Poucas coisas nos acompanham desde o início da vida até a hora em que vamos embora deste mundo. Nessa lista, poderiam estar pessoas da família, costumes de outras gerações ou até mesmo as características físicas. Mas há algo que já nos espera antes de nascermos e estará registrado para sempre depois de partimos: o nosso nome. Gostando ou não da combinação de letras que vão servir de meio para nos identificar, o nome acompanha todos os seres humanos e integra a nossa personalidade. E a tarefa de escolhê-lo é algo que, na maioria das vezes, envolve a responsabilidade de uma vida inteira e pode acontecer das mais diferentes formas: enquetes com amigos, lembranças de pessoas queridas, homenagens a ídolos, para seguir a tradição da família, ou ser inspirado em personagens de novelas. Seja qual for o método adotado, a escolha é sempre carregada de significados. Mas entre tantas Marias, Joãos, Pedros e Paulos, existem aqueles nomes não tão comuns assim e que têm o ar de exclusividade. O fato é que, seja qual for o seu nome, ele foi inspirado em alguma coisa e tem um sentido importante, principalmente para quem o escolheu.
A definição de um nome nem sempre é uma tarefa fácil. Há quem planeje o nome de um filho durante toda a vida. Há ainda quem aposte nas circunstâncias, como no caso da escolha do nome da funcionária pública Valduse Moojen. “O meu avô tinha um hotel em Barros Cassal que era um ponto em que os ônibus paravam para os passageiros fazerem as refeições. Minha mãe era uma menina de uns 14 anos de idade e trabalhava com suas irmãs como garçonete no restaurante do hotel. Numa oportunidade, atendeu a uma mulher muito bonita e elegante, que se chamava Valduse. Minha mãe nunca mais esqueceu da imagem daquela mulher e, quando eu nasci, decidiu me dar este nome”, conta e fala o que pensa sobre a escolha. “Não sou a mulher bonita que ela tinha como referência, nem mesmo tão elegante, mas ela conta esta história até hoje com muito entusiasmo”, lembra Valduse.
Porém ter um nome incomum implica alguns desconfortos como, por exemplo, ter que repetir várias vezes quando se pergunta “qual o seu nome?”. Valduse conta que, quando menina, não gostava do nome porque as pessoas não entendiam. “Isso até hoje acontece. E me indignava porque minha mãe não colocou este nome na primeira filha (minha irmã mais velha se chama Valquíria), já que queria fazer uma homenagem. Não gostava também porque as pessoas sempre escreviam errado, com ‘z’ ao invés de ‘s’ e com ‘i’ ao invés de ‘e’ no final. Também não gostava porque pronunciavam meu nome das formas mais hilárias, o que muitas vezes era motivo de chacota.”
Mas um nome diferente também tem suas vantagens: se torna uma referência. “Numa cidade pequena as pessoas não perguntam: ‘Valduse? Qual Valduse?’ Sou a Valduse e pronto. Quem me conhece sabe que sou eu. Na profissão o nome diferente também ajuda muito, porque identifica. Quando você faz um bom trabalho, o nome diferente é gravado positivamente”, acredita. “É interessante também porque consigo diferenciar as pessoas que são íntimas das que não são pelo apelido com que me chamam. Os que me são íntimos, meu marido Rodrigo e os que são lá de casa, pai, mãe, irmãs, enfim, os mais afetos, me chamam de Duse. Os colegas de trabalho e os demais me chamam pelo apelido Val”.
Apesar de em alguns momentos se sentir incomodada, ela nunca chegou ao extremo de pensar na possibilidade de trocar de nome. “Não gostava do meu nome, mas sempre respeitei a história de minha mãe e do seu desejo. Minha mãe sempre foi muito boa para mim, sempre me amou muito e por eu ter saído tão cedo de casa, aos 14 anos de idade, sempre senti muita falta dela. Não manifestava muito meu desgosto com o nome e jamais teria coragem de ingressar com pedido de retificação de nome civil, porque sei que lhe magoaria muito. E, se tivesse feito isso, certamente teria me arrependido. Talvez seria mais uma Clara, Maria, Mariana, Ana ou sei lá quem deste mundo”, declara.
