20 anos sem Ayrton Senna

Senna

“Quando penso que cheguei num ponto que realmente é o ideal, logo descubro que dá para superá-lo.” O ano de 2014 é marcado por 2 décadas sem o maior piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna.

Durante a infância, o imaginário infantil é responsável pela invenção de muitos heróis e ídolos. São pessoas sobrenaturais, com direito a superpoderes e que enfrentam as mais diversas situações para salvar o mundo, mas no final sempre acaba tudo bem. Essa é uma importante característica, pois não importa o que aconteça, no fim do dia nosso super-herói sempre estaria são e salvo. A partir dos anos 80, este ídolo costumeiro em quadrinhos se tornou real e independente da idade ou nacionalidade, todos acreditavam e vibravam com os feitos de um brasileiro. Ayrton Senna, em pouco mais de dez anos voou em um carro de Fórmula 1, foi obstinado, responsável por diversos recordes e ultrapassagens que somente um super-herói seria capaz. Mas ao final de um dia cinza, em 1º de maio de 1994, uma missão falhou.

Mas como um digno super-herói, a história deste piloto de Fórmula 1 não acabou com o tempo e 20 anos depois de sua morte ele continua ganhando novos seguidores. Responsável por 41 vitórias, 65 pole-positions, surpreendentes 19 voltas mais rápidas e três títulos mundiais, Senna mostrava a cada corrida que não estava ali de passagem e que o comum não era o suficiente para ele. “Quero fazer algo especial. Todo ano alguém ganha o título. Eu quero ir além disso”, dizia com toda garra que deixou seu nome e seus feitos gravados na história do automobilismo.

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Ayrton Senna
O amor pela bandeira sempre era demonstrado por Ayrton em suas corridas.

Foco, obstinação, autoconfiança, agressividade, frieza e a constante necessidade de vencer o acompanhavam dentro dos circuitos de Fórmula 1, e como era seu desejo: “Se depender de mim, vocês, jornalistas, irão esgotar os adjetivos do dicionário”. Os adjetivos se esgotaram. Com esse espírito, era comum que famílias acordassem nas madrugadas de F1 para acompanhar qual seria a novidade de Ayrton Senna e ver o Brasil exaltado, no lugar mais alto do pódio. Para o locutor e fã, Luiz Carlos Carvalho, o patriotismo de Senna foi responsável pela conquista de muitos fãs. Carvalho lembra que, durante o período em que Senna correu em um F1, a seleção brasileira de futebol não passava por um bom momento e quem dava uma nova esperança ao esporte e ao povo brasileiro era o piloto. Ayrton sempre impunha a bandeira nacional quando vencia um Grande Prêmio, era também uma forma de demonstrar a saudade que sentia do país, já que há muito tempo morava no exterior.

É característica dos heróis terem arqui-inimigos, e no caso de Ayrton Senna eram seus adversários de F1. Senna dizia que “a Fórmula-1 é um tempo perdido se não for para vencer” já que é normal para qualquer piloto sempre querer estar na frente de seus adversários. Alan Prost foi um dos grandes pilotos da época e por um tempo colega de equipe de Senna, com quem teve uma rivalidade que chamava a atenção. O repórter esportivo Kleiton Vasconcellos comenta que um acordo quebrado por Senna que envolvia a chamada reta-curva Tamburello – local do acidente faltal – é que dificultou a relação dos dois. Mas isso era, provavelmente, estritamente profissional. “Eu não duvido que, quando os dois parassem de correr, eles não fossem se telefonar e marcar um churrasco na casa um do outro”, comenta Vasconcellos.

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O jeito e os feitos de Senna o levaram ao lugar mais alto do pódio por diversas vezes e fizeram com que muita gente aclamasse o piloto brasileiro. Não só para quem viu o em tempo real como o piloto de Stock Car Cláudio Ricci, ou para quem o conheceu através do seu legado, como o estudante Matheus Reimers, Ayrton Senna é considerado um ídolo e ícone de persistência e profissionalismo.

Seja em suas ultrapassagens como no GP da Europa de 1993, quando na primeira volta pulou da 5ª colocação para liderar e vencer a prova, ou como no GP do Japão em 1988, onde seu carro não saiu do grid de largada e pulou da 14º colocação para a vitória, consagrando-se Campeão Mundial. Seja também por suas características, que fazem faltar adjetivos aos jornalistas, Ayrton Senna virou uma lenda. E não importa o tempo que passar, ele sempre será lembrado.

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