Resenha crítica sobre o livro “História das Teorias da Comunicação” de Armand e Michèle Mattelart – “Os Empirismos do Novo Mundo”.
Há quem diga que as teorias não servem para nada; há quem as defenda com unhas e dentes. Independente de opiniões divergentes, é plausível aceitar a ideia de que a partir das teorias comunicacionais foi possível entender os processos de interação social. Essas concepções, mesmo assimiladas há décadas, refletem um posicionamento atual que pode ser observado em diferentes segmentos da sociedade e prova que as boas teorias não “amarelam” com o tempo.
A propaganda, um dos principais produtos dos veículos de comunicação e extremamente utilizada nos dias de hoje, foi explicada por Lasswell. Segundo ele, a propaganda rimava com a democracia, já que os meios comunicacionais eram peças importantes na gestão de opiniões, tanto de populações consideradas aliadas quanto inimigas. Além disso, era mais econômico que a violência, mesmo que pudesse ser usado com boas ou más finalidades. Criador da teoria da agulha hipodérmica, o cientista político acreditava que a audiência dos veículos midiáticos obedecia ao “estímulo-resposta” que fundamentava a teoria da Agulha Hipodérmica. Teoria essa que, mais tarde, seria contestada por Payne Found no seu relatório em 1933.
Em pleno século XXI é fácil rejeitar a concepção de que “A mensagem atinge a todos, ao mesmo tempo e com a mesma intensidade”. Contudo, o contexto em pauta é da década de 30, onde os recursos eram infinitamente mais limitados. Payne afirmou que a recepção das mensagens dependia de fatores como a idade, sexo, meio social e experiências. Atualmente, através da televisão, por exemplo, somos bombardeados diariamente por propagandas de automóveis, bebidas alcoólicas, postos de gasolina e todos esses “produtos” utilizam mecanismos para chamar a atenção de seu público alvo. Assim sendo, a mensagem atingirá as pessoas de maneira distinta, será interpretada e assimilada individualmente, se tornando impossível delimitar seus efeitos.
Outro aspecto importante é o analisador Lazarsfeld-Stanton que procurava medir a aprovação do público através de botões. As reações do ouvinte eram registradas da seguinte forma: em caso de aprovação apertava-se o botão verde, descontentamento o botão vermelho e deixar de apertá-los significaria indiferença. Essa é uma das heranças do sistema funcionalista na sociedade atual. As empresas frequentemente aderem a avaliações institucionais e pesquisas para avaliar a satisfação dos seus clientes com o serviço oferecido. O conceito de feedback é utilizado não apenas por empresas, mas pelas próprias pessoas. A sociedade sente necessidade desse retorno, pois faz parte do processo de desenvolvimento da competência interpessoal.
Já em 1948, Lasswell apresentou a fórmula “Quem diz, o quê, por que canal e com que efeito?” que serve de base para analisar a sociologia funcionalista da mídia. A influência dos meios de comunicação na sociedade é tão grande que a mídia facilmente persuade as pessoas a consumirem seus produtos. A partir disso, foram criadas as análises de controle, de conteúdo, de efeito. A pesquisa de efeito, principalmente, foi essencial para o controle de mercado e para analisar a influência midiática em crianças e adolescentes. Cada vez que algo é anunciado nos meios de comunicação, é preciso ter consciência de que aquela mensagem atingirá alguém, em algum lugar, em algum momento. Essa mensagem pode não gerar uma retroalimentação, mas certamente será consumida. Por essa razão, é fundamental tomar cuidado com as mensagens enviadas e com o possível impacto e reações que ela irá provocar.
Analisando a influência dos veículos de comunicação por outro ponto de vista, podemos citar a teoria do Two Step Flow que diz que no primeiro degrau estão as pessoas expostas à mídia e bem informadas, enquanto no segundo degrau estão as que frequentam menos a mídia e dependem de outras pessoas para a obtenção de informações. Modificando o contexto e partindo para um cenário atual: as eleições. É muito fácil perceber como os canais televisivos são tendenciosos e não conseguem esconder a sua visão política. Através de notas e reportagens eles podem favorecer ou prejudicar determinado candidato e isso refletirá no público telespectador que, ao assistir o telejornal ou um programa da grade, poderá modificar seu ponto de vista e até mesmo mudar seu voto. Esse controle que a mídia exerce pode ser, em linhas gerais, comparado a mãos comandando fantoches. As pessoas que se abastecem somente de informações veiculadas por determinado canal estão mais suscetíveis a adotar a visão ideológica daquele meio, sem se que seja possível um discernimento plausível ou um vasto repertório argumentativo possibilitando uma escolha mais coerente. Até aí a concorrência é benéfica à sociedade.
As teorias formuladas anteriormente possuem aplicação prática nos dias de hoje. O empirismo se revelou a maneira mais eficiente de assimilar conceitos e transformá-los em conhecimento. As percepções dos cientistas nos fazem compreender melhor as relações sociais que estabelecemos diariamente nos mais diversos processos comunicacionais. A comunicação é um processo amplo e está presente até mesmo nas ações mais simples ao nosso cotidiano, o que só atesta a importância de compreender esses fenômenos que caracterizam a vida em sociedade.
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