Vida de taxista

O ponto de táxi da praça Tochetto é bem conhecido da maioria dos passo-fundenses,  mas o que os moradores da cidade desconhecem são as histórias de quem trabalha por lá 

Em um local conhecido, no centro de Passo Fundo, mais precisamente na Praça Tochetto, trabalham dois taxistas. Em meio a tantos outros trabalhadores, suas histórias se diferem. Um não teve muitas opções de trabalho e por isso escolheu a profissão, já o outro deixou algumas de lado e decidiu trabalhar com táxi.

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Gilson Moraes Guida

Os 33 anos de experiência com corridas de táxi não escondem as histórias que já viveu. Gilson Moraes Guida, 57 anos, casado e pai de cinco filhos decidiu trabalhar dirigindo para estranhos por falta de opção. Os poucos anos de estudo não lhe renderam muitos frutos e Guida, senhor tímido, teve que se virar para conseguir um futuro melhor. “Com pouco estudo tudo se torna difícil e os bons empregos não aparecem”. O taxista comenta que a rotina de trabalho é, definitivamente, corrida. “Eu saio de casa oito horas da manhã, venho para cá e fico até às seis e meia da tarde”. Guida conta que em todo o tempo de trabalho já viveu muitas experiências. “Existem todos os tipos de passageiros, nessa profissão a gente vê de tudo”. Conhecer muitas pessoas também é inevitável na carreira escolhida e nem sempre elas são agradáveis. “Eu já conheci pessoas boas e ruins, já ajudei bêbados e passei por várias situações com pessoas que pedem táxi e depois dizem que não tem dinheiro para pagar”. Guida se orgulha em dizer que em 33 anos de profissão nunca foi assaltado, mas o medo o acompanha diariamente.

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Oralino Timótio da Costa

Quem também trabalha no ponto de táxi da praça Tochetto, mas tem uma história um pouco diferente é o senhor que fala pelos cotovelos. Oralino Timótio da Costa, 62 anos, é aposentado por alguns problemas de visão. Ele decidiu pegar o emprego de taxista para passar o tempo e, é claro, conversar e contar boas histórias a todos que passam pelo local. Hoje, Costa não dirige táxi, ele trabalha no comando dos taxistas e admite que quando trabalhava nas ruas da cidade já passou por situações perigosas. “Já tentaram me assaltar e de dia, não levaram nada, foi só o susto”. O taxista admite que teve oportunidades de estudar e não quis, mas sempre aconselhou os filhos a seguirem o estudo. Ele diz ainda que trabalhar com táxi pode ser uma aventura perigosa. “Agora estão matando trabalhadores por 100 reais, é um absurdo”.

Histórias de vida um pouco diferentes, mas que se cruzam todos os dias pela praça Tochetto. No dia a dia de profissão, eles não sabem quem vão encontrar e nem o que vão passar, mas tem a certeza de que seu trabalho é fundamental para a sociedade que, algumas vezes, os faz tão mal.

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