Revolução Farroupilha: 178 anos de história

Um governo desinteressado pelos problemas do sul do país, cobrando impostos altíssimos e dando preferência ao charque platino foram alguns dos motivos que levaram a Revolução Farroupilha. A guerra que durou 10 anos foi uma revolta do povo gaúcho, que clamava pelos seus direitos negados do Império do Brasil.

Na noite de 19 de setembro de 1835, a tropa farroupilha liderada pelo General Bento Gonçalves toma a cidade de Porto Alegre, até então sob o domínio imperial. Com a tomada, o presidente da Província foi obrigado a fugir para a cidade de Rio Grande, e nessa madrugada estoura a Revolução Farroupilha.

Quando em 11 de setembro de 1836 o General Antônio de Souza Netto proclama a República Rio Grandense, fazendo da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul terras totalmente desvinculadas do Brasil, a revolução passa a então ser uma guerra entre dois “países” diferentes.

Após 4 anos de combate, junta-se as tropas farroupilhas o italiano Giuseppe Garibaldi, que ficou conhecido como “herói de dois mundos” pelas lutas tanto no Brasil como na Europa. Giuseppe assumiu a marinha farroupilha e realizou a façanha de levar os lanchões Seival e Farroupilha por terra, puxados por centenas de bois até Tramandai, aonde serviriam na luta contra os Imperiais. Este episódio ficou conhecido como um dos mais engenhosos de toda a revolução.

A República Rio Grandense teve Piratini, Caçapava do Sul e Alegrete como capitais durante os 10 anos de batalha, além de um jornal oficial chamado “O povo” que levava a todos os gaúchos as principais notícias da guerra.

Para o professor Gustavo Torrez, formado em história pela UPF, a Revolução Farroupilha não foi uma guerra apenas de estancieiros e pessoas de posses da época. “O interesse inicial era por parte das elites, que iniciaram a organização do movimento, mas logo após todas as classes aderiram a causa atraídos pelas ideias de igualdade liberdade e humanidade”.

No tratado e paz que começava a ser negociado próximo a 1830, uma das exigências dos farroupilhas era a libertação de todos os escravos que participaram da guerra, que foi negada pelo Império e fez com que a Revolução durasse mais alguns anos. Após muita negociação, no dia 1º de março de 1845 o tratado de paz de “Ponche Verde” foi assinado por David Canabarro do lado dos farroupilhas e Duque de Caxias do lado imperial, fazendo com que as terras da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul voltassem a fazer parte do Império do Brasil.

Oficialmente, não houve nenhum vencedor nem vencido, pois ambas as tropas ficaram debilitadas no fim da guerra, muitos dos ideais farroupilhas não foram obtidos e cerca de 47 mil pessoas morreram na guerra. Mas dados não impedem os gaúchos de comemorar todos os anos a bravura de quem não ficou inerte a injustiça “houve uma grande vitória do povo gaúcho por poder mostrar ao restante do império que aqui existia um povo que lutou pelos seus ideais” ressalta o professor Gustavo.

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