Um mal do século: a depressão

Durante muitos anos não era considerada uma doença, mas hoje é considerada um dos principais males do nosso século

“Me sentia muito mal, sentia que ninguém gostava de mim, que não havia mais sentido para viver”. Aos 41 anos, com olheiras fundas João* demonstra o quanto sofreu com a perda de sua esposa. Durante dois anos viveu somente para o trabalho, não brincou mais com seu filho e foi esquecendo os verdadeiros sentidos da vida.

A doença que atingiu João* de maneira tão profunda é a depressão. Um transtorno de humor caracterizado por tristeza, pesar, desânimo, raiva que afeta a vida diária do indivíduo por um longo período. Para muitos a depressão se trata somente de um sentimento de tristeza e angústia, mas ela vai muito além disso. Se não for tratada pode levar ao suicídio.

Segundo a psicóloga Aura Nassif, que trabalha no município de Victor Graeff, a depressão é uma doença antiga, mas até alguns anos atrás a comunidade tinha a ideia de que psicólogos e psicoterapia eram somente para casos muito graves. As pessoas que tivessem alguma doença mental eram internadas em manicômios, sem receber a ajuda adequada. Hoje em dia com a desmistificação do papel da psicologia e com investimentos na saúde pública as pessoas estão buscando o tratamento apropriado. “A prioridade é manter o paciente dentro da comunidade dele de preferência com tratamento combinado (medicamento e psicoterapia), envolvendo familiares e amigos”, ressalta Aura.

Crédito: divulgação
Software “SimSensei” foi desenvolvido para diagnosticar a depressão através da linguagem corporal e das expressões faciais.

Uma pesquisa realizada pela Consultora Internacional de Marketing Farmacêutico, a IMS Health revela que só no ano passado foram comercializadas 42 milhões de caixas de antidepressivos e ansiolíticos no Brasil, cerca de R$1,8 bilhões. Um dos motivos da doença ter se tornado essa espécie de “epidemia” são as exigências do mundo moderno, a necessidade dos seres humanos de serem uns melhores que os outros e terem mais que os outros. “Quanto maior for a exigência maior é a frustração”, destaca Aura.

Para, justamente, acabar com essas frustrações, vários estudos e novas tecnologias buscam inovações no diagnóstico e tratamento da doença. Na última semana pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia desenvolveram o software “SimSensei”. O aplicativo é para Kinect e faz o diagnóstico através da linguagem corporal e das expressões faciais que o indivíduo realiza enquanto responde algumas perguntas. Os testes tiveram 90% de precisão, mas os pesquisadores destacam que o aplicativo é somente uma ferramenta para os psicólogos e psiquiatras.

Através do tratamento certo, acompanhado de um psiquiatra e medicamentos, e principalmente da motivação de seu filho João* voltou a ter uma vida normal. Se você conhece alguém com essa doença não a ignore, mostre o exemplo de João* e ajude-a buscar tratamento.

*A pedido do entrevistado seu nome foi substituído.

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Confira abaixo alguns dos sintomas, as causas e as formas de tratar a doença que atingiu João*:
Sintomas: cansaço, tristeza, falta de apetite, dificuldades de concentração, distúrbios de sono, ideação suicida, irritabilidade, choro desmotivado, falta de energia, sentimento de culpa.
Causas: multifatorial, hereditariedade, perdas em geral, frustrações, sendo assim todos nós podemos sofrer da doença algum dia.
Tratamentos: uso de medicamentos e da psicoterapia. Dentro de seis meses algum resultado deve ser apresentado.[/stextbox]

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