Nesta editoria estamos acostumados a entrevistar brasileiros que foram realizar intercâmbio no exterior, desta vez conversamos com duas espanholas que estão em Passo Fundo há quase três meses. Ana Márquez e Andreaa Gómez Puente têm 20 anos, são acadêmicas do curso de Jornalismo, ou melhor, Periodismo que cursavam da Universidade Carlos III de Madrid, na Espanha.
Entre se acostumar com o novo idioma, a diferença entre uma capital nacional, de mais de 3 milhões de habitantes para Passo Fundo com quase 200 mil e a diferença de fuso horário de 5 horas elas estão adorando o Rio Grande de Sul e pretendem viajar para grande parte do Brasil. Elas nos tiraram algumas dúvidas:
Por que vocês escolheram o Brasil?
Andreaa: Eu gostava de olhar a América Latina e como o Brasil é o único país que fala um idioma diferente do nosso, meus pais também não queriam que eu fosse para um país onde falassem espanhol também. Gosto da cultura brasileira.
Ana: Como Andreaa sempre quis visitar a América Latina, gostaria de aprender um idioma e conhecer a cultura brasileira. Além disso, no Brasil posso ficar um ano diferente dos outros destinos, que só poderia ficar um semestre.
Por que vocês escolheram o Brasil?
Por que Passo Fundo?
Andreaa: Quando vimos outra cultura dentro do próprio país, isso é totalmente diferente. E também aqui temos a oportunidade de viajar para o Rio e para São Paulo, se estivéssemos lá nunca saberíamos que o Brasil não é só isso.
Ana: Nós queríamos ir para outro lugar nossas opções foram Rio de Janeiro, São Paulo e Passo Fundo. Mas fizemos os cálculos e falamos com nosso orientador e viemos para cá. Gosto muito de Passo Fundo, porque não tem o estereótipo do Brasil, todos perguntam: Tem praia, tem samba, tem caipirinha? E eu digo: “Não, eu tenho mate e frio”. Mas gosto muito disso, porque tem outro turismo do Brasil.
Qual foi a primeira impressão que vocês tiveram do país?
Andreaa: Que nós iriamos morrer! Quando descemos em Porto Alegre, entramos no táxi nossa primeira impressão ao ver tantos carros, tanta loucura, sem respeito com os pedestres. Eu achava que Porto Alegre era uma cidade com mais infraestrutura, mais organizada.
Ana: Foi muita diferente do que achávamos. Quando pesquisei Passo Fundo na internet na Espanha, não encontrei muitas informações, somente sobre a universidade. Assim pensava que era uma cidade pequena, mas vi que é muito maior.
Qual foi a primeira impressão que vocês tiveram do país?
O que estão achando da cultura brasileira, a alimentação, a música?
Andreaa: Bom morava em Madri, uma capital. Lá as cidades são mais organizadas, o transporte público também. Estamos bem em Passo Fundo.
Ana: Como antes de Madri eu morava em Cáceres, uma cidade pequena, tenho a impressão de ter voltado a morar lá, com pessoas muito gentis que ajudam, isso é o principal. Na cultura, sinto que os brasileiros são muito mais gentis que os espanhóis, essa foi a primeira impressão.
O que estão achando da cultura brasileira, a alimentação, a música?
E as diferenças entre o curso na UPF e na Universidade Carlos III de Madrid?
Andreaa e Ana: Lá temos uma matéria que se divide em teórica e prática, mas lá a prática não é prática. São muitos alunos, é mais teoria aplicada a um grupo pequeno. Aqui é melhor, as matérias são mais divididas em teoria e prática, são menos alunos em sala, melhor de trabalhar e aprender. Até porque jornalismo é mais prática do que teoria. Aqui os equipamentos e a infraestrutura são melhores. Na Espanha é impensável trabalhar sem se formar, aqui já se pode praticar durante o curso. Lá não somos obrigados a participar das aulas.
E as diferenças entre o curso na UPF e na Universidade Carlos III de Madrid?
A diferença de fuso horário entre Passo Fundo e Madrid é de cinco horas. Como está sendo a adaptação?
Andreaa: Para falar com nossos pais é mais difícil, mas assim está sendo fácil se adaptar. Mas ainda não nos adaptamos ao horário brasileiro, comemos no nosso horário espanhol. Almoçamos pelas 14h, 15h jantamos 22h, mas isso não importa em que lugar do mundo vamos estar sempre será o mesmo. Eu não posso comer feijoada ao meio-dia, pois tomamos café nesse horário.
Ana: Na alimentação, no primeiro dia em que fomos no supermercado foi horrível, não sabíamos o que comprar. Frango, arroz e feijoada, muito churrasco. Sentimos falta de um lugar para comprar peixes frescos. Aqui tudo tem carne, até a salada. Mas gostamos muito de churrasco. Acho que a cultura gaúcha, não podemos dizer que é cultura brasileira. Vocês são gaúchos e não brasileiros hehe.
O que buscam principalmente com o intercâmbio?
Andreaa: A experiência pessoal, sobretudo, além do novo idioma.
Ana: Acho que o melhor de fazer um intercâmbio é conhecer muitas pessoas e com isso aprender muito mais. Através do convívio aprende-se mais sobre a mentalidade, informações novas, só o intercâmbio é capaz de oferecer isso.
O que buscam principalmente com o intercâmbio?
Andreaa e Ana já visitaram as Cataratas do Iguaçu e Cambará do Sul. Confira algumas fotos:
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