A força das mulheres na Agricultura Familiar

Dos 230 expositores do Pavilhão da Agricultura Familiar na Expodireto Cotrijal, 42 empreendimentos são comandados por jovens mulheres.

40 jovens mulheres conduzem agroindústrias presentes na feira. Giulia Negrello, ao lado da mãe Márcia Raimundi, conduz a agroindústria Negrello. Foto: Alexandre Marcheze

Reportagem por Alexandre Marcheze

Neste ano, o pavilhão da Agricultura Familiar foi um dos grandes destaques na 23º Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. Foram comercializados R$2,5 milhões em produtos, mais do que em qualquer outra edição do evento. O número alcançado na atual edição representa um crescimento de 53% em relação ao ano passado, quando as vendas chegaram a R$1,7 milhão. Com um recorde no número de expositores, sendo 230 no total. Este número ainda revela outro dado importante dentro do espaço que inclui agroindústrias e artesanato. Dos empreendimentos presentes na 23º edição, 107 são liderados apenas por mulheres, sendo mais de 40 por jovens agricultoras.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  das mais de cinco milhões de propriedades rurais no Brasil, aproximadamente um milhão são comandadas por mulheres, o que significa cerca de 19%. Um espaço que anda em crescimento nos últimos anos no país. 

Natânia Loesch, secretária de meio-ambiente de Coqueiros do Sul expõe pela sexta vez na Expodireto Cotrijal. Foto: Alexandre Marcheze

A Secretária de Meio Ambiente de Coqueiros do Sul, Natânia Loesch, que participou como expositora pela sexta vez, destacou a importância da feira no período pós pandemia e a visibilidade trazida pelo evento às mulheres e aos pequenos agricultores: “Desde a pandemia, este é o ano de maior movimento e para nós da agricultura familiar a feira abre portas para diversos negócios e lugares”.

Dentro do pavilhão da Agricultura Familiar, 132 municípios gaúchos foram representados, sendo 42 empreendimentos liderados por jovens mulheres. Esse é o caso de Giulia Negrello, de 18 anos, que participou pela primeira vez da Expodireto. Giulia destaca a importância da mulher na agroindústria:

Acho muito importante, dentro do espaço que eu ocupo, na agricultura familiar, são pessoas que me acolhem, e que não fazem essa diferenciação entre a questão masculina e feminina. As mulheres são tratadas de igual para igual em todas as feiras que eu participo”, afirmou a Giulia.

Giulia Negrello, 18 anos, desta a importância da valorização das mulheres nas feiras de agronegócio. Foto: Alexandre Marcheze

Essa representatividade também é sentida por quem visita a feira. Para a jovem Alice Bernieri, natural de Sertão, que visitou pela primeira vez a Expodireto, é gratificante ver mulheres dominando o agronegócio:

É bem importante ter mulheres no agronegócio. Isso antigamente era mais para homens. Então eu gosto muito de ver as mulheres trabalhando agora no agronegócio e sendo valorizadas por isso“, destaca a jovem.

Quanto maior a representatividade maior a confiança. Para Vanessa Vieira, de 23 anos, natural de Caiçara, a presença de mulheres da sua idade no Pavilhão desperta a confiança nos negócios: “A feira atrai muitas expectativas, é muito confiante ver mais mulheres do que homens, e a tecnologia favorece muito”.

Vanessa Vieira, 23 anos é auxiliar de produção da agroindústria de laticinios Marlac, de Caiçara. Foto: Alexandre Marcheze

Para muitas dessas mulheres o pensamento é o mesmo. Estar presente no meio do agronegócio não é só apenas uma conquista dos seus empreendimentos, mas sim de todas elas. O sonho de ter seu empreendimento em uma das maiores feiras do país mostra a evolução de um espaço tão dominado por homens como o agronegócio. Porém, com muitos desafios ainda, a ampliação da presença das mulheres nesta edição da Expodireto Cotrijal reflete o futuro e as possibilidades que a feira pode abrir para as pequenas produtoras.

O pavilhão da Agricultura Familiar encerrou a feira com R$2,5 milhões em lucro, o maior de qualquer outra edição do evento. Foto: Alexandre Marcheze
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