Eu fico!

1822, Brasil. As referências históricas dão conta de que há exatos 190 anos uma data se fixava no calendário brasileiro: o Dia do Fico. Mas, não, não é nem de longe a definição do verbo “ficar” que você está acostumado a ouvir. A “ficada” a qual me refiro foi, literalmente, para ficar na história e é atribuída ao príncipe regente Dom Pedro I.

No ano anterior (1821), a mãe gentil era alvo das Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, que pretendiam colonizar novamente o país. Para manter a autoridade do Brasil, os liberais radicais se uniram ao Partido Brasileiro, formado por comerciantes, latifundiários e profissionais liberais. A corte lusitana, então, decidiu que o regente D. Pedro de Alcântara deveria retornar imediatamente a Portugal.

Em resposta, os brasileiros organizaram um abaixo-assinado para pedir a permanência do príncipe. A manifestação conseguiu oito mil assinaturas, fazendo com que D. Pedro I contrariasse a Corte e pronunciasse a famosa frase: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”.

Nem é preciso dizer que a declaração – tão conhecida pelos estudantes do ensino fundamental e médio – não agradou aos interesses portugueses. As relações entre Brasil e Portugal ficaram estremecidas, caracterizando o fato histórico como um prenúncio da declaração de Independência do Brasil – proclamada em 7 de setembro de 1822.

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