A mulher, entre o sagrado e o profano

Você conhece o papel da mulher na sociedade? O que representam? São mães, filhas, irmãs, tias, profissionais… E o que mais? Meras reprodutoras da raça humana? Simples esposas guardadas para um único homem?

Esses são alguns dos questionamentos que a artista Rosana Bortolin lança ao público como a da mostra Sacrum Profanum, que fica exposta no Museu de Artes Visuais Ruth Schneider, de Passo Fundo, até o dia 16 de dezembro. O museu abriga as peças que futuramente farão parte de uma exposição em Portugal.

Rosana buscou abordar sobre os grandes preconceitos que as mulheres ainda sofrem. Racismo, sexismo, a pressão da religião e da estética estão presentes em cada peça. Rosana fotografou a si mesma após o parto, adesivou o teto de seu carro com a fotografia e circulou com ele pelas ruas. Essas fotografias estão expostas no museu em forma de cruz, numa alusão ao único lugar onde foi ofendida: uma Igreja Católica.

A história pessoal de Rosana faz parte da crítica. Descendente de italianos, com uma família católica e conservadora, a professora explora temas que ainda são tabus para a sociedade, como a virgindade e a violência sexual em diferentes partes do mundo.

Ana Caroline, estudante de Artes Visuais da UPF, conta que precisou de preparo para falar sobre a exposição: “Quando eu comecei a olhar as obras, eu pensei ‘meu Deus, como eu vou falar disso para as pessoas, para crianças? ’ Mas, depois que conheci a artista, aí sim comecei a abrir minha mente e entender a proposta dela, que é valorizar a mulher, que a mulher seja vista. O machismo é muito forte ainda.”

É preciso deixar o preconceito de lado antes de entrar nas salas do Museu Ruth Schneider, porque Rosana Bortolin abrigou em sua terra natal uma crítica a liberdade. Não poupou o sudário, capelas religiosas, burcas e a própria imagem, resultando em uma perseguição, já que muitas pessoas costumam procurá-la nas redes sociais para criticar a forma como ela aborda a sexualidade feminina e as crenças.

Ana Caroline estagia no museu e conta que muitas pessoas não percebem a base que a artista utilizou para as obras, que foram moldadas no próprio corpo para retratar os corpos de tantas outras mulheres, de etnias e convicções diferentes das suas. Mulheres cobertas por burcas ou preconceitos, vigiadas pela sociedade ou pelo medo de pecar, perder a alma. Rosana conseguiu, em poucos metros quadrados, guardar em redomas de vidro os medos e preconceitos de mulheres que ainda são mutiladas para não sentirem prazer. Será que essa mutilação acontece apenas fisicamente e em algumas partes do mundo? Sacrum Profanum é assim, tem tantos questionamentos quanto críticas.

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