A Resistência do Rock: A cena musical que desafia o tempo

Os amantes do rock celebram, nesta quinta-feira (13/07), uma data muito especial: o Dia Mundial do Rock. A popularidade do rock é tão grande que, mesmo quem não se identifica com o estilo, deve conhecer ou, ao menos, já ter ouvido alguma música do gênero.

O amor pelo rock tem dimensões continentais, mas não é preciso viajar para fora de Passo Fundo para curtir o som. A cidade mantém viva esta cultura em vários bares, narrando a história, criando misturas e apresentando, em pleno 2023, novas bandas.

Um desses lugares que representa a cena rock aqui de Passo Fundo é o Maroca Bar, que é comandado por André Maroca. Lá já foram apresentadas centenas de bandas de rock, tanto da cidade quanto da região. Uma das bandas que compõe e representa a cena rock local é a Guela Baxo, composta pelos músicos Juliano Caregnatto, Gustavo Severo e Vinicius Feldmann.

Confira na reportagem:

Como nasceu o dia Mundial do Rock

Se é verdade que “Deus é brasileiro”, porque o Rock não seria? E pra provar que este é um gênero tupiniquim, somos o único país do mundo a comemorar o Dia Mundial do Rock.  Em outros países, o gênero sequer tem um dia no calendário ou é celebrado em outros períodos do ano.

Mas desde quando essa data é comemorada por aqui? Em 13 de julho de 1985 foi realizado o Live Aid, um megaevento beneficente organizado por Bob Geldof, com o objetivo de arrecadar fundos a fim de acabar com a fome na Etiópia. O evento reuniu grandes nomes do gênero como Elvis Costello, Sting, Phil Collins, U2, Dire Straits, Queen, David Bowie, The Who, Elton John e muitos outros artistas, e aconteceu simultaneamente no Wembley Stadium, em Londres (Inglaterra), no John F. Kennedy Stadium, na Filadélfia (Estados Unidos), e em outras cidades pelo mundo.

Os shows tiveram muito sucesso e, para se ter uma ideia, a transmissão ao vivo pela rede de TV BBC chegou a 1,5 bilhão de pessoas. Um dos shows mais marcantes foi do Queen, que performou várias músicas, entre elas Radio Gaga, Bohemian Rhapsody e a inesquecível Love Of My Life.

Mas o motivo da nossa celebração foi iniciativa do músico Phil Collins. No show, ele teria expressado o desejo de tornar, dali em diante, o dia 13 de julho o Dia Mundial do Rock. Mas acontece que o pedido só foi atendido no Brasil.

Uma curiosidade é que ele foi a única pessoa que participou do evento em dois continentes, tocando primeiro em Londres e, logo em seguida, embarcou em um concorde rumo à Filadélfia.

No Brasil o Dia do Rock surgiu em 1990, com a iniciativa de duas grandes rádios rock paulistanas, 89 FM e 97 FM. O gênero estava em efervescência no país, então logo as rádios de todo o país adotaram a ideia, e a data foi ganhando popularidade.

Rock, Contracultura e Contestação

No Brasil a contracultura também teve seus representantes. O professor do curso de Música do Instituto de Humanidades, Ciências, Educação e Criatividade da UPF, Dr. Alexandre Saggiorato, tem dois livros publicados onde fala sobre o rock e a contracultura no Brasil nos anos 1960 e 1970, explica o que foi esse período no Brasil.

Acompanhe no vídeo  a seguir:

O Rock surgiu nos anos 1940 nos Estados Unidos e foi fortemente influenciado pelo Blues, Jazz e até mesmo pela música clássica. E por se tratar de uma combinação de ritmos, é considerado um gênero contracultural, onde não há barreiras.

