A nuvem, como é chamada, é o “armário” de dados virtual, e cresce a cada ano, junto ao consumo de eletricidade
Sim. A nuvem digital consome energia, que por sua vez, é obtida da queima de carvão. Portanto, polui.
As gerações mais novas podem não conhecer os primórdios do uso do computador, quando os textos e dados eram inseridos pela máquina, mas armazenados em folhas que, posteriormente, seriam manuseadas e arquivadas. Podem não compreender, também, o costume de visitar alguém e sentar com uma caixa cheia de fotos ou álbuns sobre o colo. Afinal, para conhecer os lugares por onde o amigo passou ou as festas a qual frequentou, era necessário o manuseio de fotografias. Ao contrário de hoje, em que se pode escolher entre revelar ou, simplesmente, publicá-las.
E esse costume existia por que não havia outros meios de armazenamento de dados. A única maneira de salvar uma informação era gastando tinta e folhas em uma impressão. Do contrário, o material se perdia. Com a onda sustentável, que surgiu por volta dos anos 1990, que defendia a ideia de “preservar o meio ambiente, imprimindo, somente, quando necessário”, os arquivos de papel pessoais ou empresariais passaram a migrar para disquetes e, em seguida, para CDs, DVDs e HDs.
Com a novidade, os espaços que eram ocupados por pilhas intermináveis de folhas, foram substituídos por pilhas intermináveis de discos. Claro, o espaço ocupado foi reduzido, tal qual o uso das folhas e tinta. Mas, o “problema” ambiental ainda não estava resolvido – já que os CDs riscavam, o material se tornava obsoleto e precisava ser descartado.
E, então, surge uma nova e avançada tecnologia, que permite salvar todos os arquivos em texto, áudio e vídeo em um espaço fora do computador, que pode ser acessado de qualquer máquina, a qualquer momento, por qualquer pessoa, precisando, apenas, estar conectado. Esse novo “armário”, tão prático, tão leve e invisível, deixou a população livre da poluição causada por toneladas de papéis impressos, da tinta e suas embalagens desnecessárias e reduziu espaços ocupados por discos rígido, já que permite o armazenamento virtual. Essa nova e mágica tecnologia chama-se nuvem digital.
Com ela, os problemas de poluição estariam resolvidos, pois as folhas não seriam mais gastas em vão, a tinta seria economizada e os cartuchos, que ocupavam espaços em aterros, diminuiriam. Grande engano! Para que a nuvem exista são necessárias máquinas e para que as máquinas funcionem, é preciso outra tecnologia: a eletricidade. A nuvem alimenta-se de eletricidade que, por sua vez, é obtida por meio da queima de carvão em termelétricas. Logo, a queima libera gases poluentes na atmosfera e causa grandes mudanças climáticas, um dos maiores problemas da atualidade em relação à preservação planetária.
“Tirando seu caderno, tudo está migrando para a nuvem. Suas músicas, fotos, sua agenda”, diz Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de clima e energia do Greenpeace Brasil, para a Super Interessante. De acordo com a publicação de dezembro 2012 da revista Super, as mais de 2 bilhões de pessoas conectadas na internet consomem mais energia do que grandes países.
