Com mais de um século de história, o escotismo segue vivo entre os jovens
Mesmo com tantos avanços tecnológicos, atualmente, existem jovens (e muitos!) que preferem acampar a passar o fim de semana conectado a internet: os escoteiros. O movimento escoteiro forma crianças e jovens capazes de encarar o mundo por uma perspectiva diferente. Os escoteiros seguem as doutrinas de Baden Powell, que disse “Deixe o mundo um pouco melhor do que encontrou” e esse é objetivo do movimento que busca transformar o mundo através de pequenas atitudes. Educacional, apartidário e sem fins lucrativos, o escotismo ajuda a formar o caráter da criança e conduz o jovem a uma vida saudável.
Além de incentivar os escoteiros a uma vida disciplinada, o escotismo traz consigo valores como a união e a honestidade. Claudete Mistura Doro, mãe de dois escoteiros, acredita que o escotismo ajuda na formação do caráter e da personalidade das crianças e jovens, por isso participa da vida escoteira dos filhos Arthur, 13 anos e João, 8 anos. Claudete também observa a importância da hierarquia que existe no escotismo. “Eles aprendem muito sobre respeito e disciplina” afirma.
O escotismo não carrega apenas valores, o movimento escoteiro também é cheio de místicas. Pergunte a algum escoteiro qual é a melhor parte de um acampamento, a maioria responderá que é o Fogo de Conselho. Neste momento, todos os jovens se reúnem em volta de uma fogueira e conversam, cantam músicas escoteiras, dançam etc. “Um momento único. Só quem é escoteiro entende a emoção que sentimos em um fogo de conselho” nos conta Alexsander Mafessoni, 16 anos, escoteiro há 10 anos. Existe também um ritual para as crianças e jovens que entram para o escotismo que se chama Promessa Escoteira, onde o escoteiro promete seguir as leis escoteiras e cumprir com os deveres com a pátria e com o próximo.
Uma vida de aventura
As técnicas escoteiras como os nós, código morse e comidas mateiras preparam as crianças e jovens para uma vida de aventura. Alexsander lembra o último acampamento que participou: “Foi um acampamento de sobrevivência, tivemos que fazer fogueira e abrigo natural para passar a noite. Um momento que jamais vou esquecer” conta.
Alexsander, hoje com 16 anos, também foi lobinho. No escotismo, crianças de 7 a 10 anos são chamadas de lobinhos e são estimuladas a aprender desde cedo à honestidade, o trabalho em equipe e a ajuda ao próximo. De 10 a 15 anos passam a ser escoteiros e aprendem diversas técnicas, como sinais de pista e código morse. Jovens de 15 a 18 anos de idade participam da sessão sênior (meninos) e guia (meninas), onde aprendem técnicas de sobrevivência e se aventuram na prática de rapel, tirolesa e escalada. Já entre 18 a 21 anos são chamados pioneiros e depois dos 21 são escotistas, chefes ou auxiliares de chefia.
Um exemplo de chefe que tem bom relacionamento com a sua tropa é Juliano Chaves, chefe sênior a dois anos, do Grupo Escoteiro Maragatos 299/RS. O escotismo, para Juliano, significa superar limites. Participando de atividades radicais, ecológicas, sociais, os escoteiros e os chefes buscam sempre ajudar uns aos outros para superar as dificuldades. Chefe Juliano, cita uma frase que costuma usar como lema no escotismo: “Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos”. Quanto ao relacionamento que tem com os jovens, Juliano diz que um chefe é como um irmão mais velho. “O movimento escoteiro proporciona aos adultos se aproximarem mais dos jovens e vice-versa, isso acaba criando um laço de amizade muito forte, posso dizer certamente, que terei amigos para o resto da minha vida” conta.
[stextbox id=”custom”]O escotismo foi criado por Baden Powell na Inglaterra no ano de 1907. O primeiro acampamento escoteiro foi no dia 1º de abril de 1907 e reuniu aproximadamente 20 rapazes que aprenderam durante sete dias, as técnicas escoteiras de B.P.No Brasil, o escotismo chegou em 1910, por intermédio de marinheiros e oficiais da Marinha Brasileira que estavam na Inglaterra no ano que o escotismo foi criado.
Os escoteiros no Brasil são representados pela União dos Escoteiros do Brasil. Segundo o site da UEB, atualmente, existem mais de 70.000 escoteiros registrados no país. Para conhecer mais sobre o movimento escoteiro e os Grupos Escoteiros da sua cidade clique aqui.[/stextbox]

