Imagine se todos os documentos históricos, os primeiros jornais, mapas e documentos fossem todos colocados no lixo. Quanta perda não é? Pois, o Arquivo Histórico Regional guarda todas essas preciosidades. Talvez você pense que tudo isso não seja tão importante assim, mas é e como.
“É difícil dizer o que temos de mais precioso aqui, porque para cada um, cada documento, livro é mais importante para uns do que para outros” diz o professor e mestre em história Benhur Jungbeck, que há 15 anos trabalha no AHR. Tudo lá pode fazer a diferença para algum trabalho escolar ou acadêmico, TCC, mestrado, até mesmo encontrar provas para processos, registros. “Importante ou não depende do objeto de pesquisa”, afirma. Um caso interessante é de uma mulher que achava que seu marido havia morrido. Quando uma amiga disse que viu ele em um jornal meses atrás, ela foi até o Arquivo e encontrou. Acabou descobrindo que o marido estava vivo e irá processá-lo, conta Benhur.
Diante de tantas prateleiras, quantos arquivos existem no AHR? “Aqui o cálculo não é feito como nas bibliotecas contando por volume. Contamos por metros lineares, que hoje são mais de mil”, diz Benhur. Como existe também a doação de livros, o arquivo conta com uma biblioteca auxiliar de 5 mil livros. “O que é mais maravilhoso é que aqui encontram-se fontes primárias, materiais primários. Tudo o que foi feito primeiro sobre determinados assuntos”, diz a professora e mestre em História Sandra Barquete, que trabalha há 11 anos no AHR.
Entre as várias salas do AHR existe uma em especial, em que se encontram todo o acervo do ex-deputado federal e estadual, ex-prefeito de Passo Fundo e médico Nicolau Araújo Vergueiro. “Mas a família só aceitava doar todo o acervo se os móveis pudessem vir junto” conta Benhur.

“Todo material é bem-vindo, mas é necessário passar por uma triagem”, fala Benhur. Sobre os processos depois da doação: salvaguarda, a conservação, a restauração e a disponibilização para pesquisa. “A ideia é conservar para não precisar restaurar”, afirma.
Alguns dos materiais mais usados na hora de restaurar: cola CMC a base de água, papel japonês, pó- de- borracha, espojinhas, borrachas especiais, pincéis, pinças, espátulas, escovinhas, prensa, tesoura. Além da iluminação e temperatura adequadas são fundamentais para a conservação.
Cópias são proibidas, somente fotográficas para preservar os arquivos. O manuseio é realizado somente com luvas.
O documento mais antigo é de 1830, um documento do judiciário e o jornal mais antigo é de 1921.
O AHR que funciona há 29 anos, está aberto de segunda a sexta-feira das 8h às 11:30 e das 13:30 às 17:30. Está localizado na Rua Paissandu 1756, Centro, Passo Fundo. Mais informações e conteúdo você encontra no site: http://migre.me/g2y3A
Boa pesquisa!
- [stextbox id=”custom” caption=”O que você encontra no AHR”]
- Arquivo de Comunicação Social: jornais, revistas, informativos, almanaques, coletâneas de literatura, manuais de redação, obras impressas em fascículos, álbuns comemorativos, álbuns de sociedade, guias turísticos;
- Arquivos Públicos: discursos, portarias, acórdãos, livros de protocolo, correspondências. Arquivos da Prefeitura Municipal de Lagoa Vermelha, da Secretaria das Obras Públicas do RS; atas, correspondências, intimações, processos, alvarás, certidões e atestados referentes ao Juizado de Paz, a partir de 1834, e à Câmara Municipal de Passo Fundo;
- Arquivos Sociais: a documentação pertencente a sindicatos, a universidades, a sociedades, a fundações;
- Arquivos Judiciários: processos da Justiça do Trabalho de Passo Fundo e da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, das Comarcas de Passo Fundo e Soledade;
- Arquivos Privados:
- Acervo Mário Menegaz: conjunto documental do ex-prefeito municipal Mário Menegaz;
- Acervo Alfredo Custódio: maestro;
- Acervo Zeferino Demétrio Costi & Cia. Ltda: mapas, correspondências, diplomas, plantas e projetos com datas que vão do final da década de 1940 até a década de 1980;
- Acervo Nicolau Araújo Vergueiro: político passo-fundense.
Acompanhe um processo de restauração de um mapa:
