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Era uma vez o…
Bigodudo simpático, o Ferrão
“Um dia, em 1972, voltei do quartel para casa e um vendedor me ofereceu uma máquina fotográfica por 10 cruzeiros. ‘O que eu vou fazer com uma isso?’ pensei. Acabei comprando!” Pegou gosto pela fotografia logo cedo. Os retratos que tirou com a primeira máquina, dentro do quartel, foram vendidos. Laurindo Ferrão viu na fotografia, além de uma atividade prazerosa, uma fonte de renda. Em 1975 montou um estabelecimento e nele trabalha até hoje. Cuida dos mínimos detalhes da empresa e atenta ao gosto do cliente. O início, bastante difícil devido à grande concorrência já estabilizada e com clientes fiéis, exigiu criatividade. “Sempre busquei a criatividade. Foi preciso inovação para que as pessoas comprassem o meu trabalho. Dentro da minha necessidade criei a minha experiência”. Quanto à história da cidade, Ferrão participou de grandes momentos. “Quando iniciou o asfaltamento da Avenida Brasil eu saí fotografar as ruas que iam ficando pretas. Percebi que ali Passo Fundo começava a crescer de verdade”. Assim como Ro
naldo e Rafael, Ferrão viveu a transição do analógico ao digital e acredita que o artista é aquele que pensa a foto. “É preciso preservar as emoções. O fotógrafo puro faz a foto com a máquina. Hoje em dia há a possibilidade de manipulação. O que é mais confiável? As duas formas são. O que muda é o objetivo em fazer a foto. As pessoas continuam precisando da fotografia”. Persistente, sempre buscou seu espaço dentro da fotografia passo-fundense. Há pouco mais de 30 anos no ramo, Ferrão se inspira, também,em Deoclides Czmanski.“Eu tinha uma pessoa que eu considerava um mestre. Pra ser bom eu tinha que fazer algo parecido com o Czamanski. Ele era o típico repórter. Tinha postura. Eu precisava fazer algo parecido”.
Claudinho, Cláudio Tavares
“Com 14 anos consegui um emprego de office boy na antiga Foto Souza. Comecei a gostar do ambiente, despertou o meu interesse. Um tempo depois já estava trabalhando dentro do laboratório”. Cláudio, que está no ramo há quase 20 anos, procura agregar conhecimento em tudo o que produz. Ele, que conhece a fotografia a fundo, experimentou os seus diferentes formatos; trabalhou em um laboratório de fotografia colorida em formato manual e trabalhou, também, com a revelação automatizada. No cenário atual da Fotografia, onde o digital é o novo sistema, Cláudio é perceptível às mudanças e acredita que destacar-se no mercado depende da forma com que se direciona o olhar: “A fotografia sofreu a maior transformação da história. O digital veio a somar a arte. Aquela história de pegar uma câmera e sair fotografar, não é bem assim… Existem conceitos que devem ser entendidos. É preciso sair do convencional e aí a diferença c
onsiste no olhar do artista.” Em 2000 iniciou o trabalho dentro da Faculdade de Artes e Comunicação da UPF e, desde lá, se dispõe a repassar tudo o que sabe. Hoje, além do Laboratório da FAC, é responsável pelas aulas de Fotografia nos cursos de Design Gráfico e de Moda. Na sala de aula Claudinho tenta passar a própria visão da arte aos alunos. “Tento passar a proximidade. Tento passar a importância do coleguismo e da amizade para compartilhar conhecimentos. Para isso, sempre que preciso fazer alguma demonstração, mostro as fotos que tiro da minha família. É importante inserir no aluno a sensibilidade”. Além de fotografar o cotidiano da cidade é, também, fotógrafo de eventos e é nesse momento que busca pela criatividade. “Eu preciso surpreender o meu cliente. Nessa busca pela surpresa, eu vou melhorando a cada dia!”. Quanto a Czamanski, é bastante enfático: “É um referencial na questão técnica! Hoje se tem um patrimônio riquíssimo da cidade graças a ele.” E graças ao Cláudio se tem um referencial de sensibilidade registrada no papel. As fotos nas paredes do Laboratório de Fotografia captam sensações e emoções. O enfoque no olhar do personagem é característica do fotógrafo, relatando a história por detrás da imagem.
Niépce quando fotografou a vista de sua janela não pensou em mostrar a bela arquitetura francesa, mas pensou em mostrar ao mundo que era, sim, possível captar momentos e torná-los conhecidos por gerações seguintes. Czamanski’s, Ferrão’s e Claudinho’s também pensam(aram) assim. E hoje, os registros que contam a História da cidade e que passaram pelas mãos habilidosas dos personagens que participaram da mesma, são responsáveis por inspirar novos talentos. Amanhã, talvez depois, outros pontos serão acrescentados à linha do tempo e novas histórias serão contadas.
Através dos olhos de quem faz a fotografia é que podemos olhar, nós também, fragmentos de uma história.


