
Eles são criativos, inovadores e um tanto ansiosos. Gostam de desafios e estão prontos para viver as mais diferentes experiências. Os integrantes da geração Y, nascidos entre as décadas de 80 e 90, invadiram o mercado de trabalho atual e trouxeram mudanças que agora norteiam os conceitos de carreira ideal.
Você provavelmente já deve ter se perguntado por que não consegue repetir a mesma atividade durante vários dias seguidos, por que gosta tanto de mudanças ou por que viajar o deixa tão contente. Não suportar a rotina e gostar de conhecer novos lugares são algumas das características da geração Y. Filhos da geração X, pessoas mais céticas e superprotetoras, os Y estão cada vez mais se destacando e buscando seu lugar em um mercado de trabalho que ainda não é deles. Segundo uma pesquisa realizada pelo Datafolha no final do ano passado, a idade média dos líderes brasileiros é de 47 anos. Mas esse número vem caindo progressivamente, há 6 anos a idade de quem ocupava essa posição era 51 anos.

Na maioria das vezes liderados pela geração X, os Y têm dificuldade de conviver e se adaptar a essas diferenças. Daniel da Cas, estudante de engenharia elétrica na Universidade Federal de Santa Maria é um exemplo. Com 22 anos já conhece 12 países, fez 7 meses de estágio na universidade, 1,5 meses no intercâmbio, trabalhou durante 9 meses no Peixe Urbano e desde maio de 2008 é membro da AIESEC, da qual agora é presidente. Daniel já sofreu com essa diferença durante seu estágio na universidade. “Meu chefe era muito pragmático, organizado, queria se meter em tudo o que eu fazia e não me deixava fazer como eu quisesse. Ele não sabia dizer ‘eu preciso disso’. Ele dizia ‘eu preciso disso, faz assim, assado, dessa maneira’”.
Ser criativo e gozar de liberdade para escolher e produzir são algumas das coisas que esses jovens almejam, mas muitas vezes essa liberdade causa desconforto e muitas dúvidas. Para sanar essas dúvidas foi criado o “Será que tá Certo”, um canal do Youtube que traz dicas de como se dar bem na carreira e o que fazer para ser um empreendedor. O movimento teve início em 10 de julho deste ano, dia em que o canal foi lançado. O Nexjor conversou com o idealizador do movimento, Bruno Perin, que falou sobre empreendedorismo, geração Y e sobre como tirar as ideias do papel. Confira a entrevista.
Durante o Youth to Business, evento que aconteceu em Santa Maria no dia 11 de setembro, você contou que a ideia para a criação do Será que Tá Certo veio de uma moça, Inae Ramos, que estava na platéia de uma outra palestra que você ministrou. Como foi desenvolver essa ideia?
A Inae deu o start, me perguntando, por que não colocava no Youtube aquelas dicas que passei na palestra. Iam atingir as pessoas que são o alvo da informação e sem falar da amplitude. Achei sensacional, mas não tinha muito tempo. Ela falou que me ajudaria. Foi nesse momento que tudo começou. Desenvolver é o grande X da questão, pois o mundo é cheio de ideias, as pessoas são bombardeadas de ideias todos os dias. Quem faz a diferença é quem tem atitude. Esse é o ápice da questão, a parte complicada: fazer acontecer. Foi bastante desafiante, gostoso e pesado. Apesar do reconhecimento na mídia e o networking, ainda sou muito jovem, e a Inae recém começava um negócio pela primeira vez. Então, convencer outros jovens, empresas e empresários a acreditarem na ideia foi bem complicado, mas a crença no projeto e a determinação de não deixar que nada nos desanimasse foram cruciais. Sempre pensamos que um não hoje ainda vai ser um sim depois. Essa é uma das nossas características da equipe SQTC (Será Que Tá Certo). Tenho certeza de que a atitude e o networking foram os grandes fatores de sucesso, pois, realmente FAZER, montar os vídeos, as descrições, apresentações, tudo que precisava do projeto, davam segurança; as pessoas viam que ia se tornar real. A credibilidade das pessoas no projeto (networking) auxiliou muito, pois outros começaram a notar e também queriam se inserir. Então, o grande passo foi aquilo que mais citei no evento da AIESEC: a consequência de sair do plano da ideia para se tornar algo real (atitude da ideia virar realidade), com tantas pessoas envolvidas, foi o grande gás para impulsionar o canal.
Qual a grande vantagem/ qualidade da geração Y?

Ela tem uma vantagem única em relação a todas as demais: viveu em dois universos diferentes. Um mundo que mal tinha internet e era menos dinâmico, como viveram os baby e geração X e agora ela entrou junto no mercado de mãos com a internet. A vantagem é que a geração y entra com o dinamismo da internet, mas compreende que as pessoas mais antigas no mercado estão ainda se adaptando a essa seara de informações e agilidade de respostas, processos, atendimento, vendas, o furacão internet. Existem muitas outras, mas tenho notado esta como o grande diferencial. E também será sobre a Z, pois no mundo desta só existe internet; então, não compreende a dificuldade das demais gerações. Quando consegue ter equilíbrio combinado a essa vantagem de épocas, digamos assim, a geração Y tem um diferencial competitivo muito valioso.
