Drama mostra duas realidades de vida que, apesar de parecerem distantes, estão lado a lado
Rio de Janeiro, Brasil. Cidade conhecida por suas belezas naturais e pontos turísticos. O que poucos lembram é que, não muito distante de uma praia como Ipanema, pessoas vivem cotidianamente entre a pobreza, o tráfico e a violência.
O longa brasileiro Era uma vez…, dirigido por Breno Silveira (Eu Tu Eles e 2 Filhos de Francisco), traz à tona justamente esta realidade. Uma família abandonada pelo pai, a mãe que trabalha como empregada doméstica e três filhos. O menor deles, Dé – vivido pelo ator Thiago Martins – tem uma infância difícil e pesada. Não bastasse ele ver um de seus irmãos ser assassinado (uma cena inesperada e chocante), ainda presencia seu outro irmão ser preso. Fatos oriundos da violência gratuita e do preconceito.

Dé tinha motivos de sobra para seguir no caminho do crime, mas optou por outro. Enquanto trabalha num quiosque da praia, ele observa Nina – vivida por Vitória Frate -, filha de família rica que mora em frente à praia de Ipanema. E o óbvio acontece: uma paixão “proibida” entre duas pessoas que vivem em situações econômicas e sociais totalmente opostas. Aos poucos, Dé se aproxima da moça, favorecido pela crença que na praia, de calção, as diferenças sociais desaparecem. Contra tudo e todos, Dé e Nina iniciam um romance que faz acender ainda mais os mais diversos tipos de preconceitos raciais e sócio-econômicos existentes em nosso país.

O longa tem um início movimentado, com um arrastão, cenas de roubo, assassinatos e tráfico de drogas. Mas, infelizmente, diminui o ritmo, quase estacionando. Na segunda metade, pouca coisa acontece e o roteiro parece se encaminhar para uma conclusão óbvia. São repetidos todos os clichês do gênero: a força do amor vencendo tudo, pobres contra ricos, pessoas do bem tentando sobreviver dignamente em meio ao tráfico, enfim, tudo está lá. O que deixa Era uma vez… totalmente previsível. Apesar disso, não há como negar que o enredo leva o espectador para dentro de uma realidade ainda desconhecida por muitos.
Para fazer Era uma vez…, Silveira teve um desafio: depois do sucesso de 2 Filhos de Francisco, ele apostou no roteiro, sabendo que haveriam comparações com Cidade de Deus e Tropa de Elite. Em entrevista, afirmou que “O nível de violência é completamente absurdo, a gente já se acostumou, mas é surreal. Estou querendo entender, emocionar as pessoas a ponto de repensarem”. Ele conseguiu levar sua ideia às telas: contar as ligações humanas e falar através da emoção.
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