Nem Jack Dorsey imaginava que a simples frase just setting up my twttr daria origem a uma rede que vale 8 bilhões de dólares.
Em março de 2006, Dorsey, juntamente com os colegas Evan Williams e Biz Stone, dava o pontapé inicial para uma revolução no modo de se comunicar com o mundo. Surgia o Twitter – rede social em formato de microblog que permite aos usuários enviarem e receberem informações com até 140 caracteres.
A ideia era criar uma ferramenta que funcionasse como o SMS (mensagens de texto) de um celular – informações curtas e em tempo real. Deu certo. A rede social cresceu, se espalhou pelo mundo e hoje comemora, além dos seis anos de existência, cerca de 500 milhões de contas.
E não é difícil encontrar frequentadores assíduos e ligados 24 horas no Twitter. Rodolfo Rigoni é um deles. Usuário há dois anos e meio, o estudante do 2º ano do ensino médio, vive conectado até mesmo durante as aulas. Por que tanta paixão? “Acho simples, as pessoas podem se comunicar rapidamente e ter contato com várias outras de todo o mundo.” O estudante acredita que o Twitter ainda tem muitos anos de vida: “Ele pode crescer ainda mais.” Tudo indica que Rodolfo está certo. O número de usuários e mensagens enviadas cresce a cada dia. Em 2012, a rede alcançou o número de 252 milhões de “twittadas” por dia. Para se ter uma ideia, todas as mensagens de um mês, uma atrás da outra, dão 3 voltas completas ao redor da Terra. Seria o mesmo que todos os usuários brasileiros – que somam cerca de 250 milhões – “twittando” uma vez todos os dias.O estudante de engenharia da computação, Vinicius Morigi Battistella, é usuário antigo. Já está na rede há mais de 5 anos e conta que conheceu o Twitter pelos amigos, na época do ensino médio. “Em uma das aulas de informática vi eles usando, achei bacana, e resolvi criar meu perfil.” O estudante observa que o legal do Twitter é a instantaneidade das mensagens: “são praticamente em tempo real, tudo que você lê está acontecendo ou recém aconteceu, as outras redes ficam um pouco mais no ‘passado’.”
Revolução em 140 caracteres
Ao longo dos anos, a rede ganhou um ar noticioso. A pergunta do site mudou: “O que você está fazendo?” passou a ser “O que está acontecendo?” E a rede foi invadida por celebridades, jornais, blogueiros e especialistas em vários assuntos. O conteúdo se tornou importante – ou pelo menos ganhou maior relevância. O Twitter se tornou uma ferramenta em campanhas de marketing e publicidade digital. E não é só publicidade: Boa parte das manifestações que vêm acontecendo no Oriente Médio e no norte da África, desde 2010 – que originaram a Primavera Árabe – iniciou e sensibilizou o mundo através das redes sociais, entre elas, o Twitter.
A mobilização deu tão certo que as manifestações provocaram a queda de pelo menos três chefes de Estado: na Tunísia, o presidente Zine El Abidine Ben Ali fugiu para a Arábia Saudita, no dia 14 de janeiro de 2011, após os protestos que ficaram conhecidos como Revolução de Jasmim; o presidente do Egito, Hosni Mubarak, renunciou – após 30 anos de mandato – em 11 de feveiro. Os protestos duraram 18 dias; e na Líbia, o presidente Muammar Kadhafi foi morto em tiroteio após ser capturado e torturado por rebeldes no dia 20 de outubro.
A jornalista Luciana Coelho – correspondente em Washington do jornal Folha de S. Paulo – citou em um de seus textos uma pesquisa do Projeto sobre a Tecnologia da Informação e o Islã Político (pITPI), da Universidade de Washington, que analisou mais de 3 milhões de tweets relacionados à Primavera Árabe. Por meio da pesquisa, a jornalista concluiu que “embora não tenham provocado a revolução em si, Twitter, Facebook, YouTube e blogs, nessa ordem, deram aos protestos velocidade suficiente para culminar na queda dos ditadores Zine Ben Ali, na Tunísia, em janeiro, e Hosni Mubarak, no Egito, em fevereiro.” O estudo mostra ainda que, na Tunísia, em um intervalo de dois meses, foram mais de 13 mil tweets com a hashtag #sidibouzi, a principal da revolta, enquanto no Egito, foram mais de 2,3 milhões de tweets com a hashtag #egypt.
Seja para informar, revolucionar, seja apenas fofocar, o Twitter ainda é uma das redes mais usadas na internet, e poucos acreditam em sua decadência – como aconteceu com o Orkut, por exemplo. Seus seis anos de existência podem ser a prova disso. E, se depender de seus usuários, como o Vinícius, a vida do passarinho azul será longa: “Dentre as redes, o Twitter é a mais promissora”, completa.

