No dia 1º de abril de 2014 marca 50 anos de um dos períodos mais nebulosos da história brasileira: o golpe militar de 64. A democracia, a plena liberdade de expressão e outros direitos sonegados pelos militares para a população só voltariam décadas depois.
“Falar sobre flores pode não ser
o melhor, mas é o mais seguro.”
Como escreveu o jornalista passo-fundense Argeu Santarém, a década de 1960 foi um período de intensa repressão no Brasil. Em 2014 completam-se 50 anos do Golpe Militar, um dos períodos mais nebulosos da história do país, marcado pela censura de imprensa, prisões e torturas. Cinquenta anos que muitos gostariam, mas que não devemos esquecer.
Para chegar o ponto de intervenção militar, o governo brasileiro sofreu muitas mudanças. O movimento de queda do poder de João Goulart foi o marco inicial da ditadura no Brasil e fez com que o país passasse pelos chamados “Anos de Chumbo”.
Fomos do plebiscito à favor do presidencialismo, em janeiro de 1963, ao Comício de Jango na Central do Brasil – em 13 de março de 1964. Contra as reformas de base, chegamos à “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, movimento que culminou no golpe de 31 de março, e nove dias depois, na imposição do Ato Institucional número 1. A nação, em poder dos militares, viu em 1967 uma nova Constituição, que centralizou ainda mais o poder e em 13 de dezembro de 1968, a instituição do Ato Institucional número 5, que deixou claro que o regime militar não pretendia dar espaço para qualquer tipo de democracia.


Até o ano de 1961, o Brasil tinha como chefe de estado o político Jânio Quadros e, após sua renúncia, em 25 de agosto, assume a presidência da república – respeitando a Constituição de 46 – seu vice-presidente, o gaúcho João Goulart. Jango, como era chamado, recebia críticas dos setores mais conservadores da sociedade que temiam sua aproximação com o Comunismo. Dessa maneira, ele só passou a governar o país em 1963, quando foi instituído o Regime Presidencialista.
Com o poder definitivo em suas mãos, João Goulart não hesitou em usar da sua forte liderança entre os trabalhadores urbanos para convocar manifestações e passeatas, quando tentou implementar reformas de base e enfrentou séria oposição do Congresso e, principalmente, dos militares. Teve início, então, um movimento para derrubar o presidente da república.
No dia 31 de março de 1964, forças do exército comandadas por Carlos Luiz Guedes e Mourão Filho localizadas em Minas Gerais começaram a se deslocar para o Rio de Janeiro, com o objetivo de depor o Presidente João Goulart por meio de um golpe de Estado – ao mesmo tempo o governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, comandava uma ferrenha defesa do Palácio da Guanabara contra uma possível intervenção militar sob ordens de Jango, na época instalado no Palácio das Laranjeiras, no mesmo bairro do Rio de Janeiro. Com o movimento das tropas mineiras e a oposição de Lacerda, imediatamente chefes militares de todo país colocaram suas tropas de prontidão em apoio aos golpistas dos generais Guedes e Mourão. Isolado e sem apoio, Jango não opôs resistência e fugiu do Rio de Janeiro, se autoexilando no Uruguai. Com a promessa de uma nova república democrática, o Brasil entrava, sem saber, nos 21 anos mais obscuros de sua história recente.
OS PRESIDENTES DO BRASIL ATÉ O GOLPE DE 64

Foi por meio de um Golpe Militar que o Brasil entrou em seu período mais turbulento da história. Também foi por meio de um golpe militar que a nação passava a ser governada através do regime republicano. Até 1889, o Brasil era um a Monarquia governada por Dom Pedro I e D. Pedro II, seu sucessor. Após essa data, Marechal Deodoro da Fonseca tornava-se o primeiro chefe de estado do Brasil, acompanhado de seu vice, Floriano Peixoto.
Até então, 36 presidentes já passaram pela presidência da República, desde a Proclamação em 15 de novembro de 1889. Duas juntas militares provisórias já detiveram o poder da nação, o que faz com que poucos governos possam ser considerados plenamente democráticos. Abaixo, uma linha cronológica com cada presidente, e seus principais atos, até a data do golpe.
Abaixo, um infográfico com os principais acontecimentos que sucederam o golpe, no Rio de Janeiro. A movimentação dos golpistas iniciou no dia 31 de março, culminando com a tomada do poder no dia 1º de abril.

