
Que a tecnologia está cada vez mais presente no universo jornalístico ninguém tem dúvidas. Mas como se dá a relação entre o jornalista e a tecnologia?
Uma conversa de jornalista para (quase) jornalistas. Esse é o objetivo de um projeto promovido pelo jornal Zero Hora que leva seus profissionais para várias universidades do estado para conversar com estudantes de jornalismo. O projeto já está na sua segunda edição e faz parte das comemorações do aniversário do jornal. Foram dois dias de palestras em todo o estado, nas quais os profissionais compartilharam suas experiências com quem sonha em um dia chegar tão longe quanto eles. Na UPF, os alunos receberam o jornalista Luiz Antonio Araujo, editor do caderno de Cultura em ZH, que falou sobre a inserção de novas tecnologias no dia a dia da profissão.
Araujo tem experiência e histórias pra contar. Em 2001, logo após os atentados de 11 de setembro, foi enviado ao Paquistão para cobrir a guerra e conta que, de lá pra cá, muita coisa mudou em relação ao uso de tecnologia. Segundo o jornalista, a cobertura foi feita em uma época em que não existia youtube ou facebook, muito menos smartphones – que hoje filmam, fotografam e acessam a internet em qualquer lugar do mundo – e, se fosse feita hoje, seria muito melhor: “A tecnologia nos permite potencializar o nosso trabalho, é a nosso favor.”
Araujo ainda comenta que as antigas gerações demoraram a perceber que um único jornalista era capaz de fazer várias coisas. “Está superado o período em que se dizia que produzir para mais de um veículo era trabalhar mais, era ser explorado, era deixar de ter uma vida melhor. Acho que, hoje, a gente pode usar a tecnologia para melhorar o nosso trabalho.” Segundo ele, estamos vivendo a era do súper jornalismo, ou seja, o jornalismo, além de estar ao alcance de qualquer um seja em Passo Fundo, em Cabul ou em Nova York, nos permite fazer coisas melhores e permite que a gente sonhe com o que ainda não existe. “Agora, nós produzimos e postamos vídeos, documentários, fazemos infografia animada da melhor qualidade, estamos fazendo entrevistas e coberturas, coisas que há 15 anos eram impossíveis de imaginar.”
Quando o assunto é jornalismo, Araujo afirma que acreditar nos sonhos é muito difícil; que é muito importante tomar cuidado e não ter uma ideia romântica do Jornalismo. “Não existe uma receita e estamos diante de um processo de mudança permanente.” E encerra alertando que estar preparado é o primeiro passo: “Se um repórter acredita no que faz e realmente é apaixonado pelo que faz, tem que se preparar desde o momento em que decide ser repórter.”
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Durante os 29 dias em que esteve no Paquistão, Luiz Antônio Araujo conversou com refugiados, militares, diplomatas, trabalhadores de organizações humanitárias, médicos, estudantes e religiosos e escreveu o livro Binladenistão, em que analisa as várias facetas dos conflitos no Oriente Médio, desde a Guerra do Afeganistão até a morte de Osama Bin Laden, 10 anos depois.
[/stextbox]Saiba mais sobre o livro em entrevista do jornalista para o Programa do Jô:
httpv://www.youtube.com/watch?v=XbGHi4S2VSQ&feature=player_embedded
httpv://www.youtube.com/watch?v=7SIs1PqDnhs&feature=player_embedded