Em que ponto eles mais deixam a desejar?
Acredito que muito seja culpa da própria cultura e da exaltação dos sucessos. Explico: Os pais desses jovens cada vez mais ficam fora de casa e têm menos tempo de passar valores básicos, como a paciência de alcançar seus objetivos, o respeito, a importância de manter sua palavra, entre outros. Valores que sempre foram passados pessoalmente, mas hoje não se tem mais esse encontro. O poder aquisitivo aumentou; portanto, nem todos precisam trabalhar e ralar no mercado, o que é um grande problema, pois deixam de praticar e acabam se formando sem essa parte fundamental do profissional. Digo tanto a questão geral, de se portar em reunião, regras de boa convivência, as diferenças do que os livros falam e o que realmente acontece, quanto um dos detalhes mais esquecidos pela mídia, o conhecimento das posições básicas. Alguns jovens estudam, fazem muitos cursos, pegam boa preparação conceitual e, de alguma forma, conseguem entrar em cargos já mais elevados. Assim, deixam de passar por uma parte fundamental, a base. Saber é diferente de sentir na pele como é o trabalho deles. Tenho cases incríveis sobre esse assuntos. No que tange ao sucesso, assim como grandes jogadores de futebol, apenas 2% ganham acima de 10.000,00. A maioria não. Os jovens veem pessoas como o Rodrigo Gomes (Buscapé), Mark (Face), Marco Gomes (Boo-box), Pedro (Virtvs), eu (Bruno Perin) e outros mais e acham que é fácil, logo chegarão ali, e não aceitam que demore, tem que ser muito rápido. Ter sucesso só com 40 anos é quase que inaceitável. Portanto, essa exaltação do sucesso muito cedo causa uma ansiedade maldosa e cruel, pois cada um tem seu tempo e sua velocidade para alcançar o sucesso, o que tem causado um tsunami de atitudes inconsequentes.
O jovem pode aprender muito na faculdade, mas vendo o canal, ele vai saber que muitas teorias na pratica não funcionam
Qual a grande contribuição do Será Que Tá Certo para esses jovens?
O primeiro e essencial é levar a prática e os atalhos aos jovens, instigando-os a se questionarem. Grande parte dos professores de hoje é teórica, e isso é ótimo e necessário para dar uma base, mas não é suficiente para o mercado. Na verdade, para o mercado o que mais importa é a prática, mas de forma alguma desprezando a teoria, pois ela é um grande alicerce. Mas, a prática não tem sido ensinada em grande parte das salas de aula, portanto o Será Que Tá Certo vem bem nesse ponto. Grandes profissionais, referência, contam o que esses jovens realmente vão encontrar no mercado, o que eles precisam saber, o que vai acontecer, algo até então muito difícil de eles encontrarem, a não ser trabalhando. Mas imagine saber de quem tem muito sucesso? O jovem pode aprender muito na faculdade, mas, vendo o canal, ele vai saber que muitas teorias, na prática, não funcionam. O exemplo clássico é de um jovem que veio me procurar. Havia tido uma ideia incrível para a internet, mas não sabia o que fazer. Foi procurar seus professores e amigos, e todos indicaram que estudasse empreendedorismo e fizesse um plano de negócios. Ele, apaixonado pelo negócio, se dedicou de corpo e alma um ano para montar tudo e pesquisar sobre o que precisava, e, quando estava pronto, foi lançar. O negócio nasceu morto. É obvio, nada na internet se planeja muito. Segundo o diretor de marketing da Netshoes, não importa o quanto se invista, jamais vai acertar o que vai acontecer daqui a seis meses, nem dois meses ele se arriscaria. A única certeza é de que tudo vai ser diferente. Então, analise. O jovem perdeu um ano. Se ele tivesse esse conhecimento das pessoas que estão tendo excelentes resultados na internet, hoje poderíamos ter uma start up muito forte no mercado e um novo empreendedor, mas não temos; ele continua apenas estudante. O segundo grande auxílio que notamos há pouco é a importância social de inspiração do próprio SQTC. Os jovens, quando veem outros jovens criarem uma start up, veem que tiveram muito sucesso e estão ganhando bastante reconhecimento. Chama muita atenção e dá inspiração. Eles pensam: “nossa eu também posso”. E nós queremos passar isso – Vocês também podem, nós queremos que vocês façam também, estamos aqui para ajudar tanto com os vídeos quanto com nossa própria experiência em start ups. Isso é incrível, pois eles recebem um gás de inspiração imenso e quem estava em dúvida se estava na hora ou não vai pra cima e toma atitude. Outros querem levar essas ideias a seus amigos. Acontecem tantas ações próximas de nós para despertar o empreendedorismo que é inacreditável. Isso é emocionante.
