Como você definiria aventura? A palavra pode ser usada em vários contextos – aventuras amorosas, esportes radicais, encarar desafios, embarcar no novo, no desconhecido. Segundo o dicionário Aurélio, a palavra significa um acontecimento imprevisto, surpreendente. Um empreendimento ousado, acaso, sorte, peripécia. Já para a entrevistada dessa matéria – mais uma da série Intercâmbio – Eleonora Peruch, aventura é embarcar em um país de língua totalmente desconhecida, com uma nova família e sem saber o que a esperava.
[stextbox id=”custom” caption=”Confira o que já rolou por aqui:” float=”true” align=”right” width=”300″]
Na terra de los hermanos argentinos
De Gutenberg a Einstein: Alemanha é terra de pensadores e de muita história
[/stextbox]
Eleonora nasceu e sempre morou na Itália em uma pequena cidade do norte do país, perto de Veneza, chamada Valvasone. Ela é uma daquelas pessoas corajosas que não têm medo de embarcar no desconhecido – um dos contextos citados acima para definir aventura. O que Eleonora conhecia do Brasil? Terra de futebol, carnaval e samba. Depois de completar seis meses de intercâmbio, ela define o nosso país como acolhedor e terra de gente alegre e “aberta”, como ela disse. A estudante está no Brasil pela organização internacional AFS e permanece em Passo Fundo, cidade em que mora com a família hospedeira voluntária, até julho de 2014.
Diferente das histórias que conhecemos aqui no blog, Eleonora não é universitária. Ela está no ensino médio e diz que a principal diferença da Itália e do Brasil, é justamente a educação. “No Brasil, a educação não é valorizada. É muito precária.” disse a estudante, e ainda acrescentou: “Na Itália é o contrário: escolas públicas são melhores. Quem não quer estudar, paga.” Eleonora estuda em uma escola pública de Passo Fundo, mas pretende estudar em uma escola privada durante o ano que vem.

Não é somente para estudar que Eleonora Peruch está no Brasil. “Cheguei aqui com vontade de experimentar tudo o que o Brasil oferece, conhecer a cultura e praticar atividades que me envolvam.” conta a italiana. Ela faz aula de dança, ajuda no curso de italiano da UPF Idiomas e participa do Grupo Escoteiro Cariris. “O escotismo é uma atividade que faço na Itália e por isso quis conhecer os costumes dos grupos daqui.” fala Eleonora, que já se adapta aos costumes brasileiros, como a comida. Por estar acostumada com o país das massas, a intercambista se assustou ao chegar no Brasil e comer arroz e feijão. “A primeira semana foi traumatizante. Na Itália comia arroz uma vez por semana e feijão só uma vez por mês.” ela conta e enfatiza que a alimentação é mais uma das principais diferenças entre o Brasil e a Itália.

O país em forma de bota e o Brasil, ainda tem diferenças: “A organização das cidades, o transporte público e a idade em que as pessoas começam a trabalhar são diferenças que eu noto” diz a italiana. Eleonora conta que os jovens terminam os estudos antes de ingressar no mercado de trabalho: “Na Itália é normal as pessoas começarem a trabalhar com 25 anos. Antes disso, só nos finais de semana ou a noite, já que as aulas obrigatoriamente são durante manhã e tarde” contou. Sobre a organização das cidades, a estudante diz que o Brasil está em desenvolvimento e ela percebe pelas ruas e pelas construções. Na Itália é comum ver cidades antigas, pedras e castelos e as ruas não são paralelas como aqui no país, porque são antigas e não foram planejadas. A última das principais diferenças é um dos motivos em que o povo brasileiro foi pra rua em junho deste ano: o transporte público. “Na Itália as pessoas compram um cartão para entrar no ônibus. Não tem ninguém que cobra, não tem catracas. O acesso é livre, só que as vezes tem fiscalização e quem não tem cartão, leva multa.” diz a estudante.
Entre o Brasil e a Itália, não são apenas diferenças. Segundo Eleonora, o custo de vida é parecido e as estações do ano também são bem definidas, assim como no Brasil. As pessoas são acessíveis, outra semelhança.
Quer conhecer mais semelhanças e diferenças entre o país do futebol e o país das massas? Eleonora aconselha: visite a Itália!
