentemente se trancou uma determinada fechadura para, logo após, voltar a duvidar de ter feito, enfim, um martírio cotidiano para o sujeito e seus familiares.
Esses distúrbios são muito comuns em crianças e, se forem corretamente tratados, podem ter uma boa resolução, caso contrário, vão retornar quando forem adultos, fase na qual a ocorrência também é freqüente, mas os sintomas não são tão claros.
Mas e como diferenciar aquelas manias bobas de um distúrbio neurótico? Segundo o professor Francisco, é pela compulsão do comportamento, ou seja, quando a não realização do ato implica sofrimento e angústia ao sujeito. “Sua repetição é uma contínua busca de alívio para um tormento mental que nunca se dá por completo.”
Tem tratamento? 
Sim. Existem várias formas de tratar o comportamento obsessivo compulsivo, cada um com sua finalidade: “Se o sujeito deseja ver sua angústia imediatamente reduzida ou evitar realizar comportamentos que o embaraçam, ele vai buscar uma intervenção medicamentosa ou uma psicoterapia de base cognitivo-comportamental. Se ele quiser compreender a raiz e a fonte de onde se alimentam, em seu mundo interno, esses sintomas, vai procurar um psicanalista.”
O apoio da família também é fundamental, pois o comportamento pode provocar diversas inibições, como pseudofobias escolares ou sociais, em função do constrangimento pela existência das compulsões. A família deve incentivar a pessoa a procurar tratamento quando observar esse tipo de manifestação. “Nunca encobrir ou adaptar simplesmente a vida ao distúrbio, mas buscar por auxílio profissional,” conclui.
No filme Melhor é impossível, o personagem do ator Jack Nicholson sofre de transtorno obsessivo-compulsivo
httpv://www.youtube.com/watch?v=oKuRiJDRyLI
[stextbox id=”custom” caption=”Você tem TOC?”]Avalie a possibilidade de você ser ou não um portador do TOC
• Preocupo-me demais com sujeira, germes, contaminação, pó ou doenças.
• Lavo as mãos a todo o momento ou de forma exagerada.
• Limpo ou lavo demasiadamente o piso, móveis, roupas ou objetos.
• Tomo vários banhos por dia ou demoro demasiadamente no banho.
• Não toco em certos objetos (corrimãos, trincos de portas, dinheiro, etc.) sem lavar as mãos depois.
• Evito certos lugares (banheiros públicos, hospitais, cemitérios) por considerá-los pouco limpos ou achar que posso contrair doenças.
• Verifico portas e janelas mais do que o necessário.
• Verifico repetidamente o gás, o fogão, as torneiras e os interruptores de luz após desligá-los.
• Minha mente é invadida por pensamentos desagradáveis e impróprios, que me causam aflição e que nem sempre consigo afastá-los.
• Tenho sempre muitas dúvidas, repetindo várias vezes a mesma tarefa ou pergunta para ter certeza de que não vou errar.
• Preocupo-me demais com a ordem, o alinhamento ou simetria das coisas, e fico aflito(a) quando estão fora do lugar.
• Necessito fazer coisas de forma repetida e sem sentido (tocar, repetir certos números, palavras ou frases).
• Sou muito supersticioso com números, cores, datas ou lugares.
• Necessito contar enquanto estou fazendo coisas.
• Guardo coisas inúteis (jornais velhos, caixas vazias, sapatos ou roupas velhas) e tenho muita dificuldade em desfazer-me delas.
Caso tenha respondido positivamente a uma ou mais dessas afirmativas, é provável que você seja portador do TOC. Para o diagnóstico definitivo, os sintomas devem causar desconforto ou interferir de forma significativa nas suas rotinas, no seu desempenho profissional, ou nas suas relações sociais e ocupar pelo menos uma hora por dia do seu tempo. Em caso positivo ou se tiver dúvidas, discuta com seu médico.
Fonte: http://www.ufrgs.br/toc/possibilidadeDeSerOuNao.htm
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