O imutável destino do ser humano foi o âmago da obra do escritor espanhol Miguel Delibes
Há exatos dois anos, na manhã de 12 de março, o escritor espanhol Miguel Delibes deixava este mundo. Natural de Valladolid, Delibes não escrevia há mais de 10 anos, mas era considerado um dos maiores nomes da literatura espanhola pós Segunda Guerra Mundial. O autor fazia parte da Real Academia Espanhola desde 1975.
O que nos espera após a morte foi um assunto recorrente em sua obra. Em Dama de vermelho sobre fundo cinza (1991), Delibes usou fatos reais na trama. A morte de sua esposa, Ángeles, afetou sua vida de maneira drástica. O grande e extremamente pessoal monólogo tem como alvo sua filha, Ana, que na época havia deixado a prisão por razões políticas.
Já em Cinco horas com Mario é a viúva chamada Carmen que revisita os últimos momentos com o marido, desde o leito de morte, o velório até o luto. Cada um dos 27 capítulos que compõem a obra começa com uma citação da Bíblia, já que o livro é a única companhia que restou a protagonista.
A folha vermelha foi publicado em 1959, mas suas reflexões permanecem atuais e pertinentes. Após se aposentar, o velho personagem principal, Eloy, começa a indagar quanto tempo de vida ainda lhe resta. “O velho Eloy sabia que o homem é um animal de vida curta por mais longa que seja a que lhe foi concedida”, narra o autor em trecho.
A morte é a única certeza da vida, e Delibes, como todos nós, sabia disso. Suas histórias e respectivas indagações nada mais refletem do que o inerente medo – e também curiosidade – que sentimos em relação ao certeiro e desconhecido destino. As palavras do autor também retratam os efeitos e consequências para aqueles que ficam por aqui, vivos.