E Valduse finaliza afirmando que o seu nome lhe trouxe muito mais alegrias do que qualquer tipo de infelicidade. “Hoje agradeço à minha mãe por ter dado este nome para mim e não para a primeira filha, minha mana. Sou enaltecida por ter feito a homenagem que minha mãe queria fazer”, diz.
Ter um nome incomum pode ainda render muitas histórias.
[stextbox id=”custom” caption=”Adrômena Tóffolo”]Com Adrômena Tóffolo, que é natural de Ibiraiaras, os fatos que têm a ver com seu nome são inúmeros e é rindo que ela conta a última situação que envolveu o assunto. No primeiro dia de aula deste semestre na faculdade, uma professora não citou seu nome durante a chamada. Questionada sobre o porquê, a professora disse: “Você está sim na chamada. Não chamei porque fiquei com medo de errar”. O nome foi inspirado na princesa Andrômeda, da mitologia grega e, mesmo sendo diferente, nunca foi um problema para ela. Pelo contrário, gosta porque o considera único. E, quando questionada se vê alguma desvantagem nisso, é com bom humor que responde: ”Se eu pisar na bola, todos vão saber quem é a Adrômena”.
[/stextbox] [stextbox id=”custom” caption=”Sonja Amaral”]Hoje em dia a professora Sonja Amaral também gosta do seu nome, diferentemente de quando era criança. Ela conta que os colegas de aula faziam piadas e chegaram a chamá-la de “soja” ou “esponja”. Em outra ocasião, Sonja lembra que um professor achou que o pai dela haveria pensado em registrar Sônia, e, por um erro do cartório, registrou Sonja. Situações que não mais a incomodam. “Pode-se passar anos que um nome diferente é lembrado. Tem pessoas que me conhecem que estudaram comigo ou fizeram parte da minha vida que eu não lembro mais. Mas essas pessoas lembram pelo nome que é diferente. Se fosse comum não iriam lembrar”, considera. O nome Sonja foi uma homenagem a uma amiga russa de sua mãe.
[/stextbox] [stextbox id=”custom” caption=”Yuli Fernanda Roveda”]Já o nome da estudante de 18 anos, Yuli Fernanda Roveda, é de origem indígena e foi escolhido de forma proposital pela sua mãe, que buscava um nome incomum e acabou o encontrando em um livro. E é justamente por ser assim que Yuli gosta. “Não gostaria de ter um nome comum”, afirma. Sobre as desvantagens, ela conta que, na maioria das vezes quando diz seu nome por telefone, por exemplo, as pessoas entendem errado. Ela também já foi confundida com menino. “Por exemplo, na hora da chamada, muitos confundiam com Yuri, William. Quando eu levantava a mão pra responder presença, veio por muitas vezes uma expressão de espanto, mas nada de muito constrangedor”.
[/stextbox] [stextbox id=”custom” caption=”Shannon Guarezzi”]Foi a personagem de um filme que inspirou o nome da estudante de jornalismo, Shannon Guarezzi. Ela confessa que não gostava muito do meu nome. “Por ser estranho, as pessoas nunca acertam na pronúncia e também não conheço ninguém com o nome igual. Normalmente as pessoas me chamam de Sha, primeiro que é mais fácil de pronunciar e segundo eu prefiro que me chamem assim”, declara. “Já pensei milhares de vezes em trocar, sempre dizia a meu pai que queria ter um nome simples que não chamasse tanto a atenção, mas eu paro e penso e não tenho a mínima ideia de um outro nome. Seria mais estranho ainda, eu não iria me acostumar e as pessoas que me conhecem provavelmente também não.”
Sobre os apelidos engraçados, Shannon acredita que é uma questão que deve ser levada na brincadeira. E ela finaliza deixando uma mensagem que aprendeu com um professor: “Devemos amar nosso nome. Ele é a marca que deixamos por onde passamos.”
[/stextbox]Troca de nome: o que a lei diz sobre isso?
A troca de um nome nem sempre é fácil, mas pode ser requerida em alguns casos. Conforme a legislação brasileira, é preciso provar, por exemplo, que a denominação está expondo a pessoa ao ridículo ou lhe trazendo algum tipo de constrangimento. O pedido pode ser solicitado na Justiça ainda em casos de erros de digitação ou mudança de sexo, e a pessoa deve ser, necessariamente, maior de idade. Seja qual for o motivo, é a Justiça quem vai definir se há a necessidade da troca.





