Um grupo de jovens e um objetivo: tirar as ideias da gaveta.
O Shoot the shit, criado por três jovens publicitários, vem chamando a atenção pelas suas ações um tanto “inusitadas”. Gabriel Gomes – 22 anos, Luciano Braga – 27 anos e Giovani Groff – 27 anos são os personagens de um movimento que pretende melhorar a vida das pessoas por meio de projetos na cidade de Porto Alegre, como o Paraíso do Golfe, a #poaprecisa, a Salve uma Vida e a Mexa-se. Eles acreditam que “é mudando a atitude das pessoas que a cidade melhora.”
Em uma entrevista ao Nexjor, o grupo explica melhor quem são e quais os objetivos que almejam atingir. Quem sabe você não se anima e começa um movimento parecido aqui em Passo Fundo?
Nexjor – Em quem vocês se inspiraram para iniciar o projeto?
Shoot the shit – Nos inspiramos em muitas pessoas, publicitários, empreendedores, artistas, vândalos, mas a primeira vez que nos olhamos e falamos que tínhamos que fazer alguma coisa foi no lançamento do projeto dos nossos amigos chamado Saco Mágico, um produto da empresa Pulga.
Nexjor – Vocês são apenas três pessoas e já conseguiram impactar muitas outras. Pretendem expandir para outras cidades do Rio Grande do Sul ou até mesmo do Brasil?
Shoot the shit – Pretendemos contaminar o mundo com essa corrente que busca através da criatividade soluções para os mais diversos problemas da cidade. Sem pensar em recompensa financeira, e, sim, na evolução de uma comunidade.
Nexjor – Como vocês veem a repercussão que estão tendo? Acham que o trabalho de vocês já está trazendo resultados?
Shoot the shit – Nós não esperávamos de forma alguma esta repercussão. O projeto nasceu apenas para sanar nossa ânsia de não conseguir colocar nossas ideias na rua dentro de uma agência de publicidade. O Shoot the shit seria o local onde nossas ideias não teriam cortes e aconteceriam dependendo apenas da gente, do nosso planejamento, investimento, criação, financiamento e divulgação. Assim é todo o projeto paralelo. Não podemos depender de outros. E dentro da agência era isso que acontecia, ou prazo, ou verba ou cliente. Um desses sempre era a barreira entre nossa ideia e a execução.
Nexjor – De onde vêm os recursos para promover as ações?
Shoot the shit – Todos os custos são extraídos dos nossos bolsos. Assumimos todos os gastos com o projeto.
Nexjor – Nas palestras e bate-papos que vocês fazem, que assuntos procuram abordar?
Shoot the shit – Quando nos procuram para dar palestras, geralmente é sobre um destes quatro assuntos: 1 – Projetos Paralelos, como tocar minha ideia na hora do almoço, 2- Resultado, ideia > investimento. 3- Processo criativo, antes, durante e depois de cada ideia.
Nexjor – Qual foi a ação que obteve maior repercussão?
Shoot the shit – A ação que teve maior repercussão na mídia foi a Paraíso do Golfe, ela saiu nos principais canais de televisão e em quase todos os jornais da capital gaúcha. A ação que teve maior engajamento da população foi o Que ônibus passa aqui, tivemos a cidade ao nosso lado quando a EPTC, Empresa Pública de Transporte e Circulação se colocou contra a ideia. A ação que teve maior amplitude frente à prefeitura em curto prazo foi a #poaprecisa.
Nexjor – Que palavra resume o trabalho de vocês?
Shoot the shit – A palavra que resume o que fazemos é execução.
Nexjor – Vocês têm contato com as pessoas atingidas pelas ações? O que a população sente que absorveu de bom?
Shoot the shit – Modéstia à parte, a população adora, afinal o que fazemos não faz mal a ninguém, faz? Só tem uma pessoa que tem implicância com a gente, mas estamos tentando conquistar o coração dele. Hehe
Nexjor – A mudança que procuram virá sem a ajuda dos governantes?
Shoot the shit – A mudança pode vir de baixo da pirâmide. A população pode ajudar os governantes a trazerem soluções bacanas, pois afinal nós é quem sabemos onde estão os problemas. Nós vivemos o problema. Nós é que andamos pelas ruas esburacadas da periferia, nós é que pegamos os ônibus lotados e atrasados, etc. Por essas e outras, devemos estar dispostos a ajudar criativamente, não apenas a reclamar e culpar o governo por soluções que ele não enxerga. Queremos muito a ajuda do governo, mas não a esperaremos. Afinal, se nós fossemos uma agência de propaganda, a cidade seria nossa única cliente.
Nexjor – Esse jeito jovem e desinibido de vocês ajuda as pessoas a se sentirem mais à vontade com as ideias? Às vezes ele não atrapalha?
Shoot the shit – Ajuda muito. Tentamos sempre deixar bem claro que essa é nossa linguagem. A gente é assim. Nós falamos assim. Não teria razão tentar agir de outra forma. Existe um certo choque quando damos algumas palestras para o público mais engravatado, mas esse choque logo se dissolve quando eles percebem que estamos falando sobre algo maior. E o fato de estarmos de camiseta e não de terno e gravata não quer dizer que não tenhamos responsabilidades.
Nexjor – Existem várias microrrevoluções lideradas por jovens. Como vocês veem a juventude de hoje?
Shoot the shit – Eu, Gabriel, não sou nenhum especialista, mas vejo a juventude da seguinte maneira: os que fazem as coisas acontecer, os que dão like e compartilham e aqueles que reclamam e não fazem nada. Enxergo um potencial enorme na galera de hoje que tem essa vontade de mudar com as próprias mãos. Vejo um perfil empreendedor muito forte e junto com esse perfil cada vez mais projetos/ideias/empresas nascem com a missão de melhorar a comunidade/cidade/país/mundo. Tenho orgulho de saber que estou no meio de uma geração que pode fazer diferença a médio prazo.
Conheça alguns projetos do Shoot the shit
Paraíso do Golfe
Um protesto às ruas esburacadas de Porto Alegre
httpv://www.youtube.com/watch?v=hChUfZvl-4U
Que ônibus passa aqui?
Nas paradas de ônibus não há nenhuma indicação de quais linhas passam. Vamos mudar isso?
httpv://www.youtube.com/watch?v=tMgffZtsKhU
Mexa-se
Quem disse que não há tempo para fazer exercícios?




