Viver do artesanato, viajar sem rumo, não ter rotina e horários, ser dono de si mesmo. Essas são algumas das coisas que fazem parte da vida de um maluco de BR
Que jovem não sonha em botar uma mochila nas costas e viajar pelo Brasil e pelo mundo? Os malucos de BR viajam para expor seus artesanatos e vivem além da expectativa da sociedade. São conhecidos como hippies – famosos nos anos 60 pelo movimento contracultural que cultuava a natureza e pregava que cada um deveria buscar sua própria paz espiritual. Quem nunca ouviu a frase “Paz e amor”? Pois é, os malucos de BR com certeza trazem a influência dos hippies pela vida sem regras e o jeito calmo e simples de ser, mas consideram a cultura hippie muito antiga. Agora, quem viaja e vive de artesanato é chamado de maluco de BR. Conheça três histórias, três exemplos vivos de viver pela arte:

André da Costa
Desde pequeno André gostava de artesanato, mas não tinha coragem de encarar a vida da estrada. “Quando eu tinha 17 anos eu lia muito sobre a cultura hippie dos anos 60 e ouvia Janis Joplin, aí decidi começar a viajar para expor minha arte” conta.
Segundo ele, tem que ter coragem para encarar a estrada. Foi difícil começar, mas depois da primeira viagem, André não parou mais. “A primeira vez que viajei para vender artesanato, ganhei mais do que um mês inteiro de trabalho. Então, vi que era isso realmente que eu queria”
Os pais de André também fazem artesanato, mas não foi sempre assim. Eles se preocupavam muito com o filho, não gostavam da sua escolha no começo. André é casado com Marília que também vive assim como ele, de artesanato.

Marília Lima
Marília sempre sentiu vontade de ser livre, aos poucos foi conhecendo a cultura hippie e buscou a liberdade com seu artesanato. A maluca de BR, como gosta de ser chamada, tem orgulho da vida que leva. “Conheço o Brasil todo, agradeço todos os dias por ter virado maluca”
De maneira simples, Marília conta que conheceu o marido em uma das viagens e veio para o Rio Grande do Sul com ele. “Agora estamos parados por causa do nosso filho, que frequenta a escola, mas assim que ele crescer e decidir se quer ou não ser maluco, nós voltamos a viajar por aí.” conta.
Para Marília, a melhor coisa de ser maluca de BR é a vida alternativa, a liberdade e a falta de rotina. Tudo o que ela vende, ela faz. “O nosso estilo de vida é representado pelo artesanato” explica.

Sahir Estrada
Sahir carrega no sobrenome a sua vida e o seu destino: a estrada. Ele veio da Venezuela, mas diz que não tem casa. “O céu é meu teto, a rua é o meu chão e o mundo é meu””.
Para Sahir, ser maluco de BR é bem diferente de ser hippie. “Hippies normalmente são estudantes que sem querer seguem as regras da sociedade. Eu sou maluco, eu saio e viajo sem rumo” explica Sahir, que também afirma que vive da arte porque não aceita uma vida regrada. Os lugares onde esteve não são tão importantes quanto os lugares que ainda visitará.
Sahir diz que a sociedade precisa se reeducar, sair da zona de conforto e dá algumas dicas: busque, leia, não acredite em tudo o que se vê na televisão. Segundo o maluco de BR, devemos aceitar e cultivar nossa cultura e é isso que ele faz todos os dias, expondo seus artesanatos.
O maluco de BR conta que pega uma bicicleta e vai embora e questiona: “você tem coragem?”
