11 de agosto: Dia Nacional do Estudante

A origem da data no Brasil

Até meados do século XIX, para aqueles que queriam cursar o ensino superior e entender um pouco mais sobre o universo das leis, era necessário ir até Coimbra, em Portugal, onde ficava a faculdade mais próxima do Brasil, ou para outros lugares da Europa. Foi então que em 11 de agosto de 1827 D. Pedro I fundou os dois primeiros cursos de ciências jurídicas e sociais do Brasil. Um deles em São Paulo e o outro em Olinda, que mais tarde veio transferir-se para Recife. Cem anos depois, mais precisamente em 1927, Celso Gand Ley sugeriu que a data fosse escolhida para homenagear todos os estudantes. E então nascia o Dia do Estudante.

Na capital paulista, o prédio do Convento de São Francisco, foi quem hospedou o curso. As estruturas do prédio construído no século XVII eram precárias, com salas de taipa (feitas de barro), e turmas compostas de poucos alunos. No ano de 1934 a escola do Largo São Francisco foi incorporada à USP de São Paulo. Até hoje, nove presidentes da República, entre inúmeros artistas, escritores e poetas se formaram nesses cursos.

O termo aluno, segundo os filósofos, vem do verbo alere, do latim, que significa alimentar. No dicionário a palavra aluno significa: pessoa que recebe instrução e/ou educação de algum mestre, ou mestres, em estabelecimentos de ensino ou particularmente; estudante, educando, discípulo. E era assim que Aristóteles chamava seus discípulos de alunos. Ele dizia que eles eram alunos, porque a palavra é a junção da letra “a”, com “luno”, no caso, pessoas sem luz, que a receberiam por meio de conhecimento, aprendizado das coisas. Aristóteles era professor, e todos que aprendiam com ele eram seus discípulos, e logo ele era a fonte de luz do conhecimento e sabedoria.

O estudante fazendo história

 Durante a ditadura militar, eram os estudantes que estavam na frontaria das organizações que, na época, lutavam contra o regime. Eles foram decisivos para a redemocratização no Brasil. Em agosto e setembro de 1992, com os rostos pintados, os estudantes foram às ruas e exigiram a saída do presidente Collor. Já em 2007, contra a reforma universitária, os estudantes mostraram sua força e lutaram contra ela, e contra os desígnios de Serra também.

Acredita-se que,- em 1930, tenha surgido o primeiro DCE (Diretório Central os Estudantes) no Brasil, que foi uma entidade bastante representativa até ser fechado pelo regime militar. Por volta da década de 1970, novamente os estudantes mostraram sua força e recriaram suas “ligas”. Vários DCEs e CAs surgiram em resposta as atrocidades cometidas pela ditadura.

O DCE é associação estudantil que representa todos os estudantes de uma instituição de ensino superior, sejam elas universidades, faculdades ou centros universitários. A atuação da entidade é determinada pelo grupo do movimento estudantil da instituição, tendo suas maiores atuações nos interesses dos estudantes diante da administração da instituição superior, e das questões de política educacional e de política nacional. Na Universidade de Passo Fundo, o DCE foi fundado em 1977.

E, para falar um pouco sobre o estudante, o Nexjor conversou com Rubens Marcon Astolfi, presidente do Diretório Central dos Estudantes da UPF, gestão 2011 – 2013.

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Nexjor – Como você avalia o perfil do estudante de hoje?

Os estudantes de hoje estão mais envolvidos com questões sociais, desde o período do ensino médio. Ele busca conhecimento além da sala de aula, seja por cursos de línguas, informática, etc. Com isso, sua visão se torna mais globalizada sobre questões atuais, o que o torna crítico e capaz de participar de debates sobre diferentes assuntos.

Nexjor –  Como o DCE contribui para a vida e para a formação acadêmica do estudante?

Desde o início da faculdade, o acadêmico da UPF pode contar com o Diretório Central dos Estudantes, que irá conceder de forma gratuita a carteirinha de estudante, uma identificação que o oficializa como estudante, além de proporcionar muito benefícios culturais e de entretenimento e descontos em empresas e serviços. O DCE também possui um serviço jurídico gratuito para os acadêmicos que possuem alguma questão burocrática a resolver em relação aos estudos e à Universidade.  Os alunos podem contar também com auxílio financeiro para eventos e outras atividades que visem promover o seu conhecimento. Ou seja, o DCE dá suporte ao aluno em diversas questões para que, assim, ele possa ter um período tranquilo durante seus estudos na universidade. Mas a maior contribuição do DCE faz na vida acadêmica dos estudantes é a representatividade, sempre defendendo os interesses dos alunos, buscando e reivindicando o melhor para eles.

 Nexjor – Você acredita que o estudante de hoje quer mais se profissionalizar, ou investir em áreas que não exijam ensino superior?

