Coleção de Memórias

Exposição de bonecas resgata a história dos últimos 30 anos do Festival de Folclore de Passo Fundo

Por Estefane Worst


O Festival de Folclore de Passo Fundo é realizado desde o ano de 1992 de forma bianual. Porém, a XV edição em 2022 trouxe diversas mudanças, como a expansão do festival para os bairros com desfiles e apresentações em escolas do município e participação de grupos étnicos, além dos tradicionais grupos folclóricos. A edição deste ano também cumpriu com o objetivo de resgatar a história dos festivais, com a exposição 30 Anos Memórias do Festival.

A exposição resgata a história do festival de folclore através de um acervo repleto de itens que contam a trajetória do evento. Nesse acervo estão presentes mais de 250 bonecas que representam os grupos que já participaram do festival. Na última sexta feira, dia 5 de agosto,  foi realizada a abertura na Galeria Estação da Arte, onde a exposição fica até o dia 4 de setembro. Antes disso, a  exposição já estava acontecendo no Shopping Bella Città.

Abertura das exposições (Fotos: Nexjor IHCEC UPF/Fabiana Beltrami)

Segundo a artista plástica e professora, Mariane Loch, organizadora da exposição,  as bonecas tem origem numa tradição que surgiu logo nas primeiras edições do evento, quando os grupos começaram a trazer uma boneca para entregar aqueles que os estavam acolhendo. Duas senhoras, voluntárias do festival, recebiam essas bonecas e, ao mesmo tempo, confeccionavam bonecas de um casal gaúcho para entregar aos grupos participantes. Uma dessas senhoras, Orfelina de Melo, começou a guardar as bonecas dos participantes em sua casa, o que fez ela sugerir que este acervo do festival fossem para algum museu. Sendo assim, as bonecas que originalmente ficavam na sala da casa de Dona Orfelina foram para o Teatro Municipal Múcio de Castro. Depois, no ano de 2009, foram divididas entre o acervo do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS) e do Museu Histórico Regional (MHR). Antes de terem a sua própria exposição, elas eram exibidas em vitrines durante as edições do festival.

Algumas das bonecas em exposição que representam seus respectivos países.

Muitas das bonecas estão vestindo o mesmo figurino que os participantes usaram quando participaram do festival, mas algumas das bonecas do acervo foram produzidas pelo antigo Tecnólogo em Confecção Têxtil da Universidade de Passo Fundo. Na época também ocorreu um concurso entre os alunos do curso com o objetivo de escolher duas bonecas para compor o acervo representando o Rio Grande do Sul. Tanto as bonecas presenteadas pelos grupos como as produzidas pelos alunos da UPF foram entregues aos museus no mesmo momento.

Além das bonecas, o acervo conta com todos os cartazes das edições anteriores. Nas primeiras edições do evento, os cartazes eram uma das formas de divulgação e eram espalhados pela cidade. Hoje os cartazes não são mais impressos, mas também têm um papel na divulgação, agora nas redes sociais. Patricia Vivian, funcionária responsável do MHR e do MAVRS , e que auxiliou na montagem da exposição, explica que os primeiros cartazes traziam uma maior variação de design, mas através dos anos a imagem da Cuia  presente na Praça Marechal Floriano e da  Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida se estabelecerem como elementos representativos e fixos do festival. 

Cartazes das edições (Fotos: divulgação)

Também se encontram na exposição duas fotografias de cada edição que foram escolhidas dentre as mais de duas mil presentes no acervo de imagens. As fotos retratam grupos que participaram e, também grupos que foram cotados mas não vieram participar do festival, além de fotos das apresentações de fotógrafos da cidade. Trajes típicos e objetos deixados pelos grupos também fazem parte do acervo, mas não foram utilizados na exposição da Galeria Estação da Arte, junto à Gare Gastronômica,  mas alguns exemplares estão expostos no Bella Città. Os arquivos e documentos de todas as edições também estão presentes no acervo, que vão desde relatórios de gastos, realizados pela comissão do festival, até recortes de jornal das aparições do festival na imprensa. 

Edições anteriores (Fotos: Divulgação)

A exposição foi montada pela professora e artista plástica Mariane Loch Sbeghen, da Original Espaço Cultural. Ela já participou do festival diversas vezes, quando recebia os grupos folclóricos na UPF e montava exposições dentro do espaço universitário. Durante a nossa conversa, ela ressaltou a importância dos voluntários. “ Sempre tem que se dar o valor aos voluntários, eles que fazem o festival”.

Montagem da exposição (Fotos: Nexjor IHCEC UPF/Estefane Worst)

A abertura da exposição foi realizada com a presença da secretária de Cultura, Miriê Tedesco que falou um pouco sobre como o festival surgiu após um grupo passo-fundense ter recebido na Itália, o convite para participar de festivais internacionais de folclore nos anos 90. Segundo ela, o Festival de Folclore de Passo Fundo surgiu da ideia desse grupo de proporcionar aquela oportunidade que eles estavam vivendo, aqui em Passo Fundo, trazendo a cultura mundial para cá.

Montagem da exposição (Fotos: Nexjor IHCEC UPF/Estefane Worst)
Rolar para cima