Nos anos 1960, o mundo estava em efervescência devido a revolução contracultural que se estabelecia no mundo: o manifesto contra os costumes vigentes das sociedades tradicionais. O movimento surgido nos Estados Unidos deu voz a contestação social e a quebra de paradigmas. O underground ganhou sua notoriedade, movimento este que mobilizou jovens de todo o mundo e que transformou definitivamente as sociedades contemporâneas no modo de abordar pautas de interesse público. Foi o grito dos excluídos contra os métodos e regras da sociedade conservadora.

O movimento contracultural da década de 1960 representou uma revolução comportamental nas sociedades ocidentais. Desse movimento surgiram importantes manifestações artísticas, como o rock, os movimentos hippie e punk, bem como a internacionalização do movimento estudantil, que culminou em manifestações concomitantes em diversos países em maio de 1968.

Dessa forma, a juventude emergiu como grupo consumidor, como classe estudantil e como modelo valorizado da cultura de massas. Essa juventude não havia vivido os conflitos que a geração de seus pais havia experienciado, como a depressão econômica e os horrores  da guerra. Logo não compreendiam como seus pais estavam tão satisfeitos com um emprego fixo, férias remuneradas e aposentadoria.

A contracultura teve seu início em um conflito geracional entre essa juventude, que não aceitava a apatia de seus pais em relação à Guerra do Vietnã, e seus pais, que aceitavam o capitalismo de uma forma benéfica.

A rebeldia e o inconformismo cresceram, e eram expostas a partir do corpo, na forma de se vestir, falar, comportar-se e ocasionou mudanças comportamentais em escala global.

Trouxe também grandes contribuições artísticas para o mundo. Na música, destacaram-se o rock e músicos ligados ao movimento, como Jimi Hendrix, Janis Joplin e Beatles. No cinema, destacam-se os filmes de Stanley Kubrick; nas artes plásticas, pinturas pop art; na literatura, o movimento beat.

Cena Rock atualmente

Com a popularização de outros gêneros musicais, desde os anos 2000 o rock foi perdendo sua força. O que uma vez era contestação, hoje é um produto da indústria cultural. A inquietude ainda permanece no rock atual, mas novas características foram introduzidas. A realidade é que existem cada vez menos espaços para o Rock e isso se dá por diversos fatores. Os músicos André Maroca, Gustavo Severo, Vinicius Feldmann e Juliano Caregnatto comentam sobre a “cena” rock de Passo Fundo.

O consumo de música mudou muito ao longo das últimas décadas. O que uma vez era muito difícil conseguir descobrir uma banda nova, e o trabalho que essa banda tinha para conseguir gravar e lançar um disco, hoje não existe mais. Com a popularização do streaming, a descoberta de bandas novas se tornou mais fácil. E para gravar um disco, o trabalho já é mais simples.

Guela Baxo comenta que é mais fácil gravar um dico hoje do que há alguns anos atrás.

Uma das formas para a cena acontecer é apoiar as bandas locais. Muitas vezes a ajuda na divulgação é algo que apoia bastante e não tem custo para ninguém. Conforme o vocalista, Juliano Caregnatto, a ida nos shows é a realização máxima, pois é onde as pessoas vão realmente conhecer a banda. “Ajuda a banda e ajuda o bar”, complementa André Maroca. “No show é onde realmente as pessoas vão conhecer a banda, que vai rolar a química, ouvir o som ao vivo, é ali que a banda vai passar a energia e o público vai retornar se curtiu ou não”, ressalta Juliano.

O baixista, Gustavo Severo completa o que é o apoio a outras bandas locais.

Banda Guela Baxo comenta que o apoio as bandas de rock é fundamental para o gênero resistir.

O Rock é muito mais que um gênero musical. Hoje ele é um estilo de vida. Pode ser músico ou um fã, quem ama, ama de verdade. Desde sua criação o gênero mudo muito, e a forma de consumo também mudou ao longo das décadas. O que uma vez era difícil, hoje é fácil. O que não muda é o amor e a dedicação das pessoas em não deixar o rock morrer.

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