‘E eu vos direi: “Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas”.’
Ele nasceu e morreu no Rio de Janeiro, mas sua vida foi além do solo carioca. Em 1865 ganhou vida e durante boa parte dela apresentou a pura literatura a quem quisesse. Em 1918 morreu e deixou a herança: uma obra que compreende poesias, relatos jornalísticos e livros escolares. Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac foi um dos mais notáveis poetas brasileiros.
Desde o início ele provou que seria diferente. Atento à realidade que o cercava, soube usar a palavra. Preocupou-se em atingir a perfeição na forma e no conteúdo. Ivania Aquino é professora Doutora do curso de Letras e destaca a importância e o alcance de Bilac, mesmo depois de quase 100 anos de sua morte: “Ele é um dos grandes intelectuais brasileiros que ficaram na memória de qualquer estudioso tanto de letras quanto de história, pela importância que teve na literatura, mas, também, nos acontecimentos políticos do Brasil”. Olavo Bilac mergulhou no parnasianismo para transformá-lo: antes, conhecido apenas por sua preocupação com forma e estrutura, o parnasianismo concebeu, a partir de Bilac, uma preocupação, também, com a expressão do conteúdo.
[stextbox id=”custom” caption=”O que é parnasianismo?”]Movimento literário que surgiu na França, o parnasianismo teve seu ápice no século XIX. Suas principais características vão de encontro a um conceito realista e de oposição ao movimento romantismo que acontecera anteriormente. Os parnasianos preocupavam-se essencialmente com a estética dos poemas, e a visão do autor não influenciava no conteúdo desenvolvido. Os temas abordados giravam em torno da realidade e da racionalidade. Os autores, em geral, davam grande importância à métrica dos versos e, por isso, preferiam os sonetos.[/stextbox]

Aos 15 anos conseguiu uma autorização especial para entrar na Faculdade de Medicina. No entanto, a anatomia não foi capaz de prendê-lo. Olavo Bilac abandonou o curso de Medicina e, mais tarde, o curso de Direito. Decidiu dedicar-se à arte e somente a ela. Não casou, não teve filhos e morreu só – suas poesias e crônicas, as únicas companheiras. No século XX a revista Fon-Fon o elege o “Príncipe dos Poetas Brasileiros, título que o acompanha até o fim, e sua obra o confirma como o mais importante representante do parnasianismo brasileiro. Entre as produções mais importantes de Olavo, destacam-se o soneto “Nero”, o livro “Tarde”, o próprio “Hino à Bandeira” e “Última Flor do Lácio” – que é uma espécie de declaração à língua portuguesa. Aos 19 anos, Olavo Bilac começou a ser notado. A página do jornal tornou-se o berço de suas palavras, logo, porém, esta se tornaria pequena. Eládio Weschenfelder é mestre em Literatura e destaca a importância histórica de Bilac: “Ele constitui um ícone da literatura brasileira, é um dos antecessores do grupo modernista, participou da fundação e da história da I República Brasileira. Olavo Bilac também é lembrado em nomes de rua, parques e nomes de cidades. Nesse sentido ele constitui parte da literatura brasileira e da própria história”.
Se não bastasse todo o seu escrito, Bilac foi além. Foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras, da cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias. A literatura de Bilac é fácil e acessível. Falou de si, do outro, do Brasil e das relações. Abordou o mundo de uma forma atenta às emoções. Ao lado de Alberto Correia e Raimundo Oliveira, completou a tríade parnasiana. Sua obra tem lugar de destaque na literatura brasileira.
Debochando da morte, Olavo imortalizou-se.



