A tecnologia a favor (ou não) da educação

Novas tecnologias, cada vez mais presentes no nosso dia a dia, estão invadindo o ambiente escolar.

Notebook, celular, mp3, tablet, computador. Você vive em um tempo em que se tornou quase dependente de tudo isso. Acorda pela manhã e a primeira coisa a fazer é verificar seu e-mail, dar uma espiadinha nas redes sociais, checar como anda sua “vida virtual”. Se o seu cotidiano é assim, nas aulas não poderia ser diferente. Seja na escola, no cursinho, seja na universidade, o uso de equipamentos tecnológicos é cada vez mais comum. Há quem diga que a sala de aula é o único lugar que ainda não entrou para a era da informação, do novo, do moderno. Porém, o que vemos são alunos imersos neste mundo em uma hora que deveriam estar atentos a outras coisas.

Na escola, ensino fundamental e médio, é menos comum o uso de ferramentas tecnológicas por alunos, salvo o celular, que é quase inseparável das mãozinhas pouco atentas à aula e muito “ligadas” no que se passa no aparelhinho. O uso errado da tecnologia não apenas pelos alunos, mas muitas vezes também pelos professores, que ainda não estão devidamente preparados para receber essas mudanças, preocupa, e muito, profissinais de todas as áreas do conhecimento. Sergio Ferreira do Amaral é um deles. Em entrevista à Revista Ensino Superior, ele, coordenador do Laboratório de Novas Tecnologias Aplicadas na Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que a vertente mais importante dessa discussão não é a tecnologia, e sim o educador, que precisa estar capacitado para utilizá-la em sua atividade didática. “Não basta capacidade para usar a tecnologia: é preciso saber empregá-la na tarefa de transmissão de conteúdos”, ressalta.

Alguns projetos buscam essa interação tecnologia x aluno, tentando mudar a concepção que muitos têm da escola, transformando-a em um lugar mais interativo. Porque, afinal, de nada resolve o aluno ter a tecnologia -até levá-la para a escola- mas não a transformar em aprendizado. Programas do governo federal como o mais novo deles, que pretende levar tablets para a sala de aula, tentam reverter essa situação, colocando a tecnologia nas mãos dos alunos e dando incentivo para que os professores criem aulas mais interativas. Outro, mais antigo, que também tem esse propósito é o UCA (Um computador por aluno).

Já, nas universidades, o uso de tais equipamentos é muito comum.  E como nas escolas, há controvérsias quanto à utilidade deles; muitos ainda preferem o bom e velho caderno. Maiara Batista, 19 anos, acadêmica do curso de Direito comenta que o notebook não a ajudaria a prestar mais atenção à aula, muito pelo contrário. “Eu acho que o notebook distrai, prefiro fazer as anotações no caderno, porque presto mais atenção na aula, ainda mais eu que sou viciada em internet, por isso é melhor nem levar.” Diz. Uns gostam, outros não. Tamara Fauth, 18 anos, estudante de jornalismo, acha que é proveitoso levar o computador nas aulas “Eu uso notebook na sala sim, gosto de usar, pois consigo escrever mais rápido e assim anoto mais coisas pra estudar em casa. Além disso, é bem prático com os trabalhos. E outra, além de ser prático é ecologicamente correto, assim poupamos folhas e as árvores.” O uso de tais equipamentos deve estar vinculado ao processo pedagógico, para que tenha mais eficácia. É o que afirma Amaral: “O jovem de hoje é formado na linguagem das novas tecnologias, e é preciso uma relação direta entre atividade didática e a cultura na qual as pessoas estão inseridas”, acredita.

O futuro da sala de aula

Se há quem luta pelo proveito das tecnologias agora, há quem prefira esperar a concretização da “sala de aula inteligente” onde, ao mesmo tempo, o aluno tem à disposição computadores, biblioteca, sala de artes e de ciências. Interage com os colegas e com o professor através das tecnologias disponíveis. Nessa sala, o professor não deixa de ter sua importância. Ele será como um mediador, trabalhando por meio das tecnologias para o aprendizado dos alunos. E eles, por sua vez, têm o papel de debater, solucionar problemas, pesquisar e criticar temas ligados à disciplina. Essa ideia já está em prática em alguns lugares do Brasil – como nos laboratórios do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em um campus da Universidade Santo Amaro, de São Paulo, e no Projeto Jovem Cientista do Instituto Unibanco. Seu mentor, o especialista em novas mídias e tecnologia para a educação Cassiano Zeferino de Carvalho Neto, trabalha no projeto há 15 anos e conseguiu colocá-lo em prática só no ano passado, em uma escola de educação infantil bilíngüe, de Florianópolis. Em entrevista ao site ÉPOCA ele comenta sobre a descrença na educação: “Alguns autores dizem que o conhecimento mundial dobra a cada dois ou três anos enquanto a tecnologia de ensino está estagnada”, afirma o especialista, presidente do Instituto Galileo Galilei para a Educação.

Enquanto o futuro não chega, e a sala de aula ainda é a mesma de tantos anos atrás, é preciso saber o que fazer com as poucas tecnologias que dispomos para utilizar nesse ambiente, porque, enfim, é na sala de aula que não só o princípio, mas o alicerce de nossa vida está.

[stextbox id=”custom” caption=”UCA – O que é?”]

O Projeto UCA é uma iniciativa do Governo Federal que visa distribuir a cada estudante da Rede pública do Ensino Básico Brasileiro um laptop. A intenção do Programa é inovar os sistemas de ensino para melhorar a qualidade da educação no país. Ele começou a ser implantado nas escolas em 2007. Mas a lei que criou definitivamente o projeto só veio em junho de 2010. Porém, se contarmos desde 2002 até aqui, o Programa chegou a apenas 2% da rede pública de ensino.

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Veja a reação de um professor da Universidad de Oklahoma, Kieran Mullen. Ele deixou bem claro que não concorda com o uso de notebooks em suas aulas.

httpv://www.youtube.com/watch?v=ZmWgljrxQtY

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