O veneno que pode curar

soros-antiofidicos-venenos-487
As serpentes depositam o veneno através de duas presas

Serpentes são animais perigosos e que devem viver livremente na natureza. Seu instinto predador faz com que o equilíbrio natural se mantenha, pois se alimenta de ratos e outros animais que se reproduzem rapidamente. Pode-se dizer que esses animais são ora presas, ora predadoras, pois são a caça de animais como os falcões. Desse modo, são parte fundamental de um ecossistema equilibrado, pois a falta de serpentes em um ambiente favorece a superpopulação de outros animais.

Apesar de tamanha importância, as cobras são vistas como inimigos pela população em geral. A invasão desses animais nas cidades, pois muitas vezes seu habitat natural é destruído, gera a constante morte desses repteis. A ameaça porém, pode passar sem causar danos as pessoas, desde que deixadas livres e não virando alvo de humanos.

Ao mesmo tempo em que o veneno de uma cobra pode ser fatal, também pode servir de matéria na produção de diversos medicamentos que beneficiam a saúde do homem. O campo da farmacologia busca sempre novos compostos com sirvam para a fabricação de remédios. Estes compostos são abundantemente encontrados na natureza, seja com plantas, flores e até mesmo o veneno das cobras.

O veneno bruto das cobras a anos é estudado por profissionais como farmacêuticos e médicos, que procuram os potenciais farmacológicos no composto. Desde a análise do veneno puro até a purificação, o veneno pode ser a chave para bactérias resistentes.

3893b
O soro antiofídico é o único medicamento comprovadamente eficaz contra o veneno

O remédio Captopril, usado por pacientes que sofrem com hipertensão, usa um composto isolado da jararaca, cobra encontrada ao longo de todo o território da América Latina. Já a naja produz um veneno paralisante que também serve como matéria na produção de medicamentos.

A professora do curso de Farmácia da UPF, Luciana Graziotin Rossato, faz uma citação que esclarece bem esse assunto “a diferença entre o remédio e o veneno está na dose”. Ela também explica que a toxinologia busca explorar as aplicações nas propriedades de toxinas naturais, como o veneno de animais peçonhentos.

Luciana faz parte de uma pesquisa que estuda a atividade microbiana do veneno da jararaca. “Sabemos que o veneno da jararaca é toxico, tanto que provoca intoxicações fatais, e se é toxico, possui um efeito biológico”, conta a professora. Luciana se empenha em encontrar através do veneno, métodos de criar medicamentos que possam combater bactérias que muitas vezes resistem aos remédios convencionais.

Vale lembrar que o soro antiofídico é a única solução eficaz no combate ao veneno. Se uma pessoa for picada por uma cobra, recomenda-se que não corte o local, para que não aconteça uma infecção. Para a produção do soro, o veneno da serpente é introduzido no organismo de um cavalo, que em contato com o veneno gera anticorpos. Esses anticorpos, depois de retirados do cavalo, formam o soro. Porém algumas mortes podem acontecer devido ao uso incorreto ou tardio do soro.

Além de medicamentos, vários outros produtos podem ser feitos através do veneno. Cremes anti-idade e medicamentos para a pressão alta durante a gravidez também podem utilizar o veneno.

Rolar para cima