Por Karina Oliveira e Sammara Garbelotto
Relembrar histórias de datas especiais é uma forma de comemorar. Relembrar pessoas, também. Em mais um 8 de março o Nexjor destaca a história de 17 mulheres que construíram identidades e valores que, até hoje, propiciam espaços para a mulher do século XXI.
Um toque feminino no Nobel de Literatura
Não foi desde o início dos tempos que as mulheres podiam estar atuando em qualquer área do conhecimento ou do mercado de trabalho. Elas nem mesmo teriam a audácia de interferir em tais tarefas. Mas não demorou muito para que algumas delas se motivassem a entrar numa luta para conquistar o direito á igualdade, direito a poder expressar suas ideias.
Tentando mudar a realidade, algumas mulheres buscaram um artifício para fazer transparecer a vontade de poder ser marcada na história. Muitas delas escolheram a literatura. E elas conseguiram fazer história, podendo contabilizar 12 mulheres vencedoras do Prêmio Nobel de Literatura. A pioneira foi a sueca Selma Langerlöf em 1909.
Para conhecer as ideologias de cada uma fizemos um resgate de todas as vencedoras do Prêmio Nobel de Literatura até hoje, destacando as abordagens e temáticas que elas utilizavam para dar voz às aflições.
Câmera e intuição
Por meio da imagem a sensibilidade se revela. Um traço, um gesto, uma emoção, um motivo. Através da fotografia personalidades são expostas, sentimentos abertos, rostos são transportados do corpo para o papel, para o pixel. E é, também pela fotografia, que a mulher afirma sua importância. Se percebe da situação, se posiciona, retrata. A visão – que vai além – passa pela revolução feminista do século XX, emaranha-se pelas conquistas de direitos trabalhistas e sociais e almeja um espaço único que vem sendo construído por mãos delicadas e mentes abertas. Se uma fotografia pode falar, o Dia Internacional da Mulher pede por elas. E são cinco as mulheres que estampam a homenagem.
Nair Benedicto
Na década de 70, as ruas se enchiam de manifestações onde os convidados eram apenas do sexo masculino. Nair Benedicto, paulista, foi a primeira mulher a caminhar ao lado dos homens rumo ao progresso. Sua carreira iniciou em 1972 e, desde então, retrata as classes minoritárias e/ou excluídas dando-lhes espaço e cenário onde ficar. Índios, sem-terra, menores e homossexuais são retratos freqüentes de Nair que, ao escolher por retratar a sociedade, proporciona uma reconstrução da imagem da população brasileira e, ainda, proporcionou mudanças no fotojornalismo, especialmente no que cabe à mulher. Em 1988 e 1989 caminhou pela América Latina e, lá, retratou a situação da mulher e da criança. Em 2012, aos 72 anos, é a homenageada do FestFotoPoa – Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre.
[slideshow id=92]Vivian Maier
No silêncio de sua vida, Vivian Maier foi verdadeiramente mulher. Durante 40 anos, trabalhou como babá e por toda a sua vida dividiu-se entre Estados Unidos e França. Sem gritar aos quatro cantos do mundo sua habilidade com a fotografia, Vivian percorreu as ruas de Chicago e as inundou de sensibilidade. No entanto, nada divulgou – nem ao menos revelou muitos de seus filmes fotográficos. Recentemente descobertas, as fotografias da americana surpreendem pelos conceitos aplicados e pela técnica que apresentam, mesmo tendo sido tiradas por alguém cuja a sensibilidade do olhar era a única ferramenta utilizada. Em busca de registros para documentar a história de um dos parques de Chicago, em 2009, John Maloof comprou uma caixa de fotos. Rostos, paisagens, histórias. Fotos muito bem exploradas e desconhecidas. Em uma das fotos, o nome de Vivian revelava a do trabalho. O mais inusitado é que Vivian Maier morreu sem ver as próprias fotos, poucos dias antes da descoberta das mesmas. Hoje, suas fotografias inspiram – a rua, retratada de forma clara – e encantam – o olhar captado, a sensação e a expressão são aspectos fortes na fotografia de Vivian Maier.
[slideshow id=93]Dorothea Lange
Estados Unidos, década de 30. A Grande Depressão recai sobre os americanos e um recomeço torna-se a busca obsessiva de qualquer morador. Em meio ao caos, o inusitado: a beleza. É nesse cenário que Dorothea Lang retratou o olhar e o sofrimento de camponeses imersos na realidade estadunidense. Nas ruas, a quantidade de pessoas sem lar motivou a denúncia social. Ingressou no Farm Security Administration – órgão criado pelo governo para atender às áreas rurais atingidas pela crise de 29 – e, a partir de então, de forma crua e direta, gritou as condições em que se encontravam 20 estados pelos quais pisou. Num campo de desabrigados, o seu melhor olhar: de mulher para mulher, o retrato da desilusão. “Mãe Migrante”, 1936, esconde a fragilidade ao apresenta a mulher como fortaleza em meio à dor. Reproduzida inúmeras vezes e alcançando mais de 10 mil publicações, a fotografia realça a sensibilidade da fotógrafa que dedicou a vida por um olhar mais humano, mais próximo. Dorothea nasceu em 1895 e, aos 70 anos, morreu vítima de câncer.
[slideshow id=96]Gioconda Rizzo
Brasileira, não enxergou as barreiras impostas pelo machismo de uma sociedade que proibia mulheres de estudar ou trabalhar. Em 1914, aos 17 anos, abriu o próprio estúdio – Femina -, um espaço destinado apenas para a fotografia feminina. Fotografou o século XIX, o século XX e deixou uma lacuna na história da fotografia no século XXI, ao morrer com 107 anos. Gioconda Rizzo é o retrato de uma época que ajudou a construir. É considerada a primeira fotógrafa brasileira, a primeira mulher que decidiu rasgar os bordados de uma época engessada e abrir os olhos do mundo e para o mundo. Mais que inaugurar a fotografia para mulheres, inovou: o senso comum apontava por fotografias de corpo inteiro, enquanto Gioconda preferia os retratos, as expressões. Coragem e ousadia retratam tanto obra como fotógrafa. Capaz de avançar no caminho, Gioconda abriu as portas da liberdade feminina para que outras mulheres buscassem a sua emancipação.
[slideshow id=94]Margaret Bourke-White
A História convida a um mergulho. Margaret não só mergulhou como confundiu-se com a água. Foi a primeira mulher a ter autorização para fotografar no território soviético em uma época de tensões e conflitos. Na Segunda Guerra Mundial lhe foi concedido o direito de estar nos campos de batalha. Retratou o extermínio nazista, a dor, a covardia. Retratou a vida em um período onde a morte era o centro das atenções. A fotojornalista ainda documentou a luta pela liberdade e independência dos indianos. Aos 50 anos o Mal de Parkinson a obrigou a abandonar a carreira e, aos 67 anos, lhe tirou a vida. Suas fotografias podem ser encontradas no Museu do Brooklin, no Museu de Arte de Cleveland e no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque.
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