“Na realidade, existe uma perspectiva do aumento de idade, mas, ao mesmo tempo, nós não estamos preparados para esse envelhecimento.”
Por muito tempo, envelhecer representou viver excluído da sociedade e ser um peso para a família. Nos últimos anos, com o avanço da ciência e da medicina, esta etapa começou a ser vivida com mais qualidade. Além disso, alguns mitos referentes ao envelhecimento vêm sendo quebrados. O perfil do idoso do século XXI mudou. Ele deixou de ser uma pessoa que vive de lembranças do passado, recolhido em seu aposento e passou a ser uma pessoa ativa e capaz de produzir.
Aqui no Brasil, segundo o Estatuto do Idoso (2003), considera-se idosa a pessoa que tem 60 anos ou mais. Essa é uma fase da vida na qual as pessoas têm muitos ganhos, mas também muitas perdas, e a saúde é um dos aspectos mais afetados nos idosos. Porém, o envelhecimento não pode ser visto como uma mera passagem de tempo, mas a manifestação de eventos biológicos que ocorrem ao longo de um período representando perdas da função normal ao longo da vida.
Estudos demográficos nacionais realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que a parcela da população brasileira com mais de 60 anos cresceu de 4% em 1940 para 10% na atualidade, e a população de idosos representa um contingente de quase 15 milhões de pessoas com sessenta anos ou mais (8,6% da população brasileira).
Diante desses números, torna-se fundamental saber como está a saúde do idoso, para então subsidiar políticas de saúde voltadas a essa população. Esse assunto virou tema de um estudo de professores e alunos da UPF, que pesquisam quais são as características e as condições de saúde dos idosos do município de Passo Fundo.
A professora da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia da UPF e coordenadora da pesquisa, Lia Mara Wibelinger, diz que cada vez mais a população idosa vai aumentar no mundo e principalmente no Brasil. Então, como será esse envelhecimento? O que nós podemos fazer para que esse envelhecimento aconteça com uma qualidade melhor? Essas são algumas perguntas que nortearam a pesquisa do grupo.
A coleta dos dados para a análise é feita por meio de um questionário e a aplicação acontece em unidades de saúde, grupos de terceira idade, residências e em pontos centrais da cidade como praças e ruas.
Como o idoso percebe sua saúde?
Cascieli Miotto, estudante de fisioterapia, conta que o questionário contém perguntas pessoais: a idade, se mora sozinho, se tem filhos, e também sobre as questões de saúde: se apresenta alguma doença, toma alguma medicação ou pratica atividade física.
A população de idosos na cidade de Passo Fundo é de aproximadamente 24 mil. Até o momento, foram entrevistados 380 idosos, mas o objetivo é chegar a mil para garantir uma mostra significativa.
Os pesquisadores já puderam perceber que alguns quesitos avaliados têm resultados significativos. “Em relação ao sexo, ao gênero, o feminino predomina. Em relação à faixa etária, nós temos a faixa etária mais expressiva entre 60 e 69 anos de idade. Em relação à parte de saúde do idoso, hipertensão, diabetes e osteoporose foram patologias que apresentaram grande significância”, conta Aline Morás Borges, estudante de fisioterapia.
A professora diz que alguns dados são preocupantes. Um deles é a incidência grande de algumas patologias como a hipertensão. “A gente vem relacionando também a incidência de doença articular com o estilo da realidade de vida, a prática de atividades físicas e o uso de medicamentos”.
Após a coleta de dados, o próximo passo é pensar quais ações podem ser desenvolvidas para um envelhecimento com maior qualidade de vida. Aline conta que as propostas seriam voltadas mais à prevenção da saúde do idoso. A importância de prevenir doenças, da atividade física, de todos os fatores que somam a prevenção da saúde do idoso. “Promover campanhas, palestras, nos próprios Cais onde o pessoal foi entrevistado, até pra dar uma resposta ao pessoal que participou da pesquisa, aqui na universidade, com nossos pacientes, postos de saúde, hospitais. Essa é a ideia, voltar todas as ações em relação à promoção da saúde do idoso”, finaliza.
Idosos
Os sinais do envelhecimento vão aparecendo com a idade, incluem-se neles: branqueamento e espessamento do cabelo, perda de elasticidade e secura da pele, audição pode ficar prejudicada, visão diminuída e adaptação ao escuro limitada, a fala pode tornar-se restrita, o aprendizado e a memória a curto prazo ficam prejudicados, os limiares da dor são altos e a sensibilidade a ela diminui, o sistema cardiovascular diminui quanto à eficiência, ocorre uma menor mobilidade torácica, diminuição da elasticidade dos tecidos moles, as articulações absorvem menos pressões e são mais rígidas, as cartilagens são menos elásticas, o poder muscular diminui levando a desaceleração dos movimentos, perda da coordenação, dificuldades com o equilíbrio e os ossos podem se tornar osteoporóticos.
O que é ser idoso?
Associar o envelhecer com doença é muito comum. Porém, esta fase envolve outros aspectos, pois existem alterações fisiológicas, psicológicas e sociais.
Há alguns anos, não era característica do nosso país pensar em chegar aos 90, 100 anos. Hoje, a expectativa de vida vai a 115, 117 anos, o que fez surgir a expressão “4ª idade” para se referir a indivíduos mais longevos. Anos atrás as pessoas morriam de coisas corriqueiras. Não existia o avanço na área da saúde, de tratamento, de ações preventivas. A professora Lia Mara diz que “na realidade, existe uma perspectiva desse aumento de idade, mas ao mesmo tempo nós não estamos preparados para esse envelhecimento. Talvez, daqui a 50 anos”.
