[xrr rating= 5/5]
Um envelope misterioso, o manuscrito de uma confissão, um enigma por desvendar.
Perseguição e mistério são temas que já renderam bons livros. Porém, não são todos que conseguem aliar, ao mesmo tempo, humor, desilusões e até mesmo paixão. Luis Fernando Verisissimo é um grande escritor, principalmente de pequenas histórias. Suas crônicas contam, carregadas de muito humor irônico, o cotidiano das pessoas. Ler uma delas é como estar passeando na rua, caminhando na praia, ou em casa. Ele consegue fazer com que nos identifiquemos tanto, que passamos a imaginar nós mesmos vivendo as mais diferentes situações.
Porém, desta vez o caminho é outro. A narrativa em questão foge um pouco dessa linha. Os espiões é um romance cheio de mistérios, de perguntas não respondidas, de divagações, tudo isso aliado ao humor intrínseco do autor.
O livro, lançado em 2009, é o primeiro romance não encomendado de Verissimo, que já havia escrito outros cinco, todos feitos para alguma coletânea, ou série. Sua estreia em narrativas longas foi com O jardim do diabo (1988). Também escreveu sobre a gula, em O clube dos anjos (1998), Borges e os orangotangos eternos (2000) para a coleção Literatura ou morte, O opositor (2004) para a Cinco Dedos de Prosa e fez uma releitura da comédia “Noite de reis” em A décima segunda noite(2006) na coleção Devorando Shakespeare.
[stextbox id=”custom” float=”true” width=”300″]
O LIVRO
Editora Objetiva- selo Alfaguara
142 páginas
Ano: 2009
R$ 20,00 A R$ 35,00
1º Lugar Prêmio Getty Images 2009
3º Lugar Prêmio Jabuti 2010
[/stextbox]
“Formei-me em letras e na bebida busco esquecer.”
O protagonista é um escritor frustrado, funcionário de uma editora, cujo trabalho basicamente é decidir o que terá alguma chance de ser publicado. Envelopes e mais envelopes no lixo. Um dia aparece em sua mesa algo diferente, um envelope branco, onde estava escrito com letras trêmulas a palavra Ariadne, com uma florzinha no i. Quando ele abre e lê depara-se com uma confissão e uma promessa de suicídio. Aí começa a “Operação Teseu”. O protagonista resolve ir atrás dos fatos, descobrir se há verdade naquela estranha carta, com alguns erros gramaticais e a notável falta de vírgulas. Os espiões da vez são amigos de bar, em sua maioria bêbados e amargurados, mas a forma com que se unem para desvendar o mistério é intrigante. Arquitetam um plano e seguem, um de cada vez, para Frondosa- a cidade de Ariadne.
“Províncias estranhas, províncias estranhas.”
Frondosa é uma cidadezinha qualquer, com um círculo de cimento no meio da praça. O plano que lá se desenrola é uma mistura de humor, tropeços, mitologia e doses de filosofia e não sai muito bem como planejado. O autor segue narrando, do ponto de vista de quem está em Frondosa, dos manuscritos que continuam a chegar, e da visão do personagem principal. A maneira como o autor dá vida aos diferentes personagens é interessante. Um diferente do outro, com características muito peculiares. O filósofo, o sonhador, o amargurado, a ingênua, o poderoso.
Não é preciso dizer aqui que as frases são bem construídas, com uma narrativa que prende o leitor até que consiga, ele mesmo, desvendar o enigma. A leitura, em sua maioria, é simples e não exige muito tempo, é quase impossível demorar mais que alguns dias para chegar ao final da história. Os espiões, apesar de ser um romance, não deixa de carregar a leveza das crônicas de Verissimo, os relatos interessantes e a maneira com que constrói o humor irônico.
[stextbox id=”custom”]O AUTOR
Luis Fernando Verissimo é gaúcho e nasceu em 1936. É cronista de alguns dos principais jornais brasileiros e um dos escritores mais respeitados do país.
[/stextbox]Mais crítica!
httpv://www.youtube.com/watch?v=AtCpC8iUm5Y

