Na rua ou na rede?

As mobilizações contra a corrupção – que são poucas – acontecem cada vez mais por meio da internet.

De dois em dois anos, vemos as ruas cheias de anúncios, pessoas com camisetas estampadas e bandeiras tremulando. São as eleições. Seja para presidente ou prefeito municipal, elas mexem com a rotina de qualquer cidade. Hoje, ainda em abril, não se percebe tanta movimentação, mas qualquer um sabe que, quando o mês de outubro estiver mais próximo, a agitação começará a dar as caras em Passo Fundo também.

É mais uma oportunidade de mudar o cenário da política brasileira escolhendo o melhor candidato, certo?

Não tão certo assim.

O que os cidadãos, que vão às urnas em outubro, vêm assistindo, há muito, são escândalos e promessas não cumpridas, ano após ano, mandato após mandato. Para saber o que os eleitores pensam sobre a atual política brasileira, o Nexjor conversou com alguns deles.

“Talvez, nas escolas, devesse ter aulas de cidadania.” Jardel Andres

Em uma pesquisa, realizada com cerca de 30 pessoas, o que se pôde observar é que a maioria concorda que mudança está na mão dos eleitores, e que ela é possível. Mesmo que a ideia já seja um clichê, é um começo: a consciência de que quem vota são os cidadãos, e que os corruptos não chegam lá por acaso é uma grande vantagem.

O perfil dos entrevistados é de jovens, com algumas exceções. Jovens, que deveriam ser os agentes de mudança, pioneiros na luta pelo fim da corrupção. Há não muito tempo, em 1992, os caras pintadas foram às ruas requerer seus direitos de cidadãos. Hoje, o que se vê são posts nas redes sociais, aqui e ali, trazendo o assunto, mas sem a mesma eficiência da boa e velha saída às ruas. Alexandre Chitolina, advogado, 29 anos, vê isso como uma acomodação por parte dos adolescentes: “A internet está fazendo um grande mal nesse sentido, pois os jovens de hoje estão sem atitude, presos ao mundo virtual.” ressalta.

“Aos poucos o brasileiro está começando a abrir os olhos.” Ricardo Carvalho

Nem todos, porém, pensam assim, o que justifica as muitas páginas nas redes sociais mobilizando as pessoas contra a corrupção. Corrupção Mata é uma delas. Cláudio Fernando Lagemann, policial militar, 45 anos, é o criador e explica o que o motivou a idealizá-la: “O motivo principal foi sair da minha zona de conforto, ou seja, parar de ficar só na expectativa e na crítica de boteco, e de alguma forma tomar uma iniciativa”, diz.

Ele completa dizendo que teve um grande retorno: “Vejo que a internet é um excelente meio para denúncias, para efetivar ações e pelo menos incomodar as autoridades”, comenta.

Como defende Lagemann, a internet pode ajudar, e muito. Tem-se como exemplo as revoluções que aconteceram há pouco e derrubaram ditadores, caso do Egito. A diferença, cobrada por pessoas como Chitolina é que aliado à mobilização online, venha a manifestação física, nas ruas, com pessoas indo atrás dos seus direitos.

O Brasil é tido por observadores como um país que tem a oportunidade de ser um exemplo de democracia verdadeira, pois conta comum método de votação limpo, sem brechas para roubo: a urna eletrônica. Porém, de nada vale o prefeito, o deputado ou o presidente serem realmente os mais votados, se os votos que receberem não forem conscientes. Quem entra, então, precisa não ser apenas o que ganhou mais votos, mas o que os fez por merecer, com atitudes e um passado “limpo”. É o que diz Etson de Oliveira, acadêmico do curso de Jornalismo: “não sei se tem como mudar o cenário que vivemos hoje, mas tento fazer a minha parte; nunca votei em um candidato que tivesse um passado “sujo”. Acho que é isso que se deve fazer, valorizar quem faz pelo povo e não por si”, diz.

“O nosso papel é questionar” Janice Noronha

Não importa se você é a favor de mobilizar-se por meio da internet, ou mais radical, ir às ruas atrás de seus direitos. Em outubro, mais uma leva de governantes será escolhida e o importante é que eles sejam colocados para trabalhar pelos cidadãos com consciência.

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