Educação pode ser solução

Seminário de Mobilidade Urbana e Educação para o Trânsito, que ocorreu na UPF, apontou possíveis soluções para um velho problema em Passo Fundo. E mostrou que boa parte das alternativas passam por educação e inclusão social.

No Dia Mundial sem Carro, 22 de setembro, autoridades e convidados fizeram do Centro de Eventos da Universidade de Passo Fundo um espaço para debater problemas que, diariamente, afetam milhares de pessoasem Passo Fundo. Motoristase pedestres, cada qual à sua maneira, são afetados por diversos problemas detectados pela própria população nos últimos anos em Passo Fundo. Resolver questões de mobilidade urbana – uma das alternativas mais inteligentes para sanar o problema – é objetivo de diversos encontros apoiados pela Universidade, entre outras parceiras. O Seminário de Mobilidade Urbana e Educação para o Trânsito, que ocorreu ao longo de todo o dia 22, é uma das etapas desse processo.

Com uma plateia composta por autoridades, convidados e estudantes, foi debatido entre os participantes a criação de alternativas para os meios de transporte. Boa parte dos pronunciamentos defendeu a ideia de que pensar em mobilidade urbana é pensar em acessibilidade e inclusão social. Uma ideia que pode diminuir o número de fatalidades no trânsito. “Os números de mortes no trânsito são alarmantes. E devemos ter especial atenção aos nossos idosos.” alertou o presidente da Câmara de Vereadores Luiz Miguel Scheiss. A participação da UPF, nesse processo, foi lembrada pelo reitor José Carlos Carles de Souza. “O papel da universidade é permitir que os envolvidos no processo possam avançar nos estudos e na discussão do tema.” explicou.

A programação da manhã contou com a apresentação de um vídeo especial feito pela UPF TV com a opinião de pedestres, autoridades, estudiosos e população de Passo Fundo, apresentando diversos problemas do nosso trânsito. Entre a apresentação do vídeo e as duas palestras da manhã, uma série de sugestões foi apresentada. Uma delas é a possibilidade de se ter ciclovias nas ruas, já que as vantagens de locomoção por bicicleta são inúmeras. Mudanças no sistema de transporte público e na educação – com escolas integrais – também foram levantadas como sugestões viáveis a ajudar na solução do problema.

Convidado para a primeira palestra da manhã, sobre Mobilidade Urbana e Segurança, o arquiteto e urbanista Ricardo Schiavon aproveitou para destacar a importância da acessibilidade no transporte público, uma das metas do grupo de encontros, juntamente com a ampliação de opções de deslocamento aos veículos – os mais de 140 mil veículos que transitam em Passo Fundo não têm, assim como os coletivos urbanos, boas opções de tráfego, também, em vias paralelas. “É preciso entender a cidade com outros olhos. Se não tivermos bons cidadãos, não teremos bons condutores”, completa Schiavon, deixando claro que nenhuma ação funcionará se não houver colaboração da própria população. Em uma linha semelhante, Ana Lúcia Sanches, da Secretaria Municipal de Educação de Diadema (SP) reforçou, em sua palestra, a importância da formação de cidadãos que colaborem com o processo. “O objetivo é transformar a escola não só em tempo integral, mas em uma escola integral, aderindo a diversos tipos de conhecimento.” afirmou.

Seguindo a linha abordada por Ana Lúcia – a importância de formar cidadãos – o professor Alexsandro dos Santos Machado, da Universidade Federal do Vale do Rio São Francisco em Pernambuco (UNIVASF-PE), mencionou, durante sua conferência, que a educação no trânsito deve começar na escola. “Será que nas escolas é trabalhada a prevenção de acidentes no transito?” perguntou. A escola, para Machado, além de ensinar e proporcionar conhecimento aos alunos também ensina valores para a vida.

Entre as alternativas propostas para a resolução da mobilidade urbanaem Passo Fundo, a engenheira e consultora de trânsito da UGP-Prodin/BID, Marieta Aita, explicou os objetivos do Projeto Anel Viário Central, que visa reestruturar as vias públicas do município diminuindo a circulação de ônibus na Avenida Brasil. Aita enfatizou que, para que as soluções sejam usufruídas da melhor forma possível por pedestres, ciclistas e motoristas, é primordial a qualidade de vida e a inclusão.

Os diversos grupos de discussão que participaram do seminário deram suas sugestões – melhoria na estética da cidade, ampliação de praças e locais de lazer, divisão de fluxo na Avenida Brasil para melhorar a acessibilidade da população – para que o Dia Mundial sem Carro, pelo menos no Centro de Eventos, tenha se tornado mais do que uma data meramente ilustrativa e venha, em um futuro próximo, se tornar uma data marco para uma realidade melhorar a motoristas e pedestresem Passo Fundo.

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