A caçada continua

Osama Bin Laden foi morto. Será que teremos um FPS com a missão de eliminar o terrorista mais procurado da última década?

No 1º de maio deste ano, perto da meia noite pelo horário de Brasília, o líder do grupo terrorista Al-Qaeda, Osama Bin Laden, foi morto em uma ação de um grupo de NAVY Seals (divisão especial do exército norte-americano) em Abbottabad, cidade do Paquistão localizada a 50 km da capital nacional, Islamabad. A repercussão da morte do mentor dos ataques de 11 de setembro de 2001 será exaustivamente discutida pela sociedade e pela mídia. Mas e para a bilionária indústria de games, qual será o reflexo deste acontecimento nos jogos eletrônicos, especificamente nos games de tiro em primeira pessoa, os chamados FPS. Será que teremos algum jogo onde a prioridade seja assassinar Bin Laden?

FPSs ganharam fama na década de 90, quando o mundo conheceu Doom, Duke Nukem e Wolfestein 3D, verdadeiros clássicos lembrados e jogados até hoje. A simulação do ponto de vista do jogador aumentava a sensação de imersão no ambiente e em cinco anos, os FPSs já estavam consolidados no mercado. Nesta época também foi lançado Counter Strike (CS), três anos antes do 11 de setembro de 2001. Com CS começou a onda de jogar do lado oposto da lei deu fama para CS, já que se tratava de confrontos entre policiais e terroristas. Esta opção de jogar no outro lado foi essencial para sua popularização – e o fato de não abusar dos requisitos mínimos para rodar no computador, CS ainda hoje é um dos shooters mais jogados, especialmente no Brasil.

Antes do atentado, os jogos de tiros se limitavam praticamente a duas categorias: temáticas alienígenas e segunda guerra mundial. “HALO”, “Half Life”, “Medal of Honor”, “Quake” e outros títulos surgiram neste cenário. Apenas “Goldeneye 007” para N64, que foi baseado no filme, conseguia bater de frente – e para muitos, era superior – com as franquias já citadas. Não somente os games, mas o mundo inteiro mudou depois que as duas torres do World Trade Center desabaram na fatídica data. Sobrou até para o inofensivo Microsoft Flight Simulator, usado pelos terroristas para treinarem o ataque. Semanas depois, os EUA invadiram o Afeganistão atrás de Bin Laden, uma guerra que abalou os cofres e a opinião pública norte-americana. Dois anos depois começou o envio de tropas americanas ao Iraque. O ditador Saddam Hussain foi deposto do poder e executado em dezembro de 2006, quatro anos depois, a intervenção no país foi oficialmente encerrada pelo atual presidente, Barack Obama. Acontece que o bicho pegou no Oriente Médio durante a década, e com a ajuda dos ianques.

Nos games, a mudança de rumo até demorou e veio em 2007, com Call of Duty 4: Modern Warfare (MW). O jogo tinha, entre outros cenários, o oriente. A trama é atual: grupos especiais do exército americano caçam terroristas ao redor do mundo. O ritmo e o visual cinematográfico aliado a jogabilidade inovadora também ajudou MW a se tornar um divisor de águas nos FPS. Dois anos depois, Call of Duty: Modern Warfare 2 (MW2) seguiria o mesmo caminhos pelos campos de guerra contemporâneos, porém com mais polêmica. Na fase denominada No Russian, você joga como um integrante do grupo terrorista, que executa um massacre em um aeroporto da Rússia. Por conter material considerando ofensivo e bastante violento, a fase pode ser pulada sem interferir na trama. Outro fator interessante de MW2 é que, na trama do jogo, a guerra chega ao solo norte-americano, inclusive em Washington, personificando um dos maiores medos da nação.

Apenas o sucessor da franquia conseguiu bater os números de MW2. Call of Duty: Black Ops chegou ao mercado em 2010 e foi o jogo mais vendido da história na estréia – aproximadamente 5,6 milhões de cópias, recorde absoluto da história do entretenimento. Logo no começo, mais polêmica. A primeira missão é assassinar o ditador cubano Fidel Castro, o que gerou até declarações oficiais do governo cubano em repúdio ao jogo.

Em 2010, a série Medal of Honor, que se restringia à segunda guerra mundial, também migrou para a guerra moderna, com título homônimo e o patrocínio das forças armadas norte-americanas na produção. Na primeira versão, o jogo traria a opção de jogar como um taliban, já que a história se passa no Afeganistão. Nem todo mundo aprovou: o exército achou ofensivo e até perigoso, e as forças taliban foram limadas da edição final. O uso de games nos treinamentos militares, aliás, não é segredo. Entre vários benefícios, jogos de ação aumentam a velocidade de raciocínio, conforme estudo da Universidade de Rochester, nos EUA, realizado em setembro de 2010.

A arte imita a vida. Fato disto é que os acontecimentos verídicos não ficam longe dos games. Guerras são uma das principais fontes para games de ação, principalmente para os first person shooters. Se os recentes acontecimentos na Líbia e no Egito também são candidatos a ganharem edições nos consoles, a morte de Bin Laden vai alterar muitas obras em andamento. Um exemplo bem próximo está acontecendo no cinema: Katherine Bigelow, oscarizada diretora de “Guerra ao Terror”, anunciou uma mudança de rumo no seu próximo filme, que reconta a caçada ao ícone máximo da Al-Qaeda. Alguém duvida que o próximo Call of Duty também sofra alterações por causa depois do primeiro de maio de 2011? Ainda há muita história para ser jogada… A caçada continua.

Confira vídeos da guerra moderna de Call of Duty:

httpv://www.youtube.com/watch?v=LhuIjNSg7Gg

httpv://www.youtube.com/watch?v=6ZUmTdeaoiQ

httpv://www.youtube.com/watch?v=nktHYU6IMpo

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