O sabor natural do Rio Grande

Uma parceria entre as faculdades de agronomia da UFRGS e da UPF busca localizar e propagar espécies de frutas nativas do Rio Grande do Sul, para, futuramente, facilitar o acesso da comunidade a esses sabores.

Com uma biodiversidade riquíssima, que, aliás, é a maior em fauna e flora no mundo, o Brasil possui aproximadamente 10 mil espécies de plantas alimentícias. Pelo menos 3 mil dentre essas espécies, são de frutas alimentícias. Porém, a falta de divulgação e valorização da existências dessas frutas diminui a oferta à população, que acaba tendo acesso somente as mais conhecidas e comercializadas.

No Rio Grande do Sul se concentra uma boa parcela dessa diversidade biológica . Um exemplo disso são as frutíferas nativas. São cerca de 150 espécies de frutas nativas como jaboticaba, araçá, guabiroba, butiá, mas nem todas as pessoas conhecem ou tiveram a oportunidade de provar alguma dessas frutas.

Uma parceria entre a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade de Passo Fundo, que nas faculdades de agronomia, desenvolvem um projeto para localizar e resgatar exemplares dessas frutíferas. Onze espécies são o foco do projeto: araçazeiro, araçazeiro-do-mato, cerejeira, goiabeira serrana, jaboticabeira, pitangueira, guabiju, guabirobeira, araticum, uvaia e butiazeiro.

O agronegócio parece dar pouca atenção para a produção de frutíferas nativas, visto que a divulgação e comercialização dessas frutas é baixa, pois, mesmo com um grande potencial de exploração natural e industrial,  praticamente não existem pomares comerciais dessas espécies.

O primeiro passo do projeto é localizar e selecionar frutos com características que se destacam, como aqueles com tamanho acima da média de um fruto normal, mas que mantenham um bom sabor. O engenheiro-agrônomo e professor Dr Alexandre Nienow, que coordena a pesquisa na UPF, explica que as fruteiras nativas, de um modo geral, se multiplicam por sementes que caem no solo ou que são plantadas. “Essa variabilidade faz com que nós tenhamos frutas com tamanhos pequenos, médios e grandes, e o objetivo do projeto então é tentar selecionar essas fruteiras com bom material genético e boas características em termos também comerciais”, complementa o professor.

Após selecionar as amostras das espécies escolhidas, as plantas e a capacidade produtiva serão avaliadas e multiplicadas por diferentes processos vegetativos em uma estufa de nebulização.  Porém, para garantir que essas plantas saiam com as características da planta matriz, “é a propagação assexuada, ou seja, sem sementes, e outras técnicas são importantes, que é a estaquia, que é um segmento de ramos que nós colocamos num ambiente apropriado pra forçar o enraizamento, e o processo de enxertia” acrescenta o professor Alexandre. A enxertia  é a união dos tecidos de plantas, que passam a formar uma planta com duas partes: o enxerto e o porta- enxerto.

Se você sabe de locais onde há algumas espécies de frutíferas nativas, entre em contato com frutas.nativas@upf.br . Assim, será mais fácil encontrar frutas melhores, mais bonitas e saborosas. 

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