
Com a chegada do inverno algumas pessoas deixam a vida social de lado. Os dias cinza e curtos proporcionam isolamento. Resta uma opção: a companhia dos carboidratos e do travesseiro.
Folhas caindo, vento forte e ar frio são indícios da aproximação do inverno. Quando chega, traz com ele os dias mais cinzentos, de chuvas contínuas e algumas doenças como “bônus”. Para alguns, são os dias mais felizes, com noites mais aconchegantes, que convidam a um filme e ao descanso. Esses mesmos dias, no entanto, causam em algumas pessoas a chamada depressão sazonal.
Conhecida também como transtorno afetivo sazonal (TAS), essa depressão ocorre no início do outono e se estende por todo o inverno, desaparecendo entre a primavera e o início do verão, mas não dispensa tratamento. Segundo o psicólogo Marcelo Borges, que atende em dois consultórios (Passo Fundo/RS e Concórdia/SC), “a depressão sazonal pode voltar no próximo ano se não tratada.” O mesmo Borges, explica que o TAS faz com que as pessoas vejam as coisas em tons de cinza.“É a estação do ano mais fria e cinzenta, sem presença do sol. A paisagem não tem o colorido, as folhas das árvores secam, diferentemente da primavera e do verão, que têm cores e bastante sol – luz”.
Sem muitas cores e, principalmente, sem muita luz, os dias mais escuros do inverno proporcionam o aumento na produção da melatonina – hormônio que regula o sono, ou seja, em ambiente escuro, os níveis de melatonina aumentam e causam o sono – e a diminuição da serotonina – substância neurotransmissora –, o que faz com que as pessoas durmam mais, tenham menor disposição e perda do humor.
O psiquiatra e psicoterapeuta Albino Júlio Sciesleski elucida um ponto: “A depressão tanto pode ser hereditária como pode ser reativa – reação a alguma perda – ou crônica e aparece em épocas características. Uns se deprimem perto do Natal, outros, perto da Páscoa e outros, perto do inverno. Porém, quando chega o inverno, todos se retraem mais, aparecendo com mais facilidade a doença”. Sciesleski acresecenta: “Os dias de inverno são mais curtos, o que faz com que as pessoas tenham menos tempo para interação. Os indivíduos vivem mais sós e isolados”.
A manifestação

Apesar do cansaço e do sono constante, quando já se está com a também conhecida depressão de inverno, não se descansa. Segundo Borges, “não é como quando se está cansado e se dorme para descansar; se dorme somente, sem descansar”. Por sua vez, o aumento do apetite no inverno é comum para quem passa por esse transtorno: o apetite aumenta significativamente, como uma necessidade contínua e a procura por carboidratos se torna incessante.
Além dos carboidratos, a dispersão passa a acompanhar os dias de quem está com depressão sazonal. O esquecimento, a fadiga e o isolamento compõem, para essas pessoas, os dias frios e tristes de inverno. A libido sexual também diminui e há uma mudança de humor e de comportamento. A pessoa fica mais fechada, irritada e apática, além da baixa autoestima acentuada. Borges exemplifica: “A pessoa diz estar mal, feia, acha o cabelo ruim, a pela ruim, nada está bom.”
Deprimir-se, portanto, não é apenas “estar triste”; é ter a visão distorcida de mundo e de si próprio. A incidência dessa disfunção é mais frequente em mulheres, principalmente entre os 20 e 40 anos – mas não garante a imunização fora dessa faixa etária, podendo atingir, inclusive, crianças. Borges ainda acrescenta: “Outra questão que deve ser considerada é a disposição genética”, ressaltando a atenção para quem já tem histórico familiar.
Tratamento
Procurar auxílio é o mais indicado quando os sintomas começam aparecer – o problema é que, muitas vezes, os prejudicados não admitem. Cabe à família perceber e incentivar a procura pela cura. Marcelo explica as formas de tratamento: “São três os principais tipos. Primeiramente, medicamentoso”. Procurar um psiquiatra para um diagnóstico completo, e, posteriormente, receber a receita dos medicamentos ideais.
Junto à medicação, indica-se terapia, a fim de reestabelecer a relação agradável consigo e com o mundo. Como esse tipo de depressão ocorre pela ausência de luz, indica-se um tratamento, no qual o indivíduo passa em torno de trinta minutos diários recebendo luz nos olhos – não diretamente –, conhecido como fototerapia. Os olhos devem ser mantidos abertos, a fim de conseguir resultados eficazes, já que o efeito ocorre por meio dos olhos e não da pele. É sempre importante acompanhamento médico, para não ocorrer uma demasiada exposição.
Evitar a patologia é difícil, porém Sciesleski deixa a dica – que não evita, mas apazigua: “Tem que se olhar no espelho e gostar de si mesmo, se arrumar para se sentir bem. Um bom relacionamento social familiar também é importante e sempre que se puder, deve contar seus desafetos interiores para alguém em quem se confia, afim de não guardar internamente o desconforto”.
É importante lembrar que o TAS não se manifesta unicamente no inverno. Também pessoas que permanecem a maior parte do tempo em locais fechados podem desenvolver os sintomas. O fundamental é entender a necessidade do tratamento e aceitar o auxílio. Afinal, no inverno, todos os dias podem ser frios, mas não tristes.
[stextbox id=”warning” caption=”O sol é indispensável para uma vida saudável”]Viver fechado no escritório, carro, apartamento pode ser prejudicial.
A exposição solar, em determinados horários, é fundamental para viver melhor, mais saudável e feliz.
Além da produção de serotonina, o sol é indispensável na absorção da vitamina D, que auxilia no combate à obesidade, câncer e mal de Alzheimer
O ideal é tomar de15 a20 minutos de sol por dia antes das 9h e depois das 16h sem uso do protetor solar. Não é necessário ser dia ensolarado; basta ser um dia claro.
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