[stextbox id=”custom” caption=”Conheça Bruno Perin”]Bruno Perin, empresário, consultor, palestrante e escritor, administrador de empresas pela UFSM, especialista em Marketing Experience, pesquisador em Neuromarketing e Marketing de Relacionamento, tido como uma das maiores referências em Business Experience em toda a América Latina, faz parte do grupo dos 200 maiores talentos brasileiros pelo Virtvs Club, é tido como uma das grandes referências da nova geração no marketing, sendo responsável por várias das campanhas mais impactantes nas redes sociais em 2011. Colaborador e realizador de ações conjuntas com grandes players de mercado é apontado por Alex Born, Pai do Neuromarketing no Brasil dessa maneira:
“O Bruno é uma grata surpresa e não demorará para ser reconhecido internacionalmente”.[/stextbox]
Você acha que as universidades criam um ambiente ideal para o desenvolvimento de ideias e o potencial criativo?
Acho que sim, mas acredito que poderia ser bem mais. Os professores têm trazido mais cases e deixado mais abertas as aulas para os próprios alunos levarem conhecimento; isso é ótimo e necessário. Porém, acredito que a união entre setor privado e acadêmico está muito distante do ideal. Tudo que é trabalho em sala de aula deveria ser avaliado por seu potencial de aplicação prática. Os empresários deveriam estar quase sempre em sala de aula para ensinarem junto com os professores, o que acontece raramente. Mas o potencial criativo tem sido bem desenvolvido, sim, eles estimulam bastante as ideias.
O empreendedorismo não tem uma receita certa, mas é possível elencar ações que podem levar um jovem a ser um empreendedor? Quais?
Receita exata não existe, mas características fundamentais, sim, como dedicação, resiliência e principalmente atitude e networking. Essas competências têm que fazer parte do empreendedor, pois o mercado vai exigir isso. Até aqueles milionários que ganham uma grana dos pais para o seu próprio negócio, se não tiverem isso, uma hora vão cair no mercado, pois ele não perdoa. A grande dica é levar para a realidade, como sempre digo, o que é uma possibilidade, o que ainda não é uma realidade. Então, o jovem que tem uma ideia, que quer ter seu negócio, tem que começar a se mexer, ir atrás, ver o que precisa e começar a fazer, pois, mesmo com muitos erros, esse compromisso o fará aprender.
O jovem de hoje tem a característica de passar por vários empregos, não se contenta em passar toda a vida trabalhando para uma única empresa. Qual a sua opinião sobre essa característica?
É causa da ansiedade, ele quer sucesso rápido, ter sua independência financeira, tudo tem que ser para ontem, e, quando veem que não é bem assim nas empresas, muitas vezes mudam para uma próxima. Acho sinceramente que esse é o principal ponto, apesar de grande parte não admitir. Mas não podemos dizer que é apenas isso, eu vejo isso no ponto de vista deles. Afinal, é claro que grande parte das empresas ainda não aprendeu a lidar com o seu dinamismo e velocidade. Não é muito fácil para as gerações que estão no comando, para as quais tempo e a experiência eram a grande competência para subir de cargo, aceitar que pessoas muito jovens já estejam preparadas para isso. São diversos conflitos que acabam nisso. Outro é aquele que citei, e acho muito pouco salientado pela mídia: os pais cresceram em poder aquisitivo; então, o jovem não mais precisa ficar no emprego e “sofrer”. Se ele pega algo desgostoso e se incomoda, pode tranquilamente sair e tentar outro emprego, ou não fazer nada. Para que se incomodar?
Aprendemos muito com os erros que cometemos. Mas temos a vantagem de aprender também com as experiências dos outros. Como é o processo de escolher as pessoas que contribuem com suas experiências nos vídeos?
Sucesso reconhecido e atitudes relevantes no mercado. A geração Y quer aquele fulano que sai na mídia e a imprensa reconhece como alguém de credibilidade para falar. Isso é um ótimo filtro, pois foi por muitos trabalhos bem feitos que essas pessoas chegam lá. Então, esse é um bom motivo para estar no canal. Mas sempre analisamos se é verídico, pois muitos chegam à mídia apenas por terem boas influências, mas não fizeram nada demais. O jovem sente-se muito bem quando vê uma pessoa famosa naquele universo de negócios falando sobre uma questão que ele tem. É tão bom saber que algumas vezes alguém que você estuda, admira e tem como exemplo passou por algo parecido com você. Então, o processo é esse, pessoas que, através de excelentes resultados no mercado, foram reconhecidas.
Deixe uma dica para os jovens que estão buscando oportunidades no mercado de trabalho de hoje.
“Ideias só valem dinheiro quando dão resultados.”
Conheço um mundo de jovens cheio de ideias, mas que nada acontece em suas carreiras porque apenas têm boas ideias, e quase todos acham isso. Porém, os que têm atitude, fazem suas ideias e principalmente a dos seus lideres acontecer, se destacam no mercado e sobem na carreira rapidinho. Mas esses são raros. Os grandes líderes querem jovens talentos com atitudes primeiro e depois com ótimas ideias, mas, para você poder mostrar suas ideias, primeiro tem que mostrar atitude. Nessa ordem é mais fácil conquistar o mercado.
O documentário a seguir foi produzido pela BOX 1824 e explica as diferentes características dessas gerações. Vale a pena assistir.
