
A região de Passo Fundo, norte do estado, sempre foi considerada uma área agrícola. Também não é pra menos, pois boa parte da produção de cereais do Rio Grande do Sul sai daqui.
Mas, quando se fala em agricultura, além das grandes propriedades, outra categoria merece destaque: os pequenos produtores que cultivam produtos orgânicos para consumo próprio e também tiram deles o sustento de suas famílias.
Todas as semanas, nas segundas, quartas e sábados, a gare de Passo Fundo se transforma. A velha estação ferroviária dá espaço para um colorido diferente e um aroma típico de casa de avó. Nesses dias, dezenas de bancas são organizadas pelos agricultores locais e da região, que vêm até a cidade para vender seus produtos na Feira do Produtor.
A variedade de produtos naturais encontrados na feira é bastante grande e chama a atenção dos frequentadores. São frutas, legumes, temperos, pães, biscoitos, cucas, geleias e até doces caseiros. Todos são produtos coloniais, cultivados em pequenas propriedades ou feitosem agroindústrias. Tudo com aquele sabor especial de comida feita em casa.
São cerca de 60 produtores rurais que expõem seus produtos na Feira do Produtor, que já existe no município há mais de 30 anos. O espaço para a realização da feira é cedido pela prefeitura de Passo Fundo, mas, para comercializar os produtos, é preciso atender aos requisitos e normas do estatuto. O pequeno agricultor só pode vender o que é produzido em sua propriedade.
A secretária da Associação dos Feirantes, Cleusa Pólo, conta que, para poder fazer parte do grupo, é necessário passar por uma seleção. “Em primeiro lugar, o produtor tem que ter 80% da sua produção rural vinda da atividade rural, depois deve conversar com os extencionistas da Emater e, posteriormente, ter a aprovação em assembleia”. Cleusa afirma que, em média, passam 4 mil pessoas semanalmente, compreendendo os três dias de funcionamento da Feira do Produtor. “Temos também a central de vendas, que tem funcionamento diário e comercializa os produtos vindos do interior, pois ficaria inviável os produtores virem diariamente fazer feira. Temos esta opção para que os moradores da cidade possam comprar todo o dia o produto fresquinho vindo do interior”.
O agricultor Paulo Pacheco trabalha na feira há mais de 15 anos e comercializa frutas e verduras. Segundo ele, a preferência por frutas é conforme a época do ano. “Quando a safra é de pêssego, vende-se mais pêssego, quando é vergamota, se vende mais vergamota. Mas geralmente a gente vende todos os produtos quase na mesma quantia, porque cada pessoa tem a sua preferência. O bom é termos todas as variedades possíveis, para assim agradar mais os consumidores.”
Ao contrário de Pacheco, Valdemar Signor expõe na feira há poucos meses. Ele garante que legumes e verduras são os produtos mais procurados pelos consumidores. “Nós vendemos principalmente a alface americana. Mas, além dessa, outras variedades, como a mimosa e a lisa, também têm boa saída. Na área das leguminosas, a grande procura é por ervilhas e agrião.”
A preferência por produtos orgânicos, livre do excesso de produtos químicos, já é comum entre os moradores de Passo Fundo. Os produtos naturais são procurados por quem busca uma vida mais saudável, e o número de pessoas que estão atrás disso aumenta a cada dia. É por isso que em todos os dias de feira a gare fica lotada.
Helena Salvador, 60 anos, nasceu no interior e trabalhava com os pais na lavoura. Ela garante que esse é um dos principais motivos da preferência pelos produtos da feira. “Eu compro na feira desde que ela iniciou suas atividades. Os produtos são naturais e muito bons e, além disso, a variedade aqui é muito grande. Então a gente sempre pode escolher o que é melhor, o que está mais fresquinho.”
E quem pensa que apenas as pessoas mais velhas ou as donas de casa vão até a feira está enganado. Carlos Júnior, 23 anos, visita o local todas as semanas. Quando era adolescente, ele frequentava a feira com o avô. Agora trabalha em uma casa noturna e todos os sábados de manhã, quando sai do trabalho, vai com os colegas até a gare para tomar café. “Já faz uns 15 anos que eu frequento a feira, porque na infância eu vinha todos os sábados, no mesmo horário, fazer compras com o meu avô. Então, eu conheço bem os produtos. São produtos fresquinhos e as pessoas que trabalham aqui são muito receptivas. Isso faz eu gostar ainda mais dos produtos coloniais.”
Além da origem natural dos produtos, outro fator atrai os consumidores: o preço. Helena Salvador, conta que quando vai ao supermercado, costuma olhar o preço das frutas e verduras, para ter uma base da diferença em relação aos preços oferecidos na feira. “Eu economizo muito mais comprando aqui. Em um quilo de laranjas, por exemplo, chego a economizar R$ 0,60. É por isso que eu gosto de vir à feira. Porque, além de os produtos serem naturais e limpos de agrotóxicos, são mais baratos.”
Mesmo com os preços mais baixos que o convencional, o agricultor Paulo Pacheco afirma que é possível ter uma renda estável com a venda dos produtos. Ele conta que, com a exposição na feira e na central de vendas, sua renda líquida ao final do mês já chegou a R$ 1.200,00. “Conseguimos ter uma renda estável com a venda dos produtos. O que pode atrapalhar são as condições climáticas, as tempestades, mas, quando isso não ocorre, vendemos muito bem.”
[stextbox id=”custom” caption=”Serviço “]Interessou-se pela variedade de produtos e pelos preços oferecidos pela Feira do Produtor? Então confira aí os horários em que você pode fazer as suas compras:
Horário de início da feira:
Segunda-feira: 14h30min
Quarta-feira: 14h30min
Sábado: 7 horas
Previsão de término:
Segunda-feira: 18h
Quarta-feira: 18h
Sábado: 12 horas
