O cenário é simples: um grupo de amigos, um pouco de poesia, um violão e muitas risadas. Uma
melodia entoada junto com a voz que declama anuncia a reinvenção de um antigo modo de produzir
arte. Os saraus, típicos do século XIX, deixaram a corte em que nasceram e optaram pela vida
plebeia. O piano de cauda foi substituído pelo violão do tio, instrumento esquecido no armário.
Tarsila do Amaral, Mário e Oswald de Andrade se fazem presentes apenas pela voz de quem declama
ou pelo pincel de quem retrata. A simplicidade e o improviso tomam conta e revelam uma juventude
que cada vez mais acredita no próprio potencial.
melodia entoada junto com a voz que declama anuncia a reinvenção de um antigo modo de produzir
arte. Os saraus, típicos do século XIX, deixaram a corte em que nasceram e optaram pela vida
plebeia. O piano de cauda foi substituído pelo violão do tio, instrumento esquecido no armário.
Tarsila do Amaral, Mário e Oswald de Andrade se fazem presentes apenas pela voz de quem declama
ou pelo pincel de quem retrata. A simplicidade e o improviso tomam conta e revelam uma juventude
que cada vez mais acredita no próprio potencial.
Um jardim, ao lado da faculdade – espaço pequeno, mas suficiente para instalar dois microfones, uma caixa de som e um varal com trabalhos dos estudantes de artes plásticas. Os arbustos, enfeitados com luzes de Natal e placas de “Free Hugs”. A “Árvore dos Poemas” divulga palavras que ficaram esquecidas por muitos no tempo. Ingra Costa e Silva, estudante de jornalismo, conta que sentia falta de um momento que integrasse todo o tipo de arte: “Entrei na faculdade com aquela ideia: tem arte por todo o canto! Então, por que não fazer um sarau?” O Diretório Acadêmico da Faculdade de Artes e Comunicação (FAC) apostou na ideia e realizou a primeira edição do Sarau da FAC na quinta-feira, 12. “Estamos reunindo todo tipo de arte que existe dentro da FAC, não só o pessoal da música, mas também, o pessoal da publicidade, do jornalismo e das artes. Quem não canta tá cantando e quem não toca tá tocando”, conta Ingra. O estudante de música Mateus Chaves cantou pop rock, música tradicionalista e tocou choro brasileiro. Para ele, o sarau é um momento no qual o jovem compartilha ideias e se posiciona: “É ilusão falar que o jovem não tem o poder da mudança… só falta iniciativa. Hoje nós tínhamos um roteiro e ele não foi seguido porque o pessoal chegou, se empolgou e começou a querer participar. Quem for pro palco está produzindo arte. Aí nasce a arte nova, a arte que vai mudar a cara da juventude e , consequentemente, da sua realidade, da sua cultura e do seu país”. Deixando o elitismo e servindo de inspiração para a poesia da ditadura militar, os saraus invadem, hoje, escolas e universidades. “É a uma faculdade de artes e comunicação; então, tem que ter artes e comunicação!”, completa o presidente do Diretório Acadêmico e estudante de jornalismo e publicidade, Arthur Ferraz.
Em meio ao caleidoscópio de sons e criações, um pedaço de papel amarelo – desenhos de guarda-chuvas. Ao abri-lo, um poema, retirado da árvore coberta deles, e Mário Quintana se
mostra: “Quantas vezes a gente, em busca da ventura, procede tal e qual o avozinho infeliz: em vão, por toda parte, os óculos procura tendo-os na ponta do nariz!”
O sarau, espaço para uma arte livre, sem preconceitos, livre para manifestações de todo o tipo, torna-se cada vez mais atual ao ser moldado por uma juventude que se confunde com a própria arte.

