Ciclismo: velocidade humana sob duas rodas

O ciclismo proporciona a mesma adrenalina que um esporte automobilístico pode oferecer e, mais: saúde. 

“É muito bom pedalar, sentir o vento no rosto, alcançar altas velocidades em duas rodas e ultrapassar obstáculos que parecem intransponíveis.” Ricardo Machado.

Viajar. Quem nunca imaginou conhecer o mundo desde o país de origem até o outro extremo? Para alguns atletas, as viagens são parte do cotidiano. Mas não só de viagens, tampouco de passeios, é feita a vida desses esportistas. Disciplina, descanso cronometrado, boa alimentação e treinos constantes fazem parte do seu dia a dia.

Esses hábitos são comuns para quem pratica ciclismo, um esporte que exige velocidade, concentração e muita habilidade. Os percursos variam conforme a modalidade e a prova, percorrendo desde estradas asfaltadas, onde as dificuldades não são tão grandes, até trilhas nativas e caminhos de terra, nos quais, há pedras, raízes e erosões.

Entre os atletas que começam o seu dia cedo para realizar o desjejum e, posteriormente, o treinamento, estão o ciclista Ricardo Machado e sua filha, Luana, ambos naturais de Lagoa Vermelha, que competem internacionalmente pela Universidade de Passo Fundo. Ricardo é praticante da modalidade chamada Mountain Bike e tricampeão brasileiro Máster de Mtb Cross Country, modalidade disputada em terrenos naturais, além de ter conquistado cinco medalhas em Pan-Americanos.

Já a sua filha compete na modalidade Elite.

Para um atleta, o treinamento sempre vem em primeiro lugar. Quando há viagens, os percursos de competição são logo passados, como um treinamento, porque manter o foco é primordial para obter bons resultados. Como conta Ricardo, “sempre tento conciliar o esporte e o lazer. Quando viajo, primeiro vou treinar onde a prova será realizada e me concentro o máximo na competição. Depois que termina, posso procurar alguma atividade prazerosa para descontrair”.

Conciliar nem sempre é fácil, porém prender-se apenas ao exercício e às competições não é o ideal, até porque viajar para outros países, onde a cultura, a arquitetura e a natureza são diferentes, e não poder aproveitar, seria um castigo.

Disciplina hereditária

Não são todas as pessoas que gostam de um esporte e que praticam. Se não se pratica esporte por lazer, o que dirá praticar para competir. Algumas famílias preferem uma atividade mais tranquila, que não exige esforço físico. Não é o caso da família Machado, pelo menos, não depois que Ricardo decidiu partir para uma vida ativa. “Sou o primeiro atleta da família, porém sempre gostei de esportes. Depois de assistir a uma prova chamada ‘Nove de Julho’ comecei a pedalar e nunca mais parei.”

Sua filha teve em casa o incentivo e desde pequena pedalou. Cresceu acompanhada de um instrutor que para ela não poderia ser melhor: seu próprio pai. Hoje, ambos viajam juntos para competir, mas não só de seriedade são feitas as viagens. Segundo eles, há muita diversão.

Como não haveria diversão? Percorrer países como Alemanha, Suíça, Canadá, França, Colômbia, Argentina, Equador, Venezuela, Chile, Guatemala e México, sem esquecer dos demais estados do Brasil, para fazer o que dá prazer, que para eles é competir e, ainda, ter a oportunidade de comemorar, ou não, nos pontos turísticos onde qualquer pessoa adoraria estar. Impossível não gostar.

Para que esse entretenimento seja possível, é necessária muita organização. Dormir cedo é fundamental, alimentar-se correta e nutritivamente em todas as refeições, alongar, massagear e aquecer para então treinar em ritmo forte e constante, que pode durar de uma a três horas corridas, a fim de atingir o resultado final: vencer a prova.

Saúde forte para o corpo e para o planeta

Os esportes são indicados para qualquer pessoa, independentemente de idade ou sexo. E o ciclismo tem sido indicado não só por médicos ou profissionais da saúde, mas, também, por ambientalistas, pesquisadores ambientais e especialistas.

Foto/Divulgação

Ricardo, também professor de educação física, ressalta que pedalar proporciona um fortalecimento muscular completo, além da liberação de substâncias que proporcionam a sensação de bem-estar. E indica essa atividade física por ser prazerosa, integradora e saudável. “De vez em quando a gente cai um tombinho”. Tombo que não é nada, comparado à saúde que se adquire.

Sentir-se bem, com a saúde em dia e ainda poder economizar é uma proposta mundial para quem não teme o exercício físico. Porque não pedalar ou caminhar até o trabalho, por exemplo? Ao invés de ficar preso no trânsito durante horas, gastar com transporte público ou o privado, o movimento chamado de Bike Bus sugere à população esta ideia: formar um grupo de amigos e pedalar até o destino desejado. Os ciclistas profissionais não precisam pedalar até o local do trabalho, já que o seu destino é treinar, mas para os demais é uma ótima dica.

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