Hoje em dia, o mercado de trabalho necessita cada vez mais de pessoas preparadas e dedicadas. A competitividade vem crescendo e é preciso que o estudante tenha um diferencial para se destacar e conquistar seu espaço. Mas claro que cursos profissionalizantes são boas alternativas para quem quer se destacar de alguma maneira e não tem tempo ou condições financeiras para uma graduação de quatro ou cinco anos. Porém, o estudo está facilitado nos últimos anos, proporcionando que jovens ingressarem na universidade através de programas governamentais como o Prouni, com descontos de 50% e 100% em instituições particulares, o Fies e outras formas de financiamentos.

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O Nexjor falou também com alguns alunos do ensino fundamental, médio e superior, sobre o Dia Nacional do Estudante.

Manoelle Tiemann, de 9 anos, está no 3º ano do ensino fundamental e já diz que estudar não é uma tarefa muito fácil. Estuda no Colégio Bom Conselho adora artes, e quer se tornar estilista de moda futuramente. Já Morgana, irmã de Manoelle, com 5 anos e aluna do pré 3 do Colégio Bom Conselho, gosta de pintar e adora estudar, mas, quando crescer, quer ser professora.

O estudante do ensino médio, Luis Paulo Sartor, de 16 anos, saiu de sua cidade natal, Sananduva, e foi parar em Carlos Barbosa, onde deu continuidade ao sonho de ser jogador de futsal. Mesmo assim, não deixou os estudos de lado, e pretende cursar ciências da computação.

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Nexjor – Você acha que estudar é uma tarefa fácil ou difícil?

Eu acho que às vezes depende muito da escola, pois existem escolas estaduais e municipais que têm um nível mais elevado perante as particulares. Talvez pelo método de ensino. Mas eu acho que não é difícil estudar.

Nexjor – Mas depende muito também do aluno, não acha?

Sim, aí depende da vontade que cada um tem. Mesmo que um aluno tenha dificuldade, se ele quiser, ele aprende.

Nexjor – Nos dias de hoje, é muito comum vermos atletas sem ensino fundamental ou médio completo. Você poderia ter largado os estudos, mas não o fez, por quê?

Porque no mundo do esporte, mesmo sendo um bom profissional, você depende muito do seu talento. E às vezes o esporte não te dá tudo que o estudo ofereçe, como sair empregado e com um futuro certo.

Nexjor – Sabemos como é difícil conciliar os estudos com as outras coisas do nosso cotidiano. Se um dia ficasse complicado conciliar os estudos com o futsal, você deixaria qual de lado? Ou procuraria uma solução?

Se eu não tivesse opção e tivesse que deixar uma das duas, seria o futebol, porque ele não me garante o futuro que o estudo garante. No futebol, se você não treinar, você não joga. Então, como solução, eu iria tentar me dedicar ao máximo, para ter sucesso tanto nos estudos como no futebol.

Nexjor – Dia 11 de agosto é o Dia Nacional do Estudante. Como você acha que o estudante poderia ser presenteado?

Homenageado de alguma forma, talvez um feriado. Mas ganhar presente não, pois nós estamos estudando justamente para ser alguém;  então, é uma obrigação nossa.

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“Estudar é fácil, até para ti entrar numa faculdade, e, quando tu gostas do curso, que está fazendo, fica mais fácil de buscar conteúdos pra conseguir ir administrando melhor as matérias. Como eu não trabalho, meu tempo é todo dedicado ao estudo. Acho que não deviamos ter nenhum feriado, nem homenagem, porque estamos em busca da nossa profissão.” – Lenise da Costa Kowalski, 19 anos, estudante de jornalismo.

“É complicado, mas depende se você trabalha ou não. Se você trabalha, não tem tanto tempo para se dedicar ao estudo. Eu não acho que devia ter uma homenagem, nem presente, porque é uma obrigação nossa estudar.” – Rone Rodrigues Fontela, 18 anos, estudante de jornalismo.

“Eu acho que sim, porque, por exemplo, o meu curso é integral. Então eu chego de noite em casa bem cansada e não tenho tempo para fazer mais nada. Então, acho que no Dia do Estudante tem que ser feriado, pra gente ter uma forma de reconhecimento também. É difícil estudar, porque não consigo conciliar minha vida social com a acadêmica. Ou não sobra tempo para os estudos, ou não sobra tempo para o resto das coisas que tenho para fazer.” – Fernanda Subtil, 19 anos, estudante de fisioterapia.

“Estudar é fácil, ainda mais para quem não trabalha, mas também depende muito do curso. Por exemplo, jornalismo é tranqüilo, porque é só no turno da manhã, ao contrário daqueles que são manhã e tarde, ou tarde e noite, e exigem mais da pessoa. Não tem que ter nada de especial no Dia do Estudante; tem que estudar mesmo, porque, se fizerem feriado para tudo, vai ter feriado do lixão, das árvores, dos postes, etc.” – Guilherme Delavy Moschaider, 21 anos, estudante de jornalismo.

Um feliz Dia do Estudante para todos